Filme Aquarius provoca constrangimento a Temer

Folha de S. Paulo

Sob gritos de ‘Fora, Temer’, filme ‘Aquarius’ é ovacionado em Gramado

Resultado de imagem para imagem - aquariusO filme “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho, estreou no Festival de Gramado na noite desta sexta (26) sob estrondosos gritos de “Fora, Temer” vindos do público, e terminou ovacionado.

O ministro da Cultura do governo interino, Marcelo Calero se derramou em elogios ao filme.

“Gostei muito”, disse à Folha. “Para começar, porque a Sonia Braga fez um excelente trabalho. E Kleber Mendonça Filho demonstrou grande sensibilidade. O filme é um grande exemplo da qualidade do cinema brasileiro.”

Calero, que estava presente no começo da sessão, foi vaiado e ouviu do público gritos de “golpista” assim que as luzes se apagaram para o começo da cerimônia. Também ouviu: “Calero pelego” e “manda nudes”.

O ministro não quis comentar nem as vaias nem a classificação indicativa de impróprio para menores de 18 anos que “Aquarius” recebeu do Ministério da Justiça;

Estiveram na sessão Alfredo Bertini, secretário do Audiovisual, órgão, ligado ao ministério, e Marcos Petrucelli, crítico que integra a comissão criada pela pasta para definir qual filme irá representar o Brasil no Oscar.

O comitê é alvo de polêmicas no meio cinematográfico porque Petrucelli já usou suas redes sociais para depreciar o diretor Kleber Mendonça Filho, que tem em “Aquarius” um dos mais fortes concorrentes a levar a vaga do Brasil.

Petrucelli afirma que sua contrariedade a Mendonça Filho é estritamente política e não afeta seu trabalho na comissão que escolherá o representante brasileiro.

A comissão brasileira do Oscar negou partidarização na escolha da indicação do crítico. Alfredo Bertini, secretário do Audiovisual, disse que a polêmica é infundada e que a escolha de Petrucelli seguiu procedimento normal. “O processo de escolha teve transparência absoluta”, afirmou.

Leia matéria na íntegra

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Emissoras públicas declaram apoio à continuidade da TV Brasil

Agência Brasil/Edição: Fábio Massalli A Rede Nacional de Comunicação Pública, que reúne 16 emissoras públicas estaduais de TV, publicou uma nota pública manifestando apoio da entidade à continuidade da TV Brasil, emissora pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A decisão de escrever a nota foi tomada durante uma reunião mensal que as emissoras fazem para falar de programação e tratar da troca de conteúdos.

A EBC é uma empresa pública que, além da TV Brasil, é gestora da TV Brasil Internacional, daNBR, de oito emissoras de rádio, da Agência Brasil e da Radioagência.

A  Rede Nacional de Comunicação Pública diz que a “ameaça de suspensão da TV Brasil é gravíssima”. “A hipótese de descontinuidade da TV Brasil prejudicaria diretamente toda estrutura de comunicação pública no país, na medida em que boa parte da programação das emissoras regionais é fornecida dela”, diz a nota.

Segue a íntegra da nota pública da  Rede Nacional de Comunicação Pública

Por uma comunicação pública forte, comprometida com o cidadão e a democracia

Reunidas em Brasília, as emissoras públicas estaduais de TV que compõem a Rede Nacional de Comunicação Pública manifestam seu total apoio à continuidade da operação da TV Brasil, fundamental para o cumprimento do princípio de complementariedade de sistemas de televisão definido pela Constituição Federal. A ameaça de suspensão das atividades da TV Brasil é gravíssima. Configuraria um duro ataque à liberdade de imprensa e de expressão e uma violação a um dos direitos humanos fundamentais reconhecidos pelas Nações Unidas.

