Acabou a crise no Brasil

nodebate – Intrigante observar que a crise não seja apenas uma questão econômica, quando o assunto é Jornalismo. A bem pouco tempo nas manchetes dos grandes jornais sobravam denúncias de corrupção e falta de recursos nas nos cofres públicos brasileiros. As agências internacionais estavam sempre na iminência de descer o Brasil na escala de nação segura para investimento. Leu-se muito sobre BBB+, depois BBB-, BB+, etc., cujas bolsas davam repostas ao momento de incertezas nas contas do governo, com PIB em queda abrupta. O dólar que fez aumentar a cada dia, o comércio parou sem clientes com medo da política. Pasmem! Como mágica, isso já é passado!

Em essência, as notícias contra a política governamental deram lugar ao otimismo e confiança ao novo governo, do interino Michel Temer, do PMDB. O que se mostra é um apoio aberto das grandes redes de comunicação ao modelo que pretende pôr em prática o peemedebista, com as anunciadas propostas de privatização de empresas públicas, fim do concurso público, abertura econômica para os países de economia globalizada.

Neste sentido, vem a ruptura com o Mercosul (Mercado Comum do Sul), o distanciamento dos países da América Latina, considerando atrasados numa comparação ao desenvolvimento dos Estados Unidos e nações Europeias, como Alemanha, Inglaterra, França – o berço do neoliberalismo, o qual grupos econômicos defendem de maneira intransigente para o Brasil.

Importante notar que o Rio de Janeiro ganha destaque nos meios de comunicação, sobretudo no Jornalismo da Rede Globo, onde ocorre as Olimpíadas de 2016 (batendo às portas), um dos grandes espetáculos dos esportes, com grandiosos investimentos de transmissão e recursos de patrocinadores. No final, apertar-se o Estado no sentido de garantir evento com segurança e tranquilidade para um público mundial. Portanto, não é sem motivo o excesso de crises na Capital Fluminense no Jornalismo.

A crise não está mais em Brasília, mas na tradicional cidade maravilhosa, com reconhecimento pelas inúmeras diferenças sociais, assim, como no resto do Brasil – que agora anuncia falta de recursos e “decreta estado de calamidade”, durma-se.

Não é sem estranhamento compreender que o Estado, seja a união ou a federação faz parte de um patrimonialismo que não pertence simplesmente a ordem social, mas a sustentação de modelos econômicos e comportamento autorregulado – para o desenvolvimento – da sociedade.

A grande mídia brasileira mostra-se atenta, minuto a minuto, a ordem dos acontecimentos levada ao público em enquadramento dos problemas, para determinadas decisões, as quais servem a propósitos políticos. A sociedade revela-se atônita, respondendo positivamente aos apelos midiáticos e em outros instantes repudiando.

Para entender o final desta história é preciso aguardar o que os diretores separaram para apresentar neste roteiro. Contudo, a crise não acabou, o que parece evidente, mas se avoluma fora das câmaras das TVs e tintas do jornalismo tradicional. Um silêncio que assusta.

 

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Sobre Antonio S. Silva
Jornalista, mestre pela PUC/SP, doutor pela UnB e professor da (UFMT). Importante o diálogo para construir um país melhor.

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