‘Inocência’ no jornalismo

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nodebate – Possível dizer que jornalismo brasileiro está definitivamente entorpecido com o neoliberalismo, pelo menos em grande parte das empresas de comunicação comerciais (no Brasil, mas não somente), na defesa do governo dos EUA, como representante da América, com o sonho de manutenção de uma América Latina dependente perenemente, de modo a não observar com clareza o que envolve a crise política regional e global neste momento.

No âmbito regional basta observar a crise na Venezuela e na Argentina que passa pelo crivo do excesso de divulgação negativa do país venezuelano para a manutenção de um governo que vai se fazendo autoritário. O contrário ocorre que Maurício Macri que destrói o bem-estar social com abertura irresponsável de mercado, promovendo aumento do custo de vida dos argentinos, com elogios do jornalismo brasileiro e ‘colegas’ latino-americanos.

Na questão global, a rigor, há uma queda econômica evidente no império do Norte, que se arrasta por décadas, com eleição de presidente absoluto nas decisões radicais de direita, com aumento da desconfiança do resto do mundo.

Porém não podemos ser ingênuos, a estratégia do jornalismo brasileiro que acompanha a política global se revela uma estratégia de comunicação que visa definir o ponto exato para o qual os leitores devem olhar, com atenção, evitando a realidade política global mais abrangente.

A disputa com a Coreia do Norte, neste sentido, é apenas um símbolo de força, pois a pedra no caminho de Trump é a ameaça de China e Rússia ao capitalismo de tio Sam.

As potencias mundiais não duram para sempre – como quererem fazer crer, havendo historicamente mudanças do sistema social de maneira cíclica -, e por certo o mundo global de hoje não é o mesmo da década de 90, com modelos econômicos definidos à força por guardiãs do neoliberalismo ainda vigente, como FMI, Banco Mundial e grupos de mídias multinacionais.

Um leitor atento pode evitar a inocência provocada por discursos hegemônicos, mediante à manipulação por jornais atentos, com jornalistas impregnados pela força do status de pertencer a conglomerados de mídias.

No Brasil, vai se tornando uma realidade as disputas inclusive entre grupos de comunicação, que envolvem jornalistas que representam o establishment – inocentemente ou não – e os aqueles que se dizem defensores da democracia social – que se quer crer com profundidade de conhecimento – questionando a democracia capitalista do consumo e da meritocracia.

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A democracia das luzes

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nodebate – Algumas críticas às mídias se tornaram lugar comum, para dizer a verdade, usando desta estratégia, forma de defesa dos grupos empresariais, diante da repetição de que as empresas de comunicação se tornaram parte do jogo de poder, em sua defesa rotineira e incondicionalmente ao mercado e seu sistema de vida. Em contrapartida, com vedas nos olhos quando a questão é dialogar sobre os interesses coletivos, os dos próprios espectadores.

Concernente a isso, há pontos obscuros que valem a pena serem observados, os quais tornam-se mais importantes para um analista, o qual deseja ultrapassar o senso comum. Dois em especial, o uso da credibilidade do jornalista e os ataques à imagem de personalidades, nesta batalha pelo poder e verdade para a governabilidade da nação.

Seria, de fato, sem sucesso um veículo de comunicação dirigido inteiramente pelos donos da empresa. Imagine que todos os dias assistíssemos o jornal Nacional (Rede Globo), com apresentação e comentários de membros da família Marinho. O mesmo ocorre com o grupo Folha (Folha de S. Paulo), dirigido ideologicamente pelos Frias, com matérias assinadas por seus membros, de seu patriarcado. O mesmo ocorre com os Mesquitas (Jornal O Estado de S. Paulo) e Civita (Editora Abril, Revista Veja), nesta observação, apenas como exemplo.

A personificação aqui representaria uma visão de mundo conhecida, criticada conscientemente, porém estabelecida para ser aceita cotidianamente, e não seria sem razão a falta de popularidade que os empresários da comunicação merecem do público.

