Jornalista preguiçoso?

Ola Antonio, bom dia! Como vai?
Eu preciso de um favorzão precioso seu. To com um pauta para fazer cobrindo uma maravilhosa palestra que a Malu Longo, repórter do O Popular deu ontem na faculdade. Ela falou que na questão para contratar novos profissionais de jornalismo aqui em Goiás não tá fácil. Disse que a coisa tá crítica. Tão chegando gente na redação preguiçosa e sem iniciativa, diz ela.

Resposta:

Penso que os alunos de jornalismo estão sempre muito preocupados com o mercado. As faculdades particulares, sobretudo, mas as públicas também procuram atender o seu cliente, como se estivesse cumprindo sua missão. Na verdade a questão é outra, como formar bem os estudantes de jornalismo. Não é uma tarefa fácil, pois há muitas mudanças no sistema de comunicação global, com transformações locais. O jornalista hoje precisa ter mais conhecimento que anteriormente, decadas passadas, em virtude de quantidade de informações que chegam e precisam ser filtradas rapidamente – isto inclui conhecimento de história, sociologia, antropologia, ética, etc. Não basta escrever razoavelmente bem, saber o que é um lide e conhecer diagramação; é necessário que se saiba refletir, tem olhar que vai além da superfície dos fatos. O mercado é muito ingrato, ao mesmo tempo que quer um aluno que chegue para a redação com capacidade para fazer cobertura, de maneira técnica, exige um profissional capaz de aprofundar nas abordagens dos fatos. Ora. Ouvi muitas vezes a fala de alguns alunos de que “precisam trabalhar, inclusive para pagar o salário do professor”, por isso, não tinham condições de leitura mais elaboradas. Um engano, o professor deve ter como objetivo a formação do aluno seguindo alguns parâmetros de exigência, sem a qual não se forma, mas apenas oferece diploma. Um jogo para se manter com bom relacionamento com coordenadores medíocres e diretores voltados para o negócio, aprovando integralmente uma turma, que segue com sala cheio nos semestres seguintes. Na verdade comete equívocos na formação, no produto que oferece, ou melhor, vende. Se um médico precisa ser responsável, pois, pode matar o paciente se não possue conhecimentos indispensáveis, por que não ocorre a mesma coisa com o jornalista, que trata com mentes e corações. Não se vive somente pelo corpo, mas o homem é aquilo que ele pensa, sobremaneira. Neste sentido, o jornalista que leva conhecimento para seus leitores tem ampla responsabilidade, que começa na sala de aula. Claro que devemos analisar o interesse dos veículos de comunicação, que se isentam de suas responsabilidades e esperam um profissional passivo, mas competente. Deveriam valorizar os jornalistas, uma forma de incentivar a profissão. Os jornais exageram na exigência profissional, tentando resolver a falta de competência administrativa, muitas vezes. Há aqui um problema social, afinal, um país não vive sem mídias.

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Sobre Antonio S. Silva
Jornalista, mestre pela PUC/SP, doutor pela UnB e professor da (UFMT). Importante o diálogo para construir um país melhor.

One Response to Jornalista preguiçoso?

  1. Antonio Silva says:

    Reblogged this on NoDeBaTe.

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