O socialismo da mídia

nodebate – O Brasil se tornou um país de destaque no mundo político, com a eleição de um operário, vindo de regiões periféricas do país, onde, infelizmente, assim como grande parte deste território, a fome é comum e faz parte da paisagem. Nas universidades este fato ganhou ares de revolução social, com possibilidade de mudanças no cenário brasileiro, retirando-se governos voltados para a referência dos grandes centros econômicos e, por isso, dependentes.

Entre as elites nacionais exportadora foi o fim dos mundos, pois como haveria representação internacional com um presidente semianalfabeto, de origem pobre, com discurso socialista? Momento de tensão também no universo da imprensa, o que pensar?

Imagem R7, Site Balaio do Kotscho

Se a globalização é uma realidade, se deve observá-la também nas disputas que ocorrem, considerando que há uma expansão de comunicação, conhecimento e riquezas. Portanto, precisa-se dar ordem a um processo que está posto. Se aqueles que surfam numa visão economicista, logo o setor financeiro e especulativo deve ser observado com muita atenção, afinal é gerador genuíno de possibilidade de riquezas. Para os socialistas intelectuais, momento para políticas de distribuição de renda, num mundo em que há mais esclarecimentos.

Simplificando esta discussão, ficamos aqui com estes dois enfrentamentos, em meio a tantos matizes. Evidentemente que a mídia ganha destaque neste espectro de discussões e formação de pensamento.

Não tardou a se observar o reforço do jornalismo conservador e reacionário aparecer, no sentido de colocar as coisas no lugar, na possibilidade dos modelos de sociedade do século XX. Fato, é que outras mídias surgem rapidamente, quando jornalistas e populares constroem seus próprios meios, explorando as redes sociais. Importante, notar que há aqui também uma disputa, para além-fronteiras.

O mais contraditório, no entanto, é compreender que os partidos que fizeram moda na América Latina, inclusive o PT no Brasil, estariam distantes de uma realidade socialista, com ampla distribuição de renda e riquezas. Mas, para sobreviver em meio ao poder milenar, precisariam aproximar do povão, de modo a ter forças para reestruturar o poder político e econômico, nestes enfrentamentos com a chamada elite nacional e internacional, com seus tentáculos mundo afora.

A questão que se apresenta é: jornais como Clárin e La Nación, na Argentina, New York Times, nos Estados Unidos (e similares na Europa), Folha, Estadão, Globo, Veja no Brasil, definitivamente, assume, dispondo de milhares vozes (fontes) padronizadas, como missão simplesmente a defesa de um modelo de desenvolvimento.

Em outras palavras, acredita-se que o crescimento econômico somente pode ocorrer se houver a capacidade de multiplicar riquezas, porém concentradas. A proposta ruiria se governos gastarem demais com aumento do estado do bem-estar social. Para muitos brasileiros na rede social bem-intencionados, isso é cristalino e reproduz o discurso. Mas no fundo, a busca é mesmo para manutenção de ordem social, cujas afirmações atestam que infelizmente a pobreza é o resultado da falta de competência dos indivíduos (pobres), por isso o sucesso do capitalista.

Em essência, na ordem do dia apenas a defesa de um modelo, sem rupturas, que paradoxalmente apenas casualmente se modifica para se manter, que modernamente tem o nome de neoliberalismo.

Quiçá que outros modelos sejam possíveis. Uma transformação que deverá passar pelas redações dos grandes jornais e vozes globais.

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Sobre Antonio S. Silva
Jornalista, mestre pela PUC/SP, doutor pela UnB e professor da (UFMT). Importante o diálogo para construir um país melhor.

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