Brasileiro com acesso à rede fica mais tempo na internet do que na TV

Folha de S. Paulo

O brasileiro tem pouco acesso à internet, mas quem o tem gasta mais tempo na rede do que aqueles que assistem TV. Apesar da baixa penetração, os jornais impressos são a fonte de informação mais confiável para a população

Os dados fazem parte de pesquisa realizada pelo Ibope a pedido da Secretaria de Comunicação da Presidência. O objetivo é ter uma melhor compreensão sobre os hábitos de uso de mídia pelos brasileiros e, assim, aumentar a visibilidade de ações e programas do governo federal.

Ao todo, 18.312 pessoas, foram entrevistadas em 848 municípios de todos os Estados e Distrito Federal. A pesquisa foi realizada entre os meses de outubro e novembro de 2013 e a margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos.

A intenção é avaliar os hábitos de consumo de mídia dos brasileiros a cada ano. O estudo é feito pelo Ibope, e, segundo a Secom, teve um custo de R$ 2,4 milhões. Pouco mais da metade dos brasileiros (53%) nunca acessa a internet, serviço que ainda é pouco difundido nos lares – 52% da população não têm internet em casa.

Entre os que acessam, o tempo médio de uso diário da rede durante a semana (segunda a sexta) é de 3h39min, dez minutos a mais do que o tempo gasto com televisão (3h29min) e mais expressivo que o dedicado ao rádio (3h07min).

A TV, entretanto, é uma unanimidade no território nacional: 97% dos brasileiros afirmam ver TV, 61% têm costume de ouvir rádio, 25% têm hábito de ler jornal impresso e 15% de ler revista impressa.

“Temos essa avaliação clara de que a internet é um espaço privilegiado onde a comunicação do governo tem que estar”, disse o ministro Thomas Traumann (Comunicação Social) nesta sexta-feira (7).

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Diante da tendência de crescimento da internet, o governo federal tem aumentado a participação da internet na distribuição de recursos de publicidade. Segundo o ministro, as despesas da Secom com publicidade na internet em 2011 representavam 8% do total.

Esse percentual subiu para 9,5% em 2012 e, 11,5% em 2013 e, neste ano, a previsão é de 15%. Traumann, no entanto, negou que haverá alterações na dinâmica de distribuição dessas verbas. Ao todo, a Secom gerencia quase R$ 2 bilhões anuais em verbas publicitárias do Executivo e estatais.

“A política de publicidade do governo já estava escrita e continua a mesma política que estava antes. Não tem nenhuma alteração em relação ao que o governo estava fazendo”, afirmou.

Uma das críticas do PT a sua antecessora, Helena Chagas, era de que ela defendia o predomínio de critérios técnicos de audiência para distribuir a verba federal – enquanto o partido pedia mais apoio à mídia regional e a sites alinhados ao Planalto.

“Os critérios [de distribuição de recursos] são os que já existem e que já estão sendo adotados pelo governo brasileiro desde 2008. São critérios técnicos, baseados em pesquisa de agências, de veiculação de rádio, de circulação, no caso de jornais e revistas. (…) Essa pesquisa vai basear estratégias para a atividade de comunicação para o futuro, ela não modifica o que estamos fazendo atualmente. Estamos falando de coisas diferentes”, afirmou Traumann.

CONFIABILIDADE

Embora não sejam os preferidos dos brasileiros, jornais impressos têm a maior confiabilidade quando se trata de material noticioso e publicidade. Notícias veiculadas por esses meios apresentam maior nível de confiança dos entrevistados (53% afirmam confiar sempre ou muitas vezes) em detrimento do rádio (50%), TV (49%) e sites (28%). Blogs (22%) apresentam o menor nível de confiança.

Os jornais também inspiram maior confiança quando se trata de veiculação de propagandas (47%). TV e rádio seguem empatadas logo depois (42%), seguidas por revistas impressas (36%) e blogs (19%).

“Todo o histórico de credibilidade do meio impresso continua sendo um referencial para as pessoas. A internet é muito mais acessada, porém o grau de confiabilidade ainda é relativamente muito mais baixo”, disse.

VOZ DO BRASIL

A pesquisa questionou ainda o conhecimento dos entrevistados sobre veículos públicos estatais. Em geral, o conhecimento da população é baixo sobre sites, programas de TV e rádio do governo federal.

O programa de rádio “Voz do Brasil” registrou maior percentual de conhecimento (68%), mas entre esses, 66% afirmam que, apesar de conhecê-lo, não ouvem o programa. Segundo a pesquisa, 21% da população conhece o programa “Café com a Presidenta” e 15% a coluna semanal “Conversa com a presidenta”.

Na internet, Portal Brasil (24%), o site do Planalto (18%) e o blog do Planalto (12%) também apresentam baixos índices. De acordo com a pesquisa, os sites mais visitados pelos brasileiros são Ministério da Educação (12,6%), Receita Federal (12,3%) e Fome Zero (6,4%).

“Temos que ter a humildade de entender que se alguns dos nossos veículos não estão conseguindo atingir o público que precisam atingir, [eles] têm que fazer suas correções de uso”, afirmou Traumann.

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Sobre Antonio S. Silva
Jornalista, mestre pela PUC/SP, doutor pela UnB e professor da (UFMT). Importante o diálogo para construir um país melhor.

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