Mídia, condomínio fechado

O Estado de S. Paulo

Por Tatiana de Mello Dias

Pacote de leis prestes a ser votado nos EUA pode murar a internet de vez – e gigantes digitais propõem blecaute online como alerta

A lei que, segundo os críticos, pode transformar os EUA em uma China da censura na internet está prestes a ser votada. Após o recesso do fim do ano, o Stop Online Piracy Act (Ato para Parar com a Pirataria Online, ou Sopa, na sigla em inglês) volta à pauta. E as chances de a lei – uma das mais restritas do mundo – ser aprovada não são pequenas. O lobby da indústria cultural, apoiada por gigantes das patentes como Pfizer e Revlon, ainda tem mais poder nos EUA do que as empresas de tecnologia. Só agora, gigantes como Google e Facebook resolveram agir. E de maneira drástica: desligariam seus serviços por um tempo.

O blecaute foi anunciado por Markham Erickson, porta-voz da NetCoalition, coalizão de empresas contrárias à lei – como Facebook, AOL, eBay, Facebook, Foursquare, Google, LinkedIn, Twitter, PayPal e Wikimedia. A ideia é desligar os serviços por um tempo para alertar a população sobre os possíveis efeitos da lei. É que a Sopa prevê que detentores de direitos autorais, governos de empresas removam conteúdo sem ordem judicial. E, mais importante, prevê um estrangulamento financeiro estimulando empresas como PayPal e Visa a deixar de fornecer serviços para empresas envolvidas com pirataria – seja a acusação provada judicialmente ou não.

Detalhes sobre o possível blecaute ainda não foram definidos. A ação é chamada de “opção nuclear” por ser a mais radical. “Essa lei vai mudar fundamentalmente a maneira como a internet funciona”, disse Erickson em entrevista à emissora Fox News. “As pessoas precisam entender o efeito que essa legislação de interesse específico terá na vida de quem usa a internet.”

Pressão. Há outra via de resistência. A indústria da tecnologia dos EUA ainda não aprendeu a fazer lobby, prática histórica na indústria cultural – e capaz de influenciar tanto a política interna quanto a externa do país.

“A indústria de conteúdo nos EUA tem sido muito boa ao longo do tempo em influenciar decisões políticas”, disse ao Link Michael McGeary, diretor do Engine, escritório de advocacia especializado em startups. “Por décadas, eles controlaram a direção dos governos nesta área e facilitaram a aprovação de leis invasivas, não-intuitivas e não-inovativas, como a Sopa”, explica.

McGeary está organizando um lobby de empreendedores da área de tecnologia dentro do Congresso norte-americano contra a proposta de lei. “Essas empresas criaram todo o crescimento de empregos nos EUA nos últimos 30 anos. É hora de terem uma voz mais alta no governo”, defende. “Nossa esperança é que possamos usar a nossa influência para que o Congresso respeite a necessidade de uma internet livre e aberta.”

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Sobre Antonio S. Silva
Jornalista, mestre pela PUC/SP, doutor pela UnB e professor da (UFMT). Importante o diálogo para construir um país melhor.

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