Abril em dificuldades com produtos tradicionais negocia educação

Folha de S. Paulo

Grupo Abril estuda propostas por sua divisão de educação

Itaú BBA e BTG vão ajudar nas negociações; ações da companhia sobem 6,8% na Bolsa

Grupo_AbrilO Grupo Abril confirmou ontem que estuda propostas de investidores interessados pela sua divisão de educação e poderá repassar o controle do segmento.Segundo a empresa, os bancos Itaú BBA e BTG Pactual foram contratados para auxiliar nas negociações. O comunicado divulgado pela companhia ontem confirma informação do jornal “O Estado de S. Paulo”.

Com o anúncio, as ações do grupo subiram 6,8% na Bolsa de São Paulo. A Abril Educação tem origem nas editoras de livros e material didáticos Ática e Scipione, compradas pela companhia no fim dos anos 1990. O segmento se tornou independente em 2010, ano em que o grupo adquiriu o Anglo.

Além das editoras e da rede de ensino, a divisão conta hoje com as escolas de idioma Red Baloon e Wise-UP e cursos preparatórios. A empresa terminou o terceiro trimestre do ano passado com 570 mil alunos, receita líquida de R$ 178,4 milhões e um lucro de R$ 7,3 milhões.

Os negócios de educação passaram a ser uma fonte de receita complementar para o grupo em meio às dificuldades com os produtos tradicionais de mídia da companhia. Os negócios de mídia, distribuição e gráfica ficam concentrados na Abril S.A.

A agonia da Abril

Diário do Centro do Mundo

Paulo Nogueira

Ao contrário de outras crises da mídia impressa, desta vez o caso é terminal.

capa-revista-veja-1A comunidade jornalística está em estado de choque pela carnificina editorial ocorrida na Editora Abril.

Mas eis uma agonia anunciada.

Revistas – a mídia que fez a grandeza da Abril – estão tecnicamente mortas, assassinadas pela internet.

Os leitores somem em alta velocidade. Quando você vê alguém lendo revistas (ou jornal) num bar ou restaurante, repare na idade.

Jovens estão com seus celulares ou tablets conectados no noticiário em tempo real.

Perdidos os usuários, foi-se também a publicidade. Em países como Inglaterra e Estados Unidos, a mídia digital já deixou a mídia impressa muito para trás em faturamento publicitário.

E no Brasil, ainda que numa velocidade menor, o quadro é exatamente o mesmo. Que anunciante quer vincular sua marca a um produto obsoleto, consumido por pessoas “maduras”.

Apenas para lembrar, no mundo das revistas, nunca, em lugar nenhum, funcionou publicitariamente revista para o público “maduro”.

Sucessivas revistas para mulheres “de meia idade” em diversos países fracassaram à míngua de anúncios. O anunciante quer o jovem no auge do consumo. É um fato.

Crises as editoras de revistas enfrentaram muitas. Mas esta é diferente. Desta vez, o caso é terminal.

Antes, e eu vivi várias crises em meus anos de Abril, você sabia que uma hora a borrasca ia passar.

Agora, você olha para a frente e observa apenas o cemitério.

Sobrarão, no futuro, algumas revistas – mas poucas, e de circulação restrita porque serão um hábito quase tão extravagante quanto se movimentar em carruagem.

Na agonia, o que companhias como a Abril farão é seguir a cartilha clássica: tentar extrair o máximo de leite da vaca destinada a morrer.

Para isso, você enxuga as redações, corta os borderôs, piora o papel, diminui as páginas editoriais e, se possível, aumenta o preço.

É uma lógica que vale mesmo para títulos como Veja e Exame, os mais fortes da Abril. Foi demitido, por exemplo, o correspondente da Veja em Nova York, André Petry.

Grandes revistas da Abril, como a Quatro Rodas, passaram agora a não ter mais diretor de redação.

Em breve deixará de fazer sentido uma empresa que encolhe ficar num prédio como o que a Abril ocupa na Marginal do Pinheiros, cujo aluguel é calculado entre 1 e 2 milhões de reais por mês.

É inevitável, neste processo, que a empresa perca o poder de atrair talentos. Quem quer trabalhar num ramo em extinção?

Os funcionários mais ousados tratarão de sair, em busca de carreiras em setores que florescem.

Ao contrário de crises anteriores para a mídia impressa, esta é, simplesmente, terminal.