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC), nave-mãe da TV Brasil, da TV Brasil Internacional, da NBR, de oito emissoras de rádio e uma agência de notícias, foi inaugurada em 2007 com a missão de avançar na concretização dos artigos da Constituição relativos à comunicação –que seguem sem regulamentação, na sua quase totalidade, 28 anos depois de promulgada a Carta Magna.

A hipótese de descontinuidade da TV Brasil prejudicaria diretamente toda estrutura de comunicação pública no país, na medida em que boa parte da programação das emissoras regionais provém dela. Na prática, a rede pública de televisão é o único meio de circulação de informação gratuita qualificada sobre fatos ocorridos para além do eixo Rio-São Paulo, onde se concentram as grandes redes de TV comerciais. É por meio da rede pública, a partir da TV Brasil, que a sociedade brasileira enxerga melhor a diversidade de temas, personagens, realidades e culturas regionais –o que demarca com clareza os diferentes papéis da TV pública e da TV comercial.

Da mesma forma, é importante acentuar a distinção entre uma TV pública como a TV Brasil e um canal estatal –caso da NBR, responsável pela comunicação governamental do Poder Executivo Federal. Essenciais para a defesa de uma democracia saudável, TV Brasil e NBR precisam demarcar com cada vez mais clareza seus diferentes papéis, que serão melhor cumpridos quanto maior for a separação de estruturas. equipes e conteúdos.

A lei que cria a TV Brasil oferece também um importante mecanismo de fomento à radiodifusão pública, por meio da única fonte de financiamento existente para o setor. A Contribuição para o Fomento à Radiodifusão Pública precisa ser regulamentada urgentemente, para que se possa escoar os R$ 2,7 bilhões arrecadados desde 2009 entre as TVs e as rádios do campo público.

As emissoras abaixo assinadas reafirmam, portanto, a importância da preservação do caráter público da TV Brasil e do fortalecimento da Rede Nacional de Comunicação Pública, essenciais para a garantia dos direitos à informação, à comunicação e à liberdade de expressão. O que se constitui como instrumento indispensável para a afirmação de uma comunicação voltada aos interesses do cidadão, que contribua para a consolidação da jovem democracia brasileira.

TV Aldeia (Acre)
TV Antares (Piauí)
TV Aperipê (Sergipe)
TV Ceará
TV Cultura do Amazonas
TV Pernambuco
TV UFB (Paraíba)
TV UFSC
TV UFG (Goiás)
TV Universitária do Recife
TV Universitária (Rio Grande do Norte)
TVE Alagoas
TVE Bahia
TVE Tocantins
TVT (São Paulo)
Rede Minas

A civilização do espetáculo

O Popular

Selma Saddi

Na grande mídia nunca se viu falar tanto nas chamadas “celebridades”, que pouco ou quase nada têm de verdadeiramente notável. É o mundo do espetáculo, do jogo de cena, do esvaziamento intelectual. É a sopa geral da globalização

Gostei de dois livros do escritor peruano Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel em 2010. Mas há pouco me chegou às mãos um ensaio escrito por ele, no qual, com aguda lucidez, aborda o progressivo empobrecimento daquilo que se denomina cultura, sob o título A Civilização do Espetáculo. O frenético movimento das pessoas, sobretudo com as sofisticações tecnológicas, tem produzido substanciais modificações nos costumes. A transmissão de ideias ocorre de forma instantânea, por e-mail ou via redes sociais. O mundo se tornou mais integrado. As singularidades tendem a diminuir, cedendo lugar para a sopa geral da globalização.

Entendendo cultura como um conjunto de artes, saberes, celebrações, tradições, crenças, de um povo, penso que não há necessidade de hierarquizá-la. Uma manifestação cultural, no seu viés artístico, é tanto legítima num concerto da Filarmônica de Berlim quanto numa apresentação de maracatu, no interior pernambucano. Basta que seja autêntica, espontânea, honesta. Basta que venha a brotar a partir da força do indivíduo e de sua comunidade. A questão do refinamento, da técnica, da erudição, é outra variável, a ser considerada à parte.