Neste sentido, ao invés da empresa e seus símbolos, ganha luz o jornalismo com suas assinaturas (nas matérias) amarradas com a coerência que se espera do profissional jornalista, que está mais próximo da realidade social. Alguém pode questionar a relação de poder entre a empresa e empregado, no entanto, não se pode ligá-los umbilicalmente, como se fosse uma mesma entidade. Se assim fosse não haveria o contrato entre o leitor e o produto, que se adquire pagando alguma mensalidade.

A fusão entre as prerrogativas empresariais, com suas ideologias, e a esperada liberdade e consciência do jornalista, contraditoriamente, põe a estrutura em pé, permitindo pensar no papel da comunicação e suas “diversas” ideologias, inclusive inserindo a visão de mundo do leitor.

O jornalista, portanto, efetiva-se na essência do jornalismo, sua relação com o cotidiano, do qual faz parte, lugar que está para pensar em posicionamentos sociais e democráticos, considerando diferentes pontos de vista sobre o mundo, especialmente da política.

Como estratégia, em contraposição, dos donos das empresas de comunicação, está a ordem da hierarquia, de modo que se definem pessoas com seus respectivos papeis, as quais o público vai desferir sua ojeriza, para tanto, existem muitas caras nas redes sociais. Figura implicadas como uma válvula de escape para defenestrar os fundamentais deste capitalismo da comunicação atrelado à nobre classe empresarial, da alta Society brasileira – com tentáculos lançados por grupos econômicos externos ao Brasil, na forma de uma casta global.

O jornalismo, portanto, está mais profundo, no subterrâneo de uma ideologia, no enfrentamento das multiplicidades de vozes de ideias, que sobram nas entrelinhas e no implícito dos jornalistas.

Obscurantismos

Num segundo ponto a destacar está a representação política, econômica e cultural brasileira, sobre a qual se revela estrategicamente as figuras que serão alvos de críticas permanentes, entre diferentes grupos que disputam o modelo social.

Portanto, quando se fala em política de concentração de renda e domínio econômico, logo vem à mente Michel Temer (governabilidade), Rodrigo Maia (Câmara Federal), Henrique Meirelles (economia) ou no caso de um governo que não deu certo para muitos, neste momento de decisão eleitoral e ideológica sistematizada está Dilma Rousseff (incompetência/social), Lula (populista/popular), etc.

No mundo político midiático as figuras desfilam em conveniência com este jogo de representação, ganhando status nas mídias como figuras heroicas ou emblemáticas – para manutenção no poder, ou seja, execração pública.

No fundo, os “homens” que ganham poder simbólico de representação, os quais são atacados, no final, conforme sua posição, escondem a verdadeira origem do poder e organização social.  Desta forma, os meios de comunicação lançam contra figuras expressivas da esquerda, de modo a desconstruir sua imagem popular, de modo a fazer implantar modelo que seja pertinente com sua classe, neste momento, o neoliberalismo – nesta linha vozes conservadores e intelectuais relacionados.

Enquanto isso, há um conjunto de “homens” e poderes estabelecidos na obscuridade, com mais competência e ação do que as expressivas figuras midiáticas, para o bem ou para o mal.

Por certo, a cada dia nos tornamos refém de figuras que detestamos, não por convicção, mas porque está na ordem do dia como antagonista de uma realidade que nos atinge. No entanto, defendemos o modelo do qual estas mesmas figuras fazem parte, paradoxalmente.

Seria mais ou menos assim, criticamos Michel Temer, mas quando se fala em política assistencialista somos contra, por entender que devemos defender a meritocracia, a qual também tem como defensor pessoas ligadas ao presidente da direita desenvolvimentista. Entendemos que o Jair Bolsonaro (PSL) seja um adequado presidente nestes tempos de violência urbana, mas tem-se a convicção de que os militares mataram pessoas inocentes em períodos da ditadura.

