Notícias falsas na democracia

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nodebate – Nas últimas semanas uma tormenta de debates sobre as notícias falsas nas redes sociais, a chamadas fake News, que surgiram nas eleições dos Estados Unidos em 2016, chegou ao resto do mundo, como uma realidade. No Brasil, diante das disputas eleitorais que se aproximam, o assunto ganhou notoriedade, ao ponto de candidatos fazerem grandes investimentos em mídias digitais como estratégia de convencimento do público e desfazer as chamadas mentiras publicadas nas redes sociais. Cada vez mais comum, medir a capacidade de um candidato por sua capilaridade na internet, obtendo mais apoio para seus argumentos ou ideologia.

Esta discussão, no entanto, não está inteiramente esclarecida. Afinal, como analisar a fake news, considerando a amplitude das redes de computadores, com cada pessoa querendo construir suas ideias e posições? Talvez possa até mesmo compreender notícias falsas como mentiras publicadas, de modo estratégico para esvaziar (ou atacar) argumentos dos adversários. Uma questão que não se mostra uma novidade, nem pertencendo à modernidade. A questão, então que surge é compreender a definição de verdade propagada à opinião pública.

Ponto também controverso é a definição de argumentos consensuais, portanto, verdadeiros, em detrimento do pensamento do outro discordante, que, por isso, deve ser evitado para a manutenção do senso comum. No final, a comunicação nunca foi um lugar simples de observação. Pois, em alguma circunstância pode ser apenas enunciados para desconstruir o novo, com transformações de pensamento e posicionamentos políticos.

A disputa entre o jornalismo tradicional e as redes sociais vai se mostrando inócua, como um ponto de observação. Dificilmente haverá recuo da comunicação digital que se expande pelo mundo, formando uma única comunidade global, sem mesmo conviver com as barreiras das línguas, com traduções de páginas inteiras de publicações jornalísticas ou um simples comentário num clique.

Se algum tempo, não muito distante, foi possível seguir apenas alguns veículos de comunicação, capazes de revelar os acontecimentos e tomar posição sobre a realidade dos fatos, hoje os emissores se multiplicaram. Portanto, não se trata de alguns falando para muitos, mas de muitos falando para muitos. A verdade se revela mais complexa, portanto, em razão de um universo com muitas posições e informações equivocadas ou não, conforme o ângulo observado, até mesmo ante as diferenças culturais.

Pensando no jornalismo, os ingressantes na profissão defendem a chamada objetividade, ou seja, descrever apenas o fato em si, a exemplo de uma fotografia, retratando fielmente o objeto da imagem, cabendo ao público decidir, ao final, sua posição. Diferentemente disso, convivemos, diante de um amplo debate com uma sociedade que mais valoriza a subjetividade, pois é esta que está em disputa, não mais somente a objetividade jornalística, todavia substancialmente importante, mas não o suficiente para a formação de conhecimento.

As particularidades de argumentos competentes, como deve ser o caso do jornalismo, permitem dar suporte às afirmações, gerando novamente um ciclo de publicidade de nova ordem sistemática.

Neste sentido, os meios de comunicação ganham importância ao permitir que haja na sociedade conhecimento mais profundo nas diversas opiniões do meio em que se vive, sobretudo no campo político, de modo a evitar aquilo que se revela falso, comprometendo a ordem social, que exige qualidade de vida, democracia e igualdade.

Afinal, possível dizer que as disputas por argumentos nunca deixarão de existir. Hoje tem a ajuda de robôs que sistematizam a divulgação das  fake news, que certamente foram idealizadas por profissionais competentes, com a finalidade de atingir objetivos e ideologias. Ao longo da história humana poderiam ser chamadas de mentiras, ficção, manipulação, que incluem até livros de história, da literatura, enfim.

Contudo, a expansão do processo comunicativo parece causar pavor, considerando a multiplicidade de vozes, na definição de verdades para realidade em conflito. Uma eleição não se define pelas falsas notícias, sem passar pelo crivo do consenso social. A censura, por outro lado, ainda que dita bem-intencionada pode levar a hegemonia de ideias e não pluralidade de pontos de vista.