Mas é facilmente perceptível que aos poucos o mero entretenimento toma espaço do que tradicionalmente se denomina cultura. Estamos atingindo um tempo em que a frivolidade, a banalidade são generalizadas. Em vez do indivíduo ser agente de cultura, se transmuta em consumidor, fulminado por um incessante bombardeio de linguagens diretas, estímulos visuais, que nada exigem dele, mero espectador.

O pensamento tem valor cada vez mais pueril na civilização do espetáculo. É o predomínio das imagens sobre as ideias, fazendo com que os meios audiovisuais (cinema, televisão, internet) deixem os livros para trás. O que interessa é a mera fantasia, com o mínimo de esforço intelectual, onde o indivíduo se comporta como objeto, entregando-se submisso à avalanche de emoções e sensações. Na civilização do espetáculo o que importa é a aparência, em detrimento do conteúdo. Os espectadores têm cada vez menos memória, pois são escravos das novidades, no afã de persegui-las como se suas vidas perdessem a razão na ausência delas. Vargas Llosa entende que a educação perde importância na transmissão de cultura à sociedade. O que se vê é uma espécie de “democratização” desse processo, sob o preço do empobrecimento cultural.

Significativo agente nesse fenômeno social é o incansável trabalho da publicidade, da propaganda, a serviço de uma indústria que põe como subalternos consumidores aqueles que poderiam ser sujeitos das próprias manifestações. Em vez da via “de dentro para fora”, vale o caminho inverso, ou seja, de “fora para dentro”, onde novos modismos são gerados e a massa acompanha em movimentos de manada.

Nada contra a inserção no mundo do consumo. Contudo, alguns chegam a cometer delitos para conseguir exibir os produtos da moda. Na grande mídia nunca se viu falar tanto nas chamadas “celebridades”, que pouco ou quase nada têm de verdadeiramente notável. É o mundo do espetáculo, do jogo de cena, do esvaziamento intelectual. É a sopa geral da globalização.

Salma Saddi é superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Goiás (Iphan Goiás)

Brasileiro com acesso à rede fica mais tempo na internet do que na TV

Folha de S. Paulo

O brasileiro tem pouco acesso à internet, mas quem o tem gasta mais tempo na rede do que aqueles que assistem TV. Apesar da baixa penetração, os jornais impressos são a fonte de informação mais confiável para a população

Os dados fazem parte de pesquisa realizada pelo Ibope a pedido da Secretaria de Comunicação da Presidência. O objetivo é ter uma melhor compreensão sobre os hábitos de uso de mídia pelos brasileiros e, assim, aumentar a visibilidade de ações e programas do governo federal.

Ao todo, 18.312 pessoas, foram entrevistadas em 848 municípios de todos os Estados e Distrito Federal. A pesquisa foi realizada entre os meses de outubro e novembro de 2013 e a margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos.

A intenção é avaliar os hábitos de consumo de mídia dos brasileiros a cada ano. O estudo é feito pelo Ibope, e, segundo a Secom, teve um custo de R$ 2,4 milhões. Pouco mais da metade dos brasileiros (53%) nunca acessa a internet, serviço que ainda é pouco difundido nos lares – 52% da população não têm internet em casa.

Entre os que acessam, o tempo médio de uso diário da rede durante a semana (segunda a sexta) é de 3h39min, dez minutos a mais do que o tempo gasto com televisão (3h29min) e mais expressivo que o dedicado ao rádio (3h07min).

A TV, entretanto, é uma unanimidade no território nacional: 97% dos brasileiros afirmam ver TV, 61% têm costume de ouvir rádio, 25% têm hábito de ler jornal impresso e 15% de ler revista impressa.

“Temos essa avaliação clara de que a internet é um espaço privilegiado onde a comunicação do governo tem que estar”, disse o ministro Thomas Traumann (Comunicação Social) nesta sexta-feira (7).

