O tempo do Jornalismo Político

https://i1.wp.com/imguol.com/c/entretenimento/5b/2016/11/11/william-bonner-foi-aos-estados-unidos-acompanhar-as-eleicoes-americanas-de-2016-1478893526782_615x300.jpgnodebate – Historicamente o consenso seria o de que  a prática de jornalismo estaria relacionado com o valor tempo, o negócio vantajoso seria publicar matéria com o menor tempo possível – entre narrativa e fato -, o que resultaria em eficiência. Alguns podem pensar que é um pensamento do senso comum. Evidentemente, que não, já se publicou livros reconhecidos nesta defesa e publicizados nos cursos de jornalismo. Evidentemente, que nas circunstâncias atuais, de novas tecnologias da informação, o tempo nem mesmo pode ser considerado real, mediante à sua momentaneamente na imprensa on-line. O Jornalismo passa por outros critérios, quando o assunto é qualidade.

O que aconteceu com os jornais brasileiros sobre a cobertura à corrida presidencial nos Estados Unidos, com um erro histórico do jornalismo, revela somente que estamos fora do tempo, pelo menos do leitor. A realidade ultrapassa a verdade, sugerindo um pós-tempo, a pós-realidade. Qualquer coisa vira fato, independentemente do tempo – a mídia sempre organizou o tempo – e qualquer ponto de vista é um ponto de vista consensual definido em redações.

O jornalismo brasileiro, nesta episódio, viu refletir sua imagem no modelo da grande mídia global e segue neste prisma, no entanto, deixou, desta vez, claro a dependência da editorialização dos grandes jornais e empresas de pesquisas, editorializadas, defendendo interesses políticas, sem observar o seu público e a política.

Portanto, está muito explícito a capacidade de manipulação dos fatos, sobretudo, quando estão distantes do olhar direto do leitor, como é o caso dos acontecimentos internacionais.

De agora em diante, possivelmente o público consumidor de jornalismo estará mais atento àqueles que querem a construção de shoppings de notícias, cujo objetivo é vender e definir cultura de consumo e ideais. O que não faltará, de agora em diante, por um bom tempo, será propaganda dos amigos formadores de opinião que servem aos donos dos shoppings, para quem prestam serviços, full times.

Sem dúvida, que sempre haverá o bom jornalismo,  fundamental para a sociedade para a formação de conhecimento e democracia. Cabe ao leitor observar com atenção.

Consenso midiático

Se as críticas sobre as mídias brasileiras são contundentes, devido ao excesso de partidarização de sua linha editorial, há ainda que se analisar a política elaborada pelas agências e mídias noticiosas internacionais.

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Como se poderá notar com um pouco de atenção, os jornais tradicionais e outras mídias conservadoras do Brasil reproduzem fielmente tais empresas, de modo que fica implícito sua participação neste consenso neoliberal.

A começar pela campanha no Brasil em favor da candidata à presidência dos EUA Hillary Clinton. Logo na sequência as matérias, sempre negativas, contra a política dos países latino-americanos que transitam fora do eixo EUA/Ásia/Europa.

Fato é que o consenso pode ser questionado, com consistência, no entanto, há uma hegemonia dos meios de comunicação noticiosos, com grande audiência e aceitação global que se mostram organizados sobremaneira em suas posições, de modo a estabelecer um discurso que se reproduz cotidianamente. Neste sentido, possível observar movimentos de mídias noticiosas, sobretudo on-line, na busca de disputar espaço na audiência nacionais e globais.

Contudo, os nossos jornais, em muitos momentos, apenas reverberam uma comunicação editorializada internacionalmente por jornais hegemônicos, que seguem uma linha de viés econômico, considerando ser o único caminho para se chegar ao desenvolvimento social, cultural e de esclarecimento de uma sociedade empobrecida.