No final, está um jogo que se mostra confuso, mas que na realidade, trata-se apenas de mudança de foco, que faz parte das luzes midiáticas. O que parece importante observar com atenção é aquilo que não conseguimos enxergar por estes fachos das mediações, e por certo, decidem sobre democracia e justiça.

Por fim, as figuras detestáveis e amadas dependem das lideranças que as conduzem para as luzes. Nos tempos presentes do Brasil, o conservadorismo da tradicional pertencente à mídia tupiniquim esconde personalidades do poder e verdade propagados, nas sombras, e que se renovam na manutenção de marginalidade sociais e status quo. Na inocência ou dificuldade de observar convivemos diariamente, com fortes emoções, misérias, violência e marginalidades.

 

Notícias falsas na democracia

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nodebate – Nas últimas semanas uma tormenta de debates sobre as notícias falsas nas redes sociais, a chamadas fake News, que surgiram nas eleições dos Estados Unidos em 2016, chegou ao resto do mundo, como uma realidade. No Brasil, diante das disputas eleitorais que se aproximam, o assunto ganhou notoriedade, ao ponto de candidatos fazerem grandes investimentos em mídias digitais como estratégia de convencimento do público e desfazer as chamadas mentiras publicadas nas redes sociais. Cada vez mais comum, medir a capacidade de um candidato por sua capilaridade na internet, obtendo mais apoio para seus argumentos ou ideologia.

Esta discussão, no entanto, não está inteiramente esclarecida. Afinal, como analisar a fake news, considerando a amplitude das redes de computadores, com cada pessoa querendo construir suas ideias e posições? Talvez possa até mesmo compreender notícias falsas como mentiras publicadas, de modo estratégico para esvaziar (ou atacar) argumentos dos adversários. Uma questão que não se mostra uma novidade, nem pertencendo à modernidade. A questão, então que surge é compreender a definição de verdade propagada à opinião pública.

Ponto também controverso é a definição de argumentos consensuais, portanto, verdadeiros, em detrimento do pensamento do outro discordante, que, por isso, deve ser evitado para a manutenção do senso comum. No final, a comunicação nunca foi um lugar simples de observação. Pois, em alguma circunstância pode ser apenas enunciados para desconstruir o novo, com transformações de pensamento e posicionamentos políticos.

A disputa entre o jornalismo tradicional e as redes sociais vai se mostrando inócua, como um ponto de observação. Dificilmente haverá recuo da comunicação digital que se expande pelo mundo, formando uma única comunidade global, sem mesmo conviver com as barreiras das línguas, com traduções de páginas inteiras de publicações jornalísticas ou um simples comentário num clique.

Se algum tempo, não muito distante, foi possível seguir apenas alguns veículos de comunicação, capazes de revelar os acontecimentos e tomar posição sobre a realidade dos fatos, hoje os emissores se multiplicaram. Portanto, não se trata de alguns falando para muitos, mas de muitos falando para muitos. A verdade se revela mais complexa, portanto, em razão de um universo com muitas posições e informações equivocadas ou não, conforme o ângulo observado, até mesmo ante as diferenças culturais.

Pensando no jornalismo, os ingressantes na profissão defendem a chamada objetividade, ou seja, descrever apenas o fato em si, a exemplo de uma fotografia, retratando fielmente o objeto da imagem, cabendo ao público decidir, ao final, sua posição. Diferentemente disso, convivemos, diante de um amplo debate com uma sociedade que mais valoriza a subjetividade, pois é esta que está em disputa, não mais somente a objetividade jornalística, todavia substancialmente importante, mas não o suficiente para a formação de conhecimento.

As particularidades de argumentos competentes, como deve ser o caso do jornalismo, permitem dar suporte às afirmações, gerando novamente um ciclo de publicidade de nova ordem sistemática.