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Diante da tendência de crescimento da internet, o governo federal tem aumentado a participação da internet na distribuição de recursos de publicidade. Segundo o ministro, as despesas da Secom com publicidade na internet em 2011 representavam 8% do total.

Esse percentual subiu para 9,5% em 2012 e, 11,5% em 2013 e, neste ano, a previsão é de 15%. Traumann, no entanto, negou que haverá alterações na dinâmica de distribuição dessas verbas. Ao todo, a Secom gerencia quase R$ 2 bilhões anuais em verbas publicitárias do Executivo e estatais.

“A política de publicidade do governo já estava escrita e continua a mesma política que estava antes. Não tem nenhuma alteração em relação ao que o governo estava fazendo”, afirmou.

Uma das críticas do PT a sua antecessora, Helena Chagas, era de que ela defendia o predomínio de critérios técnicos de audiência para distribuir a verba federal – enquanto o partido pedia mais apoio à mídia regional e a sites alinhados ao Planalto.

“Os critérios [de distribuição de recursos] são os que já existem e que já estão sendo adotados pelo governo brasileiro desde 2008. São critérios técnicos, baseados em pesquisa de agências, de veiculação de rádio, de circulação, no caso de jornais e revistas. (…) Essa pesquisa vai basear estratégias para a atividade de comunicação para o futuro, ela não modifica o que estamos fazendo atualmente. Estamos falando de coisas diferentes”, afirmou Traumann.

CONFIABILIDADE

Embora não sejam os preferidos dos brasileiros, jornais impressos têm a maior confiabilidade quando se trata de material noticioso e publicidade. Notícias veiculadas por esses meios apresentam maior nível de confiança dos entrevistados (53% afirmam confiar sempre ou muitas vezes) em detrimento do rádio (50%), TV (49%) e sites (28%). Blogs (22%) apresentam o menor nível de confiança.

Os jornais também inspiram maior confiança quando se trata de veiculação de propagandas (47%). TV e rádio seguem empatadas logo depois (42%), seguidas por revistas impressas (36%) e blogs (19%).

“Todo o histórico de credibilidade do meio impresso continua sendo um referencial para as pessoas. A internet é muito mais acessada, porém o grau de confiabilidade ainda é relativamente muito mais baixo”, disse.

VOZ DO BRASIL

A pesquisa questionou ainda o conhecimento dos entrevistados sobre veículos públicos estatais. Em geral, o conhecimento da população é baixo sobre sites, programas de TV e rádio do governo federal.

O programa de rádio “Voz do Brasil” registrou maior percentual de conhecimento (68%), mas entre esses, 66% afirmam que, apesar de conhecê-lo, não ouvem o programa. Segundo a pesquisa, 21% da população conhece o programa “Café com a Presidenta” e 15% a coluna semanal “Conversa com a presidenta”.

Na internet, Portal Brasil (24%), o site do Planalto (18%) e o blog do Planalto (12%) também apresentam baixos índices. De acordo com a pesquisa, os sites mais visitados pelos brasileiros são Ministério da Educação (12,6%), Receita Federal (12,3%) e Fome Zero (6,4%).

“Temos que ter a humildade de entender que se alguns dos nossos veículos não estão conseguindo atingir o público que precisam atingir, [eles] têm que fazer suas correções de uso”, afirmou Traumann.

Visão crítica da mídia; para a liberdade de comunicação

FNDC

Direito à voz avança na América Latina

Via Blog do Miro

Por Cibelih Hespanhol, no sítio Outras Palavras:

A luta pela representação midiática da diversidade cultural, social, sexual, étnica, ideológica… enfim, da diversidade humana (que maravilhosamente se agita em todos nós) ganha corpo entre os sul-americanos. Conforme sua história e panorama atual, diferentes países da América Latina passam por processos de transformação das leis que regulam a comunicação social.No Brasil, uma jornada de palestras, ações culturais e coleta pública de assinaturas marcou a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação, em outubro. A data, já comemorada há mais de década no país, veio fortalecer a Lei de Mídia Democrática, de iniciativa popular – que já começa a coletar as 1,3 milhão de assinaturas de que necessita para ser votada na Câmara.