Corre o boato de que a empresa será vendida. Mas quem compra uma editora de revistas a esta altura? Recentemente, no Reino Unido, correu o boato de que o proprietário dos títulos Evening Standard e Independent estaria vendendo seus jornais. Numa entrevista, isso lhe foi perguntado por um jornalista. “Mas quem está comprando jornais?”, devolveu ele.

É um cenário desolador – e não só para a Abril como, de um modo geral, para toda a mídia tradicional, incluída a televisão.

A internet é uma mídia que se classifica como disruptora: ela simplesmente mata. O futuro da tevê está muito mais na Netflix ou no Youtube do que na Globo.

As empresas de mídia estão buscando alternativas para sobreviver. A News Corp, de Murdoch, separou recentemente suas divisões de entretenimento e de mídia, para que a segunda não contamine a primeira.

A própria Abril vai saindo das revistas e tentando um lugar ao sol na educação.

Mas escolas – supondo que a Abril supere o problema dramático de imagem da Veja, pois isso vai levar muitos pais a recusar dar a seus filhos uma educação suspeita de contaminação pela Veja – não dão prestígio e nem dinheiro como as revistas deram ao longo de tantos anos.

Isso quer dizer que a Abril luta pela vida. Mas uma vida muito menos influente e glamorosa do que a que teve sob Victor Civita, primeiro, e Roberto Civita, depois.

***

O jornalista Paulo Nogueira, baseado em Londres, é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Abril nega encerramento de publicação da Playboy

Estado de S. Paulo

A Editora Abril desmentiu oficialmente os boatos sobre o fim da edição brasileira da revista Playboy.

Nanda Costa, fotografada por Bob Wolfenson para a edição de agosto - Bob Wolfenson/Playboy

Informações sobre o fim da publicação surgiram durante o recente anúncio da reestruturação da editora, após a morte de Roberto Civita.

Em comunicado enviado ao Meio & Mensagem, publicação especializada em mídia e marketing, a editora garantiu que a revista continua a circular. A editora também divulgou uma foto do ensaio da atriz Nanda Costa, que será capa da edição de aniversário, nº 459. Fotos de bastidores do ensaio já haviam sido divulgadas.

O comunicado é assinado por Thais Chede, diretora geral de publicidade e da unidade de negócios Veja. A própria Playboy produziu uma página especial animada com fotos em seu site para desmentir os boatos.

No desmentido oficial, Thais afirma que “a mais tradicional das revistas masculinas seguirá em sua missão de oferecer aos seus milhares de leitores entrevistas reveladoras, reportagens inusitadas, e claro, mulheres lindas.”

O comunicado informa que a revista continua trabalhando na edição de agosto, que terá Nanda, a Morena da novela Salve Jorge, fotografada por Bob Wolfenson, em Cuba.

Triste realidade das revistas

Observatório da Imprensa

Por Mauro Malin em 08/06/2013

Circulação das revistas em queda

O Grupo Abril anunciou na sexta-feira (7/6) uma série de demissões. Segundo a publicação Meio & Mensagem, “cerca de 70 cargos, a maioria de executivos, foram cortados” (leia aqui). A Meio & Mensagem informa que a lista de “produtos a serem descontinuados” (passe a linguagem) será divulgada a partir de segunda-feira (10/6).

As decisões da empresa não têm relação aparente com a morte de Roberto Civita, em 26 de maio. São decisões tomadas diante da realidade dos fatos do mercado editorial e publicitário. De acordo com dados publicados pelo IVC, a situação das revistas do Grupo Abril não é confortável. Seu carro-chefe, a Veja, estacionou num patamar aquém de 1.100.000 exemplares. Na verdade, entre 2010 e 2012 a circulação média por edição da revista caiu 1,35% (de 1.086.200 para 1.071.500).

Entre 23 títulos da editora com circulação média acima de 100 mil exemplares, apenas cinco cresceram: Caras, Mundo EstranhoQuatro RodasTititi e Minha Novela. As demais 18 revistas situadas nesse patamar de tiragem ficaram estagnadas ou reduziram consideravelmente a circulação. Não há correlação necessária entre queda do faturamento e queda da circulação, porque medidas de economia podem ter sido tomadas a tempo de evitar prejuízos, mas o fato é que a participação das revistas no bolo nacional de publicidade cai ano a ano.

Os casos mais dramáticos da Abril, do ponto de vista da circulação (que se reflete no custo por mil dos anúncios, nove fora os descontos, às vezes monumentais), são os da Playboy (de 221,7 mil para 136,3 mil, perda equivalente a 38,52%), da Capricho (-30,2