Eis a globalização e a propaganda de convencimento para o novo modelo econômico mundial. Daí, pode se entender, a certeza de governos brasileiros em defender ideais que nem mesmo particularmente acreditam.

Resta saber como a população lida com esta exposição midiática, com filtro ou de maneira apenas passiva. Claro, ou faz disso instrumento, em conformidade com seu status quo, considerando os grupos sociais com sua capacidade de servir de modelo, nesta relação de convencimento, para toda uma sociedade.

Manobras no Jornalismo?

nodebate – Será que realmente houve tom de ameaça da Rede Globo na Voz de Willian Bonner, no Jornal Nacional, desta Quinta-feira(17)? Isso mesmo? Correto afirmar que o papel da imprensa é realmente esse, o de informar à população, quer dizer com a imparcialidade de apoio explícito às ações do Juiz Sérgio Moro? A rigor, a maior rede de televisão do Brasil está na oposição contra o governo, abertamente, como em tempos de guerra, envolvendo duas nações beligerantes, o nós e o eles? Verdade, “a imprensa cumpre o dever de informar … como assegura a constituição”. Ponto.

Algo realmente fora do lugar no Brasil, neste momento. O Jornalismo em rede se transformou em lugar de fazer política partidária, na defesa do que deveria ser democracia para haja participação pública na política, com capacidade de discutir questões pertinentes ao social. Como parece se comportar a Rede Globo, no Jornal Nacional, não leva a sociedade a se sentir como massa de manobra, quando expõe em excesso imagens negativas e positivas, se posicionando como agente político, para depois afirmar que é uma espécie de “cão de guarda” dos valores institucionais?

A rigor, devemos considerar que notícia ao ser veiculada não passou por seleção, sobretudo por uma hierarquia, que neste caso, se mostra rígida, com distribuição das imagens em vantagem para os movimentos de oposição ao governo, sem considerar os apoios e questionamentos. Quanto ao personagem da Globo, Bonner, está muito distante do papel de um jornalista-narrador de notícias,  se entendemos corretamente, ao ser enfático teatralmente na despedida, quando, depois de apontar para o governo, dizer pausadamente “Boa noite … e até amanhã”, com se afirmasse, continuaremos no mesmo tom, não cederemos às provações.

Tais atitudes podem, no final, provocar mais ódio em grupos inflamados, que chamados para o enfrentamento elevem ainda mais a crise política brasileira. Talvez seja esse mesmo o objetivo: o de criar constrangimentos e vantagens para os que defendem o impeachment, sem o devido processo de debate, forçando posicionamentos antecipados, a este propósito do grande público. Certamente, não é Jornalismo que se propõe desta maneira, diante de um Brasil polarizado. Não se trata da prisão ou não de uma autoridade, mas o sentimento de uma nação dirigida por organizações, que deveria zelar pela democracia, igualdade, com sentimento de sociedade.

Certamente, a fala do apresentador do Jornal Nacional tenha sentido, se realmente foi o tom que quis demonstrar. Amanhã haverá mais protestos e enfrentamentos. Perdem todos, sobretudo, a maioria (que forma a opinião pública) que não tem voz, e, poucas vezes o direito de se defender, mediante algumas instituições seletivas.

Governo da Argentina decide avançar na divisão do grupo Clarín

Clarín

Por cinco votos a dois, o conselho rejeitou o plano voluntário do grupo sobre Lei de Mídia argentina e decidiu avançar na divisão do conglomerado

El directorio de la AFSCA, en la reunión de esta tarde.

Por cinco votos a dois, a maioria do conselho de Kirchner decidiu hoje rejeitar o plano voluntariamente a lei Grupo Clarín adaptação mídia e comece a transferir escritório. Isso significa que iniciar uma adaptação “forçado”, onde o governo vai decidir qual mídia audiovisual levará o Grupo Clarín e para quem eles vão dar, dentro Sabbatella Martin, chefe da AFSCA, estima que poderia levar entre seis meses e um ano.