Na Argentina, a Suprema Corte acaba de decidir um impasse: declarou a constitucionalidade da Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual dia 29 de outubro. Aprovada em 2009, ela esteve suspensa devido aos recursos judiciais do Grupo Clarín, que questionava quatro artigos: o artigo 41, que fixa as condições de transferência de licenças; o 45, que as limita em número; o 48, que em um parágrafo nega a alegação de “direitos adquiridos” para o não cumprimento dos artigos anteriores; e 161, que estipula um prazo para que os grupos se adaptem à mudança.

Para Martín Becerra, doutor em comunicação de Barcelona, o próprio conflito entre governo argentino e Grupo Clarín foi o que impulsionou a legitimação da Lei de Meios. Em entrevista ao Opera Mundi, lembra que o Clarín manteve aliança com o governo Nestor Kirchner até o ano de 2008. Segundo ele, a ruptura foi necessária para que entrasse em pauta a democratização da comunicação no país: “quando eram aliados, o governo não impulsionava leis de meios”.

Com a aprovação definitiva da lei, o Clarín terá que se desfazer das 240 licenças de TV a cabo e 58% de abrangência, e chegar aos números impostos pela lei: 24 licenças de TV, 10 de rádio, e abrangência máxima de 35% do mercado. Na última segunda-feira, dia 4, o grupo apresentou uma proposta de adequação à lei, dividindo-se em seis unidades. A cada unidade serão, posteriormente, designadas as devidas concessões e transferências. A Autoridade Federal dos Serviços de Comunicação Audiovisual terá 120 dias para analisar a proposta de plano que, se aprovada, deverá entrar em vigor dentro de seis meses. Segundo a Afsca, um dos principais objetivos da lei é justamente impedir o monopólio de “gigantes ‘toma-tudo’, que não permitam que outros meios existam”.

A Lei de Meios argentina serviu de inspiração à construção da lei de outro país latino-americano: o Uruguai. Em 31 de julho deste ano, uma audiência pública analisou seis propostas para a TV digital no país, com transmissão online ao vivo. A nova lei procurou vincular à digitalização a distribuição igualitária das frequências: dos vinte canais disponíveis para a TV digital, 7 serão destinados a meios comunitários, outros 7 a comerciais e os restantes à televisão pública.

O decreto uruguaio se define pela máxima: “pela diversidade, evitando oligopólios”. E estabelece: “O total de assinaturas de empresas de televisão autorizadas a operar em todo o território nacional não pode ultrapassar 25% dos lares em todo o país”. Além disso, a lei preza a valorização da produção nacional e independente: 60% do conteúdo audiovisual deve ser produzido ou co-produzido nacionalmente, e 30% exibido por produtores independentes.

A ausência, no Uruguai, de um forte antagonismo entre o governo e uma única empresa midiática (como ocorre no Brasil, com a Rede Globo; e na Argentina, com o Grupo Clarín) poderia significar uma aceitação mais fácil das novas medidas. Mas, como toda mudança profunda, também lá ocorreu um antagonismo de ideias.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) critica a imprecisão da lei ao se referir às infrações e penas, e o que considera uma “excessiva regulamentação” por parte do governo. Já a organização Repórteres Sem Fronteiras se diz otimista e lamenta que “os opositores ao projeto estejam querendo confundir as coisas”.

Para o Comitê sobre a Liberdade de Expressão da Sociedade Interamericana de Imprensa, a lei é contraditória e sujeita a interpretações equivocadas. Frank La Rue, relator especial sobre o direito à liberdade de expressão da ONU, defende que a lei é um “grande passo para o Uruguai”, mas faz ressalvas quanto ao que considera uma atuação excessiva do Poder Executivo.

