Manobras no Jornalismo?

nodebate – Será que realmente houve tom de ameaça da Rede Globo na Voz de Willian Bonner, no Jornal Nacional, desta Quinta-feira(17)? Isso mesmo? Correto afirmar que o papel da imprensa é realmente esse, o de informar à população, quer dizer com a imparcialidade de apoio explícito às ações do Juiz Sérgio Moro? A rigor, a maior rede de televisão do Brasil está na oposição contra o governo, abertamente, como em tempos de guerra, envolvendo duas nações beligerantes, o nós e o eles? Verdade, “a imprensa cumpre o dever de informar … como assegura a constituição”. Ponto.

Algo realmente fora do lugar no Brasil, neste momento. O Jornalismo em rede se transformou em lugar de fazer política partidária, na defesa do que deveria ser democracia para haja participação pública na política, com capacidade de discutir questões pertinentes ao social. Como parece se comportar a Rede Globo, no Jornal Nacional, não leva a sociedade a se sentir como massa de manobra, quando expõe em excesso imagens negativas e positivas, se posicionando como agente político, para depois afirmar que é uma espécie de “cão de guarda” dos valores institucionais?

A rigor, devemos considerar que notícia ao ser veiculada não passou por seleção, sobretudo por uma hierarquia, que neste caso, se mostra rígida, com distribuição das imagens em vantagem para os movimentos de oposição ao governo, sem considerar os apoios e questionamentos. Quanto ao personagem da Globo, Bonner, está muito distante do papel de um jornalista-narrador de notícias,  se entendemos corretamente, ao ser enfático teatralmente na despedida, quando, depois de apontar para o governo, dizer pausadamente “Boa noite … e até amanhã”, com se afirmasse, continuaremos no mesmo tom, não cederemos às provações.

Tais atitudes podem, no final, provocar mais ódio em grupos inflamados, que chamados para o enfrentamento elevem ainda mais a crise política brasileira. Talvez seja esse mesmo o objetivo: o de criar constrangimentos e vantagens para os que defendem o impeachment, sem o devido processo de debate, forçando posicionamentos antecipados, a este propósito do grande público. Certamente, não é Jornalismo que se propõe desta maneira, diante de um Brasil polarizado. Não se trata da prisão ou não de uma autoridade, mas o sentimento de uma nação dirigida por organizações, que deveria zelar pela democracia, igualdade, com sentimento de sociedade.

Certamente, a fala do apresentador do Jornal Nacional tenha sentido, se realmente foi o tom que quis demonstrar. Amanhã haverá mais protestos e enfrentamentos. Perdem todos, sobretudo, a maioria (que forma a opinião pública) que não tem voz, e, poucas vezes o direito de se defender, mediante algumas instituições seletivas.

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Sobre Antonio S. Silva
Jornalista, mestre pela PUC/SP, doutor pela UnB e professor da (UFMT). Importante o diálogo para construir um país melhor.

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