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O tempo do Jornalismo Político

https://i1.wp.com/imguol.com/c/entretenimento/5b/2016/11/11/william-bonner-foi-aos-estados-unidos-acompanhar-as-eleicoes-americanas-de-2016-1478893526782_615x300.jpgnodebate – Historicamente o consenso seria o de que  a prática de jornalismo estaria relacionado com o valor tempo, o negócio vantajoso seria publicar matéria com o menor tempo possível – entre narrativa e fato -, o que resultaria em eficiência. Alguns podem pensar que é um pensamento do senso comum. Evidentemente, que não, já se publicou livros reconhecidos nesta defesa e publicizados nos cursos de jornalismo. Evidentemente, que nas circunstâncias atuais, de novas tecnologias da informação, o tempo nem mesmo pode ser considerado real, mediante à sua momentaneamente na imprensa on-line. O Jornalismo passa por outros critérios, quando o assunto é qualidade.

O que aconteceu com os jornais brasileiros sobre a cobertura à corrida presidencial nos Estados Unidos, com um erro histórico do jornalismo, revela somente que estamos fora do tempo, pelo menos do leitor. A realidade ultrapassa a verdade, sugerindo um pós-tempo, a pós-realidade. Qualquer coisa vira fato, independentemente do tempo – a mídia sempre organizou o tempo – e qualquer ponto de vista é um ponto de vista consensual definido em redações.

O jornalismo brasileiro, nesta episódio, viu refletir sua imagem no modelo da grande mídia global e segue neste prisma, no entanto, deixou, desta vez, claro a dependência da editorialização dos grandes jornais e empresas de pesquisas, editorializadas, defendendo interesses políticas, sem observar o seu público e a política.

Portanto, está muito explícito a capacidade de manipulação dos fatos, sobretudo, quando estão distantes do olhar direto do leitor, como é o caso dos acontecimentos internacionais.

De agora em diante, possivelmente o público consumidor de jornalismo estará mais atento àqueles que querem a construção de shoppings de notícias, cujo objetivo é vender e definir cultura de consumo e ideais. O que não faltará, de agora em diante, por um bom tempo, será propaganda dos amigos formadores de opinião que servem aos donos dos shoppings, para quem prestam serviços, full times.

Sem dúvida, que sempre haverá o bom jornalismo,  fundamental para a sociedade para a formação de conhecimento e democracia. Cabe ao leitor observar com atenção.

Consenso midiático

Se as críticas sobre as mídias brasileiras são contundentes, devido ao excesso de partidarização de sua linha editorial, há ainda que se analisar a política elaborada pelas agências e mídias noticiosas internacionais.

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Como se poderá notar com um pouco de atenção, os jornais tradicionais e outras mídias conservadoras do Brasil reproduzem fielmente tais empresas, de modo que fica implícito sua participação neste consenso neoliberal.

A começar pela campanha no Brasil em favor da candidata à presidência dos EUA Hillary Clinton. Logo na sequência as matérias, sempre negativas, contra a política dos países latino-americanos que transitam fora do eixo EUA/Ásia/Europa.

Fato é que o consenso pode ser questionado, com consistência, no entanto, há uma hegemonia dos meios de comunicação noticiosos, com grande audiência e aceitação global que se mostram organizados sobremaneira em suas posições, de modo a estabelecer um discurso que se reproduz cotidianamente. Neste sentido, possível observar movimentos de mídias noticiosas, sobretudo on-line, na busca de disputar espaço na audiência nacionais e globais.

Contudo, os nossos jornais, em muitos momentos, apenas reverberam uma comunicação editorializada internacionalmente por jornais hegemônicos, que seguem uma linha de viés econômico, considerando ser o único caminho para se chegar ao desenvolvimento social, cultural e de esclarecimento de uma sociedade empobrecida.

Eis a globalização e a propaganda de convencimento para o novo modelo econômico mundial. Daí, pode se entender, a certeza de governos brasileiros em defender ideais que nem mesmo particularmente acreditam.

Resta saber como a população lida com esta exposição midiática, com filtro ou de maneira apenas passiva. Claro, ou faz disso instrumento, em conformidade com seu status quo, considerando os grupos sociais com sua capacidade de servir de modelo, nesta relação de convencimento, para toda uma sociedade.

Revolução da Mídia brasileira

 

nodebate – Depois do impeachment de Dilma Rousseff(PT), quando, para a esquerda brasileira, se arquitetou o golpe e colapso da democracia, não haveria dúvida a necessidade de discussão sobre o papel da mídia nacional. Nesta análise está a ruptura institucional, com enquadramentos sucessivos no jornalismo de grande audiência, comercial, defendendo intransigentemente a troca do governo, pretensamente com política voltado para o social. O sentimento, em muitos momentos para os espectadores, seria de pura desilusão com os meios de comunicação, defendendo partidos políticos e formas de governo conservador e ultradireita. Chega de jornalismo, então, pressupõe.