O conselho da Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual (AFSCA) visa escolher qual mídia vai vender o Grupo Clarín, por exemplo, entre o Canal 13 e Cablevision em Buenos Aires; Cablevision Canal 12 ou Córdoba. Também escolher entre 13 por Satélite, Voltar ou TN, entre outros sinais de conteúdo audiovisual. E pretende decidir quais 134 cidades que já não recebem televisão por cabo e Internet Cablevision / FiberTel.

Boechat é condenado por ofensas contra Requião

UOL

O jornalista da Band Ricardo BoechatOsny Tavares

O jornalista do Grupo Bandeirantes Ricardo Boechat foi condenado a seis meses e 16 dias de prisão por crime de calúnia contra o senador Roberto Requião (PMDB-PR). A sentença foi proferida pela 1ª Vara Criminal do Fórum Regional de Pinheiros, em São Paulo. A juíza Aparecida Angélica Correa converteu a pena para três meses de trabalho comunitário.

Boechat foi condenado por comentário feito no dia 11 de maio de 2011 na Rádio Band News, onde ancora o noticiário matinal. Após reportagem sobre o incidente em que o senador pemedebista tomou o gravador das mãos de um repórter, Boechat acusou o senador de corrupção e nepotismo.

O jornalista fez acusações sobre a atuação do irmão do senador como gestor do Porto de Paranaguá e afirmou que a aposentadoria que Requião recebe como ex-governador do Paraná era “um roubo”.

No mesmo comentário, Boechat disse que Requião o perseguia por atribuir a ele a divulgação de uma notícia que acusava o político paranaense de haver violentado uma menor, e tratou de esclarecer que jamais havia feito tal afirmação.

Após a sentença, Requião comentou a vitória judicial em comentário gravado enviado a emissoras de rádio e órgão de imprensa: “Eu sou absolutamente a favor da liberdade de imprensa, mas a irresponsabilidade de alguns jornalistas tem que ser questionada e as pessoas devem ir à juízo. A juíza acertadamente converteu a pena em trabalho social. Preso numa cadeia brasileira, Ricardo Boechat com certeza ficaria junto com pessoas piores que ele, e poderia sair pior que entrou”.

Requião também defendeu a inclusão do direito de resposta na legislação brasileira. Nesta quinta-feira (8), pouco após saber da decisão, disse em discurso no plenário do Senado que trocaria a condenação pelo direito de resposta.

Um projeto de autoria dele tramita na Câmara e prevê que pessoas ou organizações citadas na imprensa teriam o mesmo espaço no veículo de comunicação para se defender, caso comprovem judicialmente a inverdade ou ofensa.

A Band, por meio da assessoria de imprensa, informou que vai recorrer da decisão.

Ao Portal Imprensa, Boechat declarou que mantém as declarações sobre o senador “Me avisaram que tinha uma condenação e o jurídico da Band vai recorrer. Não tem muito o que comentar, mas não mudo uma vírgula daquilo que eu disse”, disse o jornalista.

Concentração da mídia gera debate no Peru

Folha de S. Paulo

A concentração de poder do grupo “El Comércio”, do Peru, levou o presidente Ollanta Humala e seus apoiadores a sugerir de novo a criação de uma lei de mídia nos moldes da Argentina e do Equador.

Em agosto, o conservador “Comércio” comprou o grupo Epensa e passou a controlar 78% do mercado. Desde então, governistas vêm pedindo a criação de órgãos de regulamentação.

Humala negou que isso possa ocorrer agora, mas se disse contra a operação, que um grupo de jornalistas tenta vetar na Justiça.

O debate contrapõe até o Prêmio Nobel Mario Vargas Llosa e seu filho, o também escritor Álvaro. O pai condena a concentração de poder do “Comércio”, enquanto o filho diz que é aplicação natural das regras do livre mercado. (SC)

Imprensa Vs Rede Social

Folha de S. Paulo

Mr. Obama não vai curtir

O faturamento crescente das empresas de internet e a crise do jornal de papel explicam a ofensiva da imprensa contra a nova concorrência

Uma “nova concorrência” parece deixar os jornais perplexos: as redes sociais e os buscadores.

