Crise política e a legimitidade das fontes no jornalismo

Não é verdade, contudo, que o jornalismo seja apenas interesses políticos e econômicos. Mas entender de mídia certamente deveria fazer parte da educação de um país como o Brasil

Comunicação democrática – Para as pessoas mais atentas um fato chamou a atenção sobre o caso Monte Carlo, que envolve o senador da oposição Demóstenes Torres (DEM): a credibilidade das fontes. Se o democrata passeou pela mídia conservadora, de um instante para outro se transformou, com o escândalo, no ícone da falta de moral, comprometimento com a ilegalidade e desrespeito com a coisa pública.

O que se percebe, então, é que há um contrato tácito que se diz: “apoiamos o seu discurso, mas a responsabilidade é inteiramente sua, caso algum dê errado vou dizer que suas afirmações foram realmente levianas”. Entretanto, o jornal folha lamentou a perda de poder do político, quando afirma, em editorial na edição de 30 de março, que:  “A legenda perderia um de seus principais quadros, mas essa decisão cabe apenas ao DEM”. Evidentemente não ao jornal paulista.

Com exceção de Carta Capital que se posiciona crítico aos partidos conservadores de direita, as demais linhas editoriais da imprensa brasileira manteve relações estreitas com o democrata, capaz de criar constrangimento ao governo petista no senado, com repercussão nos jornais, das capitais, posteriormente com notícias agendadas para o “interior” brasileiro.

Assim, com uma oposição sem capacidade para se mobilizar, o discurso categórico do senador ganha notoriedade e apoio na comunicação midiática das grandes empresas. Caso emblemático ficou por conta das denúncias da proximidade de jornalista da revista Veja com a fonte ilustre, em Brasília.

Talvez seja mesmo tempo de prestar atenção nas vozes das fontes, ou seja, quem está permanentemente falando nos jornais. Será que a entrevista é decidida pelo jornalista ou segue uma linha editorial pré-definida por um grupo comunicante com o poder, conforme estratégia política? Portanto, as pessoas que passeiam na mídia revela a política do veículo, mas que convive com o insuportável peso da audiência, chamada de opinião pública.

Não é verdade, contudo, que o jornalismo seja apenas interesses políticos e econômicos. Mas entender de mídia certamente deveria fazer parte da educação de um país como o Brasil, em desenvolvimento social e cultural. Uma nação, que por direito, precisa ser pensada por todos, o que passa pela polifonia nas mediações – democráticas.

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Sobre Antonio S. Silva
Jornalista, mestre pela PUC/SP, doutor pela UnB e professor da (UFMT). Importante o diálogo para construir um país melhor.

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