Foto – Café na políticahttp://www.cafenapolitica.com.br/wp-content/uploads/2016/02/midia-prof-jm.jpg

 

A medida radical dos leitores faz sentido, diante de um esquema de visibilidade de informação ordenado previamente, antes dos acontecimentos, nas redações ou mesmo nas salas de reuniões empresariais. Portanto, para muitos, o projeto de mídia comercial que está posto no Brasil, não serve e deve ser substituído por outro, portanto, mais democrático. O ícone desta mudança passaria pelo Jornal Nacional da Rede Globo, da família Marinho.

No entanto, o jornalismo segue sua ordem. Se antes apresentou uma crise sem fim, agora, depois do impedimento de Dilma Rousseff e do PT, agora marginalizados do poder político, tudo cai nos eixos, a inflação se torna a menor dos tempos. Os sinais são de redução de preços nos supermercados e muito otimismo na população. Sem contar, as vozes de jornalistas bem pagos que defendem o projeto conservador aberta e explicitamente. O difícil é dizer se este processo é mesmo tranquilo nas redações, nas antessalas da imprensa. A negociação deve ser calorosa. Entende-se que não seja algo como fala e obedece.

Talvez mereça discussão, o fato de entender que estes meios de comunicação têm audiência, com público que apoia tais medidas jornalísticas de enquadramentos com postura de prioridade econômica e conservadora. A sociedade deve entender, está nesta relação de diálogo ou passaríamos a chamar as pessoas de qualquer coisa, menos capazes de pensar racionalmente. Não parece o caso.

A dúvida que paira é até quando este romance político perdurará entre o novo governo, de Michel Temer, jornalistas, porta-vozes políticos conservadores e empresários. Será mesmo que a figura do presidente é que importa? A comunicação se ordena somente na tela da Rede Globo e em alguma única residência brasileira privilegiada? Mas há um fato fundamental, sem os meios de comunicação não será possível pensar a sociedade. Criou-se, nos tempos atuais, uma grande dependência das mídias, sobretudo, para se informar. Por aqui passa a política brasileira. Uma boa aposta!

O que se espera é que algo novo surja com certa brevidade. Pelo caminhar da humanidade haverá sempre curvas à vista.

 

 

Jornalismo de partido

nodebate – Alguns intelectuais do jornalismo se manifestaram a respeito da imprensa partidarizar-se na definição de pautas, ou seja, seleção previamente dos assuntos que serão publicados; e, de que ângulo serão explorados. O Jornal Folha de São Paulo e “amigos” vêm exagerando nestas práticas em data específicas, como é o caso do impeachment, movimentos políticos na América Latina e eleições.
 
Talvez, para fazer justiça, não deixar o jornal paulista sozinho, a poderosa TV carioca, Rede Globo, usa a mesma estratégica, de maneira explícita, que em circunstância parece incomodar o próprio Jornalista na cobertura.
 
Como exemplo, basta observar as chamadas de capa do Jornal da Família Frias, com títulos que levam a partidarização, com defesa especialmente do PSDB – que dificilmente merece um destaque sobre questões negativas, como o mensalão mineiro e outros escândalos . No entanto, o partido está amparado pela própria mídia nas investidas contra o governo, que no final resulta na defesa de um modelo social, longe da distribuição de renda esperada historicamente pelos brasileiros.
 
No caso da Rede Globo, na semana anterior, numa pauta sobre as dificuldades dos candidatos nestas eleições municipais, no tocante a arrecadação de verbas para o pleito, diante da impossibilidade de obter recursos privados, a fonte do jornalista foi ninguém menos do que Gilmar Mendes. O ministro do STF que se prostrou contra a aprovação da medida no Supremo, pedido vistas do processo que guardou por mais de um ano sem condições de ir à votação entre os pares.
 
No final, se forma grupos de autoridades e jornalismo amigo, no sentido de organizar uma força-tarefa que visa interesses particulares, ainda que explorando recursos e bens públicos. Com a palavra os pensadores do Jornalismo no Brasil.

Filme Aquarius provoca constrangimento a Temer

Folha de S. Paulo

Sob gritos de ‘Fora, Temer’, filme ‘Aquarius’ é ovacionado em Gramado

Resultado de imagem para imagem - aquariusO filme “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho, estreou no Festival de Gramado na noite desta sexta (26) sob estrondosos gritos de “Fora, Temer” vindos do público, e terminou ovacionado.

O ministro da Cultura do governo interino, Marcelo Calero se derramou em elogios ao filme.