A disputa da mídia impressa pelos leitores na internet tem sido um dos grandes desafios da indústria da comunicação. Como fazer jornalismo nesse meio e como distribuí-lo? Como implementar novas tecnologias? Qual é o conteúdo que o leitor deseja encontrar?

São perguntas de difíceis respostas, que demandam investimentos e criatividade. Mas, nesse campo, a despeito dos desafios lançados, os jogadores jogam de igual para igual.

As redes sociais ganharam forte adesão, especialmente no Brasil, e tornaram-se grandes difusoras de informações, a ponto de terem sido um dos meios mais utilizados por movimentos sociais na mobilização das recentes manifestações no país.

Ao mesmo tempo, com base nessa afluência e influência, essas empresas foram construindo estratégias comerciais de venda de publicidade. Com conteúdo, público, espaço qualificado e tecnologia, passaram a ser uma alternativa atraente de mídia publicitária.

Pesquisas mostram o crescimento do investimento publicitário na internet e o avanço dos portais, redes e buscadores sobre fatias dos demais meios. No primeiro bimestre deste ano, por exemplo, os anunciantes investiram mais na internet do que em revistas.

O faturamento nesse meio ainda é muito inferior ao dos jornais impressos, mas é crescente, enquanto que, para a imprensa de papel, o cenário é de crise.

Isso explica em grande parte a ofensiva que a imprensa vem fazendo contra a “nova concorrência”.

Entretanto, os jornais não assumem a discussão sob esse ângulo. Preferem questionar a seriedade com que as redes sociais protegem as informações dos usuários. Lançam suspeitas sobre o fornecimento dos dados a serviços de inteligência, atacam as políticas de uso. Criticam os usuários, chamando-os de “bobos” por produzirem conteúdo gratuito para as redes e disporem tantas informações pessoais.

Mas os jornais também estão nas redes, oferecem informação de graça e dispõem para os administradores das redes, também de graça, quem são seus seguidores, que notícias compartilham, como trafegam.

Os dados dos usuários parecem ser o grande achado das redes sociais. Pela atividade das pessoas, seus comentários, fotos de família, viagens, animais de estimação, festas e pratos preferidos, e “curtidas”, as redes detêm um conhecimento de seu público que nenhum jornal tem de seu leitor de internet –e que dificilmente terá.

As empresas jornalísticas não dispõem da mesma poderosa tecnologia das empresas de redes sociais, nem de recursos, nem mais de tempo para construir algo semelhante e enfrentar essa concorrência.

Além disso, o foco prioritário dos jornais é produzir conteúdo e veiculá-lo na tecnologia disponível ou na que pode ser desenvolvida para tal finalidade. Ao mesmo tempo, as redes sociais, também dentro do seu foco, estão em pleno desenvolvimento de ferramentas que vão refinar ainda mais o conhecimento dos seus usuários para os anunciantes.

É uma disputa desequilibrada pelas mesmas verbas publicitárias e um ponto de inflexão, que vai além da discussão do futuro da imprensa.

Essa fragilidade a que as empresas jornalísticas estão expostas, contudo, não é responsabilidade dos usuários das redes. A nós foram dados uma fantástica forma de estabelecer relacionamentos e um canal de expressão que nenhum meio de comunicação já pode proporcionar. As pessoas usam as redes conscientes da exposição a que se submetem voluntariamente.

Não parece sensato que mr. Obama tenha interesse nos nossos posts, nas nossas fotos. Quem tem interesse nisso está muito mais perto de nós. E os incomodados que se retirem.

SANDRA MURAKI, 52, jornalista, é coordenadora do Projor (Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo)/Observatório da Imprensa

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