Neste sentido, os meios de comunicação ganham importância ao permitir que haja na sociedade conhecimento mais profundo nas diversas opiniões do meio em que se vive, sobretudo no campo político, de modo a evitar aquilo que se revela falso, comprometendo a ordem social, que exige qualidade de vida, democracia e igualdade.

Afinal, possível dizer que as disputas por argumentos nunca deixarão de existir. Hoje tem a ajuda de robôs que sistematizam a divulgação das  fake news, que certamente foram idealizadas por profissionais competentes, com a finalidade de atingir objetivos e ideologias. Ao longo da história humana poderiam ser chamadas de mentiras, ficção, manipulação, que incluem até livros de história, da literatura, enfim.

Contudo, a expansão do processo comunicativo parece causar pavor, considerando a multiplicidade de vozes, na definição de verdades para realidade em conflito. Uma eleição não se define pelas falsas notícias, sem passar pelo crivo do consenso social. A censura, por outro lado, ainda que dita bem-intencionada pode levar a hegemonia de ideias e não pluralidade de pontos de vista.

Revolução da Mídia brasileira

 

nodebate – Depois do impeachment de Dilma Rousseff(PT), quando, para a esquerda brasileira, se arquitetou o golpe e colapso da democracia, não haveria dúvida a necessidade de discussão sobre o papel da mídia nacional. Nesta análise está a ruptura institucional, com enquadramentos sucessivos no jornalismo de grande audiência, comercial, defendendo intransigentemente a troca do governo, pretensamente com política voltado para o social. O sentimento, em muitos momentos para os espectadores, seria de pura desilusão com os meios de comunicação, defendendo partidos políticos e formas de governo conservador e ultradireita. Chega de jornalismo, então, pressupõe.

Foto – Café na políticahttp://www.cafenapolitica.com.br/wp-content/uploads/2016/02/midia-prof-jm.jpg

 

A medida radical dos leitores faz sentido, diante de um esquema de visibilidade de informação ordenado previamente, antes dos acontecimentos, nas redações ou mesmo nas salas de reuniões empresariais. Portanto, para muitos, o projeto de mídia comercial que está posto no Brasil, não serve e deve ser substituído por outro, portanto, mais democrático. O ícone desta mudança passaria pelo Jornal Nacional da Rede Globo, da família Marinho.

No entanto, o jornalismo segue sua ordem. Se antes apresentou uma crise sem fim, agora, depois do impedimento de Dilma Rousseff e do PT, agora marginalizados do poder político, tudo cai nos eixos, a inflação se torna a menor dos tempos. Os sinais são de redução de preços nos supermercados e muito otimismo na população. Sem contar, as vozes de jornalistas bem pagos que defendem o projeto conservador aberta e explicitamente. O difícil é dizer se este processo é mesmo tranquilo nas redações, nas antessalas da imprensa. A negociação deve ser calorosa. Entende-se que não seja algo como fala e obedece.

Talvez mereça discussão, o fato de entender que estes meios de comunicação têm audiência, com público que apoia tais medidas jornalísticas de enquadramentos com postura de prioridade econômica e conservadora. A sociedade deve entender, está nesta relação de diálogo ou passaríamos a chamar as pessoas de qualquer coisa, menos capazes de pensar racionalmente. Não parece o caso.

A dúvida que paira é até quando este romance político perdurará entre o novo governo, de Michel Temer, jornalistas, porta-vozes políticos conservadores e empresários. Será mesmo que a figura do presidente é que importa? A comunicação se ordena somente na tela da Rede Globo e em alguma única residência brasileira privilegiada? Mas há um fato fundamental, sem os meios de comunicação não será possível pensar a sociedade. Criou-se, nos tempos atuais, uma grande dependência das mídias, sobretudo, para se informar. Por aqui passa a política brasileira. Uma boa aposta!

O que se espera é que algo novo surja com certa brevidade. Pelo caminhar da humanidade haverá sempre curvas à vista.

