Consenso midiático

Se as críticas sobre as mídias brasileiras são contundentes, devido ao excesso de partidarização de sua linha editorial, há ainda que se analisar a política elaborada pelas agências e mídias noticiosas internacionais.

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Como se poderá notar com um pouco de atenção, os jornais tradicionais e outras mídias conservadoras do Brasil reproduzem fielmente tais empresas, de modo que fica implícito sua participação neste consenso neoliberal.

A começar pela campanha no Brasil em favor da candidata à presidência dos EUA Hillary Clinton. Logo na sequência as matérias, sempre negativas, contra a política dos países latino-americanos que transitam fora do eixo EUA/Ásia/Europa.

Fato é que o consenso pode ser questionado, com consistência, no entanto, há uma hegemonia dos meios de comunicação noticiosos, com grande audiência e aceitação global que se mostram organizados sobremaneira em suas posições, de modo a estabelecer um discurso que se reproduz cotidianamente. Neste sentido, possível observar movimentos de mídias noticiosas, sobretudo on-line, na busca de disputar espaço na audiência nacionais e globais.

Contudo, os nossos jornais, em muitos momentos, apenas reverberam uma comunicação editorializada internacionalmente por jornais hegemônicos, que seguem uma linha de viés econômico, considerando ser o único caminho para se chegar ao desenvolvimento social, cultural e de esclarecimento de uma sociedade empobrecida.

Eis a globalização e a propaganda de convencimento para o novo modelo econômico mundial. Daí, pode se entender, a certeza de governos brasileiros em defender ideais que nem mesmo particularmente acreditam.

Resta saber como a população lida com esta exposição midiática, com filtro ou de maneira apenas passiva. Claro, ou faz disso instrumento, em conformidade com seu status quo, considerando os grupos sociais com sua capacidade de servir de modelo, nesta relação de convencimento, para toda uma sociedade.

Acabou a crise no Brasil

nodebate – Intrigante observar que a crise não seja apenas uma questão econômica, quando o assunto é Jornalismo. A bem pouco tempo nas manchetes dos grandes jornais sobravam denúncias de corrupção e falta de recursos nas nos cofres públicos brasileiros. As agências internacionais estavam sempre na iminência de descer o Brasil na escala de nação segura para investimento. Leu-se muito sobre BBB+, depois BBB-, BB+, etc., cujas bolsas davam repostas ao momento de incertezas nas contas do governo, com PIB em queda abrupta. O dólar que fez aumentar a cada dia, o comércio parou sem clientes com medo da política. Pasmem! Como mágica, isso já é passado!

Em essência, as notícias contra a política governamental deram lugar ao otimismo e confiança ao novo governo, do interino Michel Temer, do PMDB. O que se mostra é um apoio aberto das grandes redes de comunicação ao modelo que pretende pôr em prática o peemedebista, com as anunciadas propostas de privatização de empresas públicas, fim do concurso público, abertura econômica para os países de economia globalizada.

Neste sentido, vem a ruptura com o Mercosul (Mercado Comum do Sul), o distanciamento dos países da América Latina, considerando atrasados numa comparação ao desenvolvimento dos Estados Unidos e nações Europeias, como Alemanha, Inglaterra, França – o berço do neoliberalismo, o qual grupos econômicos defendem de maneira intransigente para o Brasil.

Importante notar que o Rio de Janeiro ganha destaque nos meios de comunicação, sobretudo no Jornalismo da Rede Globo, onde ocorre as Olimpíadas de 2016 (batendo às portas), um dos grandes espetáculos dos esportes, com grandiosos investimentos de transmissão e recursos de patrocinadores. No final, apertar-se o Estado no sentido de garantir evento com segurança e tranquilidade para um público mundial. Portanto, não é sem motivo o excesso de crises na Capital Fluminense no Jornalismo.

A crise não está mais em Brasília, mas na tradicional cidade maravilhosa, com reconhecimento pelas inúmeras diferenças sociais, assim, como no resto do Brasil – que agora anuncia falta de recursos e “decreta estado de calamidade”, durma-se.

Não é sem estranhamento compreender que o Estado, seja a união ou a federação faz parte de um patrimonialismo que não pertence simplesmente a ordem social, mas a sustentação de modelos econômicos e comportamento autorregulado – para o desenvolvimento – da sociedade.