“Gostei muito”, disse à Folha. “Para começar, porque a Sonia Braga fez um excelente trabalho. E Kleber Mendonça Filho demonstrou grande sensibilidade. O filme é um grande exemplo da qualidade do cinema brasileiro.”

Calero, que estava presente no começo da sessão, foi vaiado e ouviu do público gritos de “golpista” assim que as luzes se apagaram para o começo da cerimônia. Também ouviu: “Calero pelego” e “manda nudes”.

O ministro não quis comentar nem as vaias nem a classificação indicativa de impróprio para menores de 18 anos que “Aquarius” recebeu do Ministério da Justiça;

Estiveram na sessão Alfredo Bertini, secretário do Audiovisual, órgão, ligado ao ministério, e Marcos Petrucelli, crítico que integra a comissão criada pela pasta para definir qual filme irá representar o Brasil no Oscar.

O comitê é alvo de polêmicas no meio cinematográfico porque Petrucelli já usou suas redes sociais para depreciar o diretor Kleber Mendonça Filho, que tem em “Aquarius” um dos mais fortes concorrentes a levar a vaga do Brasil.

Petrucelli afirma que sua contrariedade a Mendonça Filho é estritamente política e não afeta seu trabalho na comissão que escolherá o representante brasileiro.

A comissão brasileira do Oscar negou partidarização na escolha da indicação do crítico. Alfredo Bertini, secretário do Audiovisual, disse que a polêmica é infundada e que a escolha de Petrucelli seguiu procedimento normal. “O processo de escolha teve transparência absoluta”, afirmou.

Leia matéria na íntegra

Futuro do jornalismo impresso em questão

Folha de S. Paulo

Executivos de jornais debatem em evento em SP desafios do setor

Os executivos das principais Redações brasileiras, reunidos pela conferência da Associação Internacional de Mídia Jornalística (Inma, na sigla em inglês), detalharam nesta quarta (23) os desafios que vêm enfrentando e as respostas buscadas.

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Marta Gleich, diretora de Redação do “Zero Hora”, citou, como “principal movimento até agora” no jornal gaúcho, o lançamento da “superedição de fim de semana”, reunindo as edições de sábado e domingo, com ganhos nos custos de logística, por exemplo, sem perda de leitores.

Chico Amaral, editor-executivo de “O Globo”, detalhou as mudanças de operação e da própria cultura da Redação neste “momento de transição”.

João Caminoto, diretor de Jornalismo de “O Estado de S. Paulo”, afirmou que já é possível chegar a algumas “certezas” no debate sobre os desafios dos jornais, mas restam muitas “incertezas”.

Entre as certezas, “o bom jornalismo continuará sendo o alicerce” e “o ramo é permeado de dogmas que inibem inovações”. Entre as incertezas, citou o modelo de negócios para o setor, ainda em discussão no mundo, e “o futuro do impresso”.

Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha, concentrou os desafios em cinco principais. O primeiro é identificar o que é crise conjuntural, da economia, e o que é crise estrutural, do próprio setor, para responder com as ações mais adequadas.

Outro é quanto ao tamanho das Redações, que vêm diminuindo. Uma das respostas para a redução, diz ele, é a busca de parcerias de qualidade. O terceiro desafio é a relação com as redes sociais, que precisa ser “mais igual”, não pode se restringir à troca de conteúdo por audiência.

Sobre o papel do jornalismo profissional num ambiente digital em que “tudo tem a mesma estridência, tudo é manchete”, defendeu priorizar seleção e curadoria.

O quinto e último desafio é modelo de negócios. Dávila diz que trazer mais receitas não é função direta da Redação, mas defendeu “diversificar e ampliar fontes baseadas em conteúdo”.

“EL PAÍS”

O diretor-adjunto do “El País”, David Alandete, relatou em seguida a transição por que passa a Redação do jornal espanhol, cada vez menos voltado ao impresso, a ponto de questionar a manutenção das edições em dias de semana, e mais às diversas plataformas digitais.

Afirmou que foram rompidos os limites estritos entre editorias, para acompanhar o andamento das próprias notícias, e que os correspondentes especializados permanecem atuantes, mas em suas casas ou em cobertura.

Sobre os profissionais mantidos na Redação da publicação espanhola, afirmou Alendete, “queremos que eles sejam flexíveis”. Ele destacou que os responsáveis pela edição impressa foram isolados da Redação, há dois anos, num processo que enfrentou resistência.

Disse por fim que o objetivo é “fazer aquilo em que sempre fomos bons”, jornalismo com profundidade, “apenas adaptado aos novos hábitos do leitor” (Folha de S. Paulo).

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