 

 

Jornalismo de partido

nodebate – Alguns intelectuais do jornalismo se manifestaram a respeito da imprensa partidarizar-se na definição de pautas, ou seja, seleção previamente dos assuntos que serão publicados; e, de que ângulo serão explorados. O Jornal Folha de São Paulo e “amigos” vêm exagerando nestas práticas em data específicas, como é o caso do impeachment, movimentos políticos na América Latina e eleições.
 
Talvez, para fazer justiça, não deixar o jornal paulista sozinho, a poderosa TV carioca, Rede Globo, usa a mesma estratégica, de maneira explícita, que em circunstância parece incomodar o próprio Jornalista na cobertura.
 
Como exemplo, basta observar as chamadas de capa do Jornal da Família Frias, com títulos que levam a partidarização, com defesa especialmente do PSDB – que dificilmente merece um destaque sobre questões negativas, como o mensalão mineiro e outros escândalos . No entanto, o partido está amparado pela própria mídia nas investidas contra o governo, que no final resulta na defesa de um modelo social, longe da distribuição de renda esperada historicamente pelos brasileiros.
 
No caso da Rede Globo, na semana anterior, numa pauta sobre as dificuldades dos candidatos nestas eleições municipais, no tocante a arrecadação de verbas para o pleito, diante da impossibilidade de obter recursos privados, a fonte do jornalista foi ninguém menos do que Gilmar Mendes. O ministro do STF que se prostrou contra a aprovação da medida no Supremo, pedido vistas do processo que guardou por mais de um ano sem condições de ir à votação entre os pares.
 
No final, se forma grupos de autoridades e jornalismo amigo, no sentido de organizar uma força-tarefa que visa interesses particulares, ainda que explorando recursos e bens públicos. Com a palavra os pensadores do Jornalismo no Brasil.

Futuro do jornalismo impresso em questão

Folha de S. Paulo

Executivos de jornais debatem em evento em SP desafios do setor

Os executivos das principais Redações brasileiras, reunidos pela conferência da Associação Internacional de Mídia Jornalística (Inma, na sigla em inglês), detalharam nesta quarta (23) os desafios que vêm enfrentando e as respostas buscadas.

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Marta Gleich, diretora de Redação do “Zero Hora”, citou, como “principal movimento até agora” no jornal gaúcho, o lançamento da “superedição de fim de semana”, reunindo as edições de sábado e domingo, com ganhos nos custos de logística, por exemplo, sem perda de leitores.

Chico Amaral, editor-executivo de “O Globo”, detalhou as mudanças de operação e da própria cultura da Redação neste “momento de transição”.

João Caminoto, diretor de Jornalismo de “O Estado de S. Paulo”, afirmou que já é possível chegar a algumas “certezas” no debate sobre os desafios dos jornais, mas restam muitas “incertezas”.

Entre as certezas, “o bom jornalismo continuará sendo o alicerce” e “o ramo é permeado de dogmas que inibem inovações”. Entre as incertezas, citou o modelo de negócios para o setor, ainda em discussão no mundo, e “o futuro do impresso”.

Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha, concentrou os desafios em cinco principais. O primeiro é identificar o que é crise conjuntural, da economia, e o que é crise estrutural, do próprio setor, para responder com as ações mais adequadas.

Outro é quanto ao tamanho das Redações, que vêm diminuindo. Uma das respostas para a redução, diz ele, é a busca de parcerias de qualidade. O terceiro desafio é a relação com as redes sociais, que precisa ser “mais igual”, não pode se restringir à troca de conteúdo por audiência.

Sobre o papel do jornalismo profissional num ambiente digital em que “tudo tem a mesma estridência, tudo é manchete”, defendeu priorizar seleção e curadoria.

O quinto e último desafio é modelo de negócios. Dávila diz que trazer mais receitas não é função direta da Redação, mas defendeu “diversificar e ampliar fontes baseadas em conteúdo”.