A grande mídia brasileira mostra-se atenta, minuto a minuto, a ordem dos acontecimentos levada ao público em enquadramento dos problemas, para determinadas decisões, as quais servem a propósitos políticos. A sociedade revela-se atônita, respondendo positivamente aos apelos midiáticos e em outros instantes repudiando.

Para entender o final desta história é preciso aguardar o que os diretores separaram para apresentar neste roteiro. Contudo, a crise não acabou, o que parece evidente, mas se avoluma fora das câmaras das TVs e tintas do jornalismo tradicional. Um silêncio que assusta.

 

Mais Jornalismo

nodebate – Assustadora a transformação da mídia tradicional brasileiro nas últimas semanas, com mais otimismo sobre a economia brasileira. Algo que não ocorria por anos a fio. Os cadernos de economia apontam saídas para a crise no Brasil, com crescimento, melhoria da qualidade de vida dos brasileiros, possibilidade de mais emprego, com uma Estado mais liberal e no caminho certo para o futuro, nas disputas globais.

Será mesmo que o cenário político e econômico mudou tanto assim, em tão pouco tempo? Não seria uma forma diferente de enquadramento da realidade? Ou mesmo informações mais centradas em “novos” personagens, mais “competentes”, daí a lógica da ordem e progresso? A olhos vistos, os novos atores são tucanos, dos bons tempos de FHC, na sua maioria, que ocupam cargos chaves na economia.

No final, a realidade pode ser a mesma, com novas subjetividades em decorrência de outra filosofia de Estado, mas dependente dos centros econômicos e desenvolvimentista. Pelo andar da carruagem, no entanto, a conta virá para a sociedade, de maneira socializada. Resta saber se haverá mais riquezas ou mais apertos; e, se realmente serão divididos, no final. Difícil de acreditar na divisão da riqueza, notoriamente, pela lógica histórica.

Não é difícil, no entanto, acreditar que precisamos de mais de Jornalismo.

Marco civil da internet: liberdade, neutralidade e privacidade

Congresso em Foco

Raphael Tsavkko Garcia*

O marco civil da internet vem sendo discutido ha anos pela sociedade civil e por ativistas. Sua função é a de servir como uma constituição da internet na garantia de nossos direitos tendo três pilares: neutralidade da rede, liberdade de expressão e privacidade.

Ao chegar ao Congresso, porém, o marco civil passou a ser mutilado por pressão de teles e empresas de TV (Telefônica, Oi, Vivo, Tim, Globo etc) que não concordam com diversos itens do projeto. Itens que, alterados ou suprimidos, podem maximizar seus lucros.

É do interesse destas empresas, em especial, atacar a neutralidade da rede, que nada mais é que nossa proteção contra a transformação da internet em um serviço de TV a cabo. Sem a neutralidade,  empresas como a Telefônica-Vivo podem cobrar um preço para que você acesse seus emails, mas exigir o dobro desse valor para que também acesse o Youtube e mais ainda para streaming (transmissões ao vivo) ou para downloads, ou seja, copiar um arquivo será algo para quem comprar este similar a o “pay per view” e não para todos.

É comum, para quem tem TV a cabo em seu pacote básico, esperar ansioso pela empresa liberar alguns canais “Premium” de tempos em tempos. O mesmo acontecerá com a internet. Iremos esperar, só com acesso aos nossos emails, pela oportunidade de um dia na semana ou em um mês específico poder assistir a um vídeo do Youtube, que é permitido apenas em um pacote mais caro que o nosso.

O objetivo das teles não é o de elitizar a internet, ainda que isto vá acontecer, mas o de maximizar seus lucros. Para redes de TV, é a oportunidade de ganhar novamente o público perdido que prefere o streaming, os downloads e mesmo assistir TV pela web. Isso sem falar na indústria do copyright, que conseguirá, desta forma, diminuir drasticamente os downloads de filmes e música pirata.

Sem a neutralidade da rede, dê adeus ao seu Spotify, ao Youtube, ao Netflix… Dê adeus ao Torrent e até mesmo aos jogos online. É possível ficar até sem o Facebook.

Imaginem que o Twitter resolve competir com o Facebook e fecha um acordo com os principais provedores brasileiros para que o acesso ao Twitter seja livre aos que têm o pacote básico, mas exija que o Facebook passe a ser “conteúdo premium”. Sim, é possível.

