Hollywood teme perda de mercado

New York Times/Folha de S. Paulo

Por MICHAEL CIEPLY

Por duas vezes nos últimos meses, ouviu-se uma leve batida na porta da supremacia americana no mercado global de filmes.

No início de setembro, uma obra falada em chinês, “O Rei Macaco”, alcançou o 21° lugar nas bilheterias mundiais, com US$ 186,1 milhões em vendas de ingressos.

Algumas semanas depois, a comédia chinesa “Amigos Separados” atingiu o 22° posto, arrecadando US$ 143,1 milhões.

Isso não chega a ser uma ameaça da concorrência, mas é suficiente para fazer Hollywood tremer.

As empresas americanas e seus sócios produziram os 20 primeiros colocados nas bilheterias mundiais nos últimos cinco anos. Um raro destaque foi “Intocáveis” em 2012, da França, que se classificou em 16°, com US$ 432,6 milhões em vendas globais.

O melhor classificado deste ano é “Transformers: A Era da Extinção”, da Paramount Pictures, com cerca de US$ 1,1 bilhão em vendas mundiais, a maior parte na China. Ao todo, os mercados fora dos EUA representaram aproximadamente US$ 25 bilhões das vendas de US$ 35,9 bilhões em 2013, segundo a Associação de Cinema da América.

Ainda assim, Jonathan Wolf, do Mercado Americano de Filmes, convenção anual de produção e distribuição, tem observado “uma mudança global que se afasta do produto americano nos últimos 25 anos”. Subsídios governamentais para filmes locais mudaram os gostos em algumas regiões do mundo, assim como uma nova geração de cineastas internacionais treinados na televisão.

Ele tem o olhar fixo na China, onde o faturamento anual nas bilheterias só perde para o dos EUA. As vendas de ingressos lá provavelmente passarão de US$ 5 bilhões neste ano.

As companhias americanas buscaram o crescimento na China por meio de empreendimentos conjuntos. Mas o público chinês, com a ajuda de políticas oficiais para manter os filmes nacionais em exibição, demonstrou uma crescente inclinação para filmes puramente chineses.

Segundo o serviço de verificação de bilheterias Rentrak, os títulos de estúdios americanos representaram 39% das vendas de ingressos na China em 2013, contra 44% um ano antes. Rob Cain, produtor e consultor com experiência considerável na China, disse em outubro que a parcela americana voltou a quase 44%.

A China ainda não se tornou um exportador de cinema poderoso. Até hoje ela tem sido mais como a Índia, produtora prolífica cujas obras são vistas principalmente dentro de seu território e entre uma diáspora vibrante ao redor do mundo. Mas companhias chinesas como Dalian Wanda, Fosun International e Le Vision Pictures procuram fazer incursões globais.

Os filmes americanos enfrentam um desafio especialmente sério na Rússia, que se classificou em sétimo entre os mercados nacionais no ano passado e está crescendo rapidamente: conforme aumentam as tensões políticas, algumas autoridades russas e outras discutem cotas ou mesmo uma proibição a filmes americanos.

Para grandes produtoras como QED International ou Red Granite Pictures, a perda das vendas na Rússia seria um golpe porque elas contam cada vez mais com compradores estrangeiros para produzir filmes americanos.

“Os estúdios parecem estar com a estratégia de afastar os riscos”, disse Riza Aziz, coproprietário da Red Granite. Ele falou sobre a crescente relutância dos estúdios americanos em usar capital próprio, contando, em vez disso, com dinheiro levantado por outros, muitas vezes por meio de vendas no estrangeiro.

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Sobre Antonio S. Silva
Jornalista, mestre pela PUC/SP, doutor pela UnB e professor da (UFMT). Importante o diálogo para construir um país melhor.

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