Até o final deste ano, o Senado deve votar o projeto. Se aprovado, será mais uma conquista de um país que demonstra, também em outras mudanças – como a legalização do aborto e da maconha –, estar cada vez mais sintonizado com a realidade.

No Brasil, o caso é outro: quem defende a diversificação dos meios é um movimento “de baixo para cima”, vindo da própria população – que já não se vê representada nos meios tradicionais. “A opinião pública se forma com base no conteúdo dos meios midiáticos”- lembra Ignácio Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique, ao falar da importância social da comunicação em vídeo divulgado pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação.

Por motivos óbvios, a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação não esteve nas principais emissoras de tevê do país. Mas está ao alcance de um clique, no site paraexpressaraliberdade.org.br. Informe-se, conscientize-se. E contribua para a aprovação de uma lei que quer garantir a todos o direito perdido à voz.

Clarín, conglomerado de comunicação da Argentina é pressionado pela justiça

Folha de S. Paulo

Governo notifica conglomerado de que tem 15 dias para aceitar processo de desmembramento dos seus ativos. Notificação é feita em operação de chefe de agência estatal na sede do grupo, após Justiça ter validado Lei de Mídia

LÍGIA MESQUITA

Menos de 48 horas após a Corte Suprema da Argentina ter declarado constitucional a Lei de Mídia do país, o governo de Cristina Kirchner realizou ontem uma operação no Clarín e deu ao conglomerado 15 dias para declarar que está ciente do início do processo de desmembramento de seus ativos e apresentar proposta própria.

Martín Sabatella, diretor da Afsca (Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual), a agência responsável pela aplicação da lei, foi à sede do grupo Clarín, em Buenos Aires, entregar uma notificação.

O documento também foi entregue na Rádio Mitre e no canal 13, ambos do Clarín.

Quando Sabatella chegou ao local, as portas estavam trancadas com cadeado e ele esperou cerca de 20 minutos para poder entrar. Uma hora depois, deixou a sede do Clarín e disse que estava ali para notificar o grupo da “adequação de ofício”.

O governo dá ao Clarín a possibilidade de apresentar um plano voluntário de desmembramento, mas Sabatella deixou claro que o processo seguirá independentemente da posição do grupo.

Passados os 15 dias, caso o Clarín não faça nenhuma proposta, a Afsca começará a fazer um inventário de todas as licenças do grupo, calculará um valor para cada e chamará os interessados em comprá-las para uma espécie de leilão. Segundo Sabatella, todo o processo deve demorar de seis meses a um ano.

Pela Lei de Mídia, o Clarín terá que se desfazer de algumas de suas várias licenças de TV e de rádio, já que a lei permite que um grupo possua 24 –e o Clarín seria dono, neste momento, de 158 no mercado de TV paga. Segundo a Afsca, essa quantidade chegaria a 264, apesar de a agência não ter nenhum estudo oficial sobre isso. O Clarín não informa quantas licenças de TV paga tem.

O grupo poderá optar por continuar dono da empresa de TV a cabo e internet Cablevisión e abrir mão de algumas emissoras de TV aberta.

‘ABERTAMENTE ILEGAL’

Por meio de um comunicado, o Clarín disse que a ação da Afsca é “abertamente ilegal”, já que o plano voluntário de “desinvestimento” havia sido suspenso enquanto a constitucionalidade da lei não era julgada pela Corte Suprema.

O grupo diz que a operação de ontem “desconhece a sentença da Justiça e ratifica que o governo está com a intenção de avançar contra as escassas vozes independentes que restam na Argentina”.

Ontem, o chefe de gabinete da Presidência, Juan Abal Medina, disse que a presidente Cristina Kirchner, que está de licença médica após realizar cirurgia na cabeça, foi informada da vitória do governo na briga com o Clarín. Segundo Medina, ela recebeu a notícia “com agrado”.

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