Possível e, de alguma maneira, acontece. Alguns clientes de telefonia celular têm acesso gratuito (sic), mesmo sem pacote de dados, ao Facebook. Oras, o Facebook paga a estas empresas para garantir o acesso livre dele e só dele. Sem a neutralidade da rede garantida por lei, a situação tende a piorar e o que parece um benefício (acessar uma rede social “de graça”) pode vir a significar o impedimento de acessar outras redes.

As teles ditarão como você irá acessar e o que irá acessar, além da quantidade de tempo e dados que terá direito. Já o preço será sempre o mais caro possível frente a uma péssima qualidade. Nisto não veremos diferença.

Globo futura R$ 11,5 bilhões, dez vezes mais que Record e SBT

Notícias de TV

Por DANIEL CASTRO

A TV Globo fechou 2013 com um faturamento recorde de R$ 11,5 bilhões, já descontadas as comissões e bonificações de agências de publicidade. O crescimento em relação a 2012 foi de 9,2%. Os números, obtidos com exclusividade pelo Notícias da TV, só serão divulgados em balanço oficial em março.

Essa receita é somente das emissoras próprias da família Marinho. Não incluem as afiliadas da rede, apenas a participação que a Globo tem pela veiculação de publicidade nacional nessas emissoras.

Com o resultado, a Globo deve ter faturado sozinha mais da metade de todas as emissoras de TV do país juntas, incluindo suas próprias afiliadas e as concorrentes. Até novembro, segundo o Projeto Inter-Meios, que monitora os investimentos publicitários, a televisão aberta tinha arrecadado R$ 19,370 bilhões. O dado final de 2013 ainda não saiu, mas no mercado se projeta algo em torno de R$ 21,5 bilhões.

O faturamento da Globo equivale a mais de dez vezes as receitas de SBT e Record em São Paulo, principal mercado do país. Uma outra comparação avassaladora: sozinha, a Globo fatura um terço do que todas as empresas de mídia do país arrecadam com publicidade, incluindo jornais, revistas, TV por assinatura, rádios e internet.

O crescimento da Globo foi em linha com o mercado de televisão. Até novembro, as TVs abertas tinham crescido 9,4%, de acordo com o Inter-Meios. Para este ano, a Globo projeta um crescimento de 6% a 8%, mesmo com a Copa do Mundo.

Concentração da mídia gera debate no Peru

Folha de S. Paulo

A concentração de poder do grupo “El Comércio”, do Peru, levou o presidente Ollanta Humala e seus apoiadores a sugerir de novo a criação de uma lei de mídia nos moldes da Argentina e do Equador.

Em agosto, o conservador “Comércio” comprou o grupo Epensa e passou a controlar 78% do mercado. Desde então, governistas vêm pedindo a criação de órgãos de regulamentação.

Humala negou que isso possa ocorrer agora, mas se disse contra a operação, que um grupo de jornalistas tenta vetar na Justiça.

O debate contrapõe até o Prêmio Nobel Mario Vargas Llosa e seu filho, o também escritor Álvaro. O pai condena a concentração de poder do “Comércio”, enquanto o filho diz que é aplicação natural das regras do livre mercado. (SC)

Sindicato pede cassação da concessão da RedeTV!

Folha de S. Paulo

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão no Estado de São Paulo enviou uma carta à presidente Dilma Rousseff, pedindo a cassação da concessão da RedeTV!.

Na carta, protocolada em Brasília, o órgão critica a administração da emissora e a renovação da concessão da RedeTV!, atribuindo ao canal uma série de irregularidades financeiras e trabalhistas.

A Constituição brasileira diz que a radiodifusão de sons (rádios) e de sons e imagens (canal de TV) é um serviço público que é prestado no regime de concessão, dada pelo governo federal.

Na carta, o sindicato acusa a RedeTV! de descontar dos empregados o INSS, sem repassar o montante aos cofres da Previdência Social. Diz ainda que os funcionários demitidos não conseguem receber o Fundo de Garantia nem a multa de 40% em cima das verbas rescisórias.

Procurada, a RedeTV! afirma que está absolutamente em dia com suas obrigações trabalhistas.

A rede afirma que o sindicato se refere ao depósito de Fundo de Garantia de funcionários da extinta TV Manchete, cuja concessão foi passada para a RedeTV!. A emissora diz que já venceu uma batalha na Justiça em que ficou determinado que ela não é sucessora das dívidas da Manchete.

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