“EL PAÍS”

O diretor-adjunto do “El País”, David Alandete, relatou em seguida a transição por que passa a Redação do jornal espanhol, cada vez menos voltado ao impresso, a ponto de questionar a manutenção das edições em dias de semana, e mais às diversas plataformas digitais.

Afirmou que foram rompidos os limites estritos entre editorias, para acompanhar o andamento das próprias notícias, e que os correspondentes especializados permanecem atuantes, mas em suas casas ou em cobertura.

Sobre os profissionais mantidos na Redação da publicação espanhola, afirmou Alendete, “queremos que eles sejam flexíveis”. Ele destacou que os responsáveis pela edição impressa foram isolados da Redação, há dois anos, num processo que enfrentou resistência.

Disse por fim que o objetivo é “fazer aquilo em que sempre fomos bons”, jornalismo com profundidade, “apenas adaptado aos novos hábitos do leitor” (Folha de S. Paulo).

Acabou a crise no Brasil

nodebate – Intrigante observar que a crise não seja apenas uma questão econômica, quando o assunto é Jornalismo. A bem pouco tempo nas manchetes dos grandes jornais sobravam denúncias de corrupção e falta de recursos nas nos cofres públicos brasileiros. As agências internacionais estavam sempre na iminência de descer o Brasil na escala de nação segura para investimento. Leu-se muito sobre BBB+, depois BBB-, BB+, etc., cujas bolsas davam repostas ao momento de incertezas nas contas do governo, com PIB em queda abrupta. O dólar que fez aumentar a cada dia, o comércio parou sem clientes com medo da política. Pasmem! Como mágica, isso já é passado!

Em essência, as notícias contra a política governamental deram lugar ao otimismo e confiança ao novo governo, do interino Michel Temer, do PMDB. O que se mostra é um apoio aberto das grandes redes de comunicação ao modelo que pretende pôr em prática o peemedebista, com as anunciadas propostas de privatização de empresas públicas, fim do concurso público, abertura econômica para os países de economia globalizada.

Neste sentido, vem a ruptura com o Mercosul (Mercado Comum do Sul), o distanciamento dos países da América Latina, considerando atrasados numa comparação ao desenvolvimento dos Estados Unidos e nações Europeias, como Alemanha, Inglaterra, França – o berço do neoliberalismo, o qual grupos econômicos defendem de maneira intransigente para o Brasil.

Importante notar que o Rio de Janeiro ganha destaque nos meios de comunicação, sobretudo no Jornalismo da Rede Globo, onde ocorre as Olimpíadas de 2016 (batendo às portas), um dos grandes espetáculos dos esportes, com grandiosos investimentos de transmissão e recursos de patrocinadores. No final, apertar-se o Estado no sentido de garantir evento com segurança e tranquilidade para um público mundial. Portanto, não é sem motivo o excesso de crises na Capital Fluminense no Jornalismo.

A crise não está mais em Brasília, mas na tradicional cidade maravilhosa, com reconhecimento pelas inúmeras diferenças sociais, assim, como no resto do Brasil – que agora anuncia falta de recursos e “decreta estado de calamidade”, durma-se.

Não é sem estranhamento compreender que o Estado, seja a união ou a federação faz parte de um patrimonialismo que não pertence simplesmente a ordem social, mas a sustentação de modelos econômicos e comportamento autorregulado – para o desenvolvimento – da sociedade.

A grande mídia brasileira mostra-se atenta, minuto a minuto, a ordem dos acontecimentos levada ao público em enquadramento dos problemas, para determinadas decisões, as quais servem a propósitos políticos. A sociedade revela-se atônita, respondendo positivamente aos apelos midiáticos e em outros instantes repudiando.

Para entender o final desta história é preciso aguardar o que os diretores separaram para apresentar neste roteiro. Contudo, a crise não acabou, o que parece evidente, mas se avoluma fora das câmaras das TVs e tintas do jornalismo tradicional. Um silêncio que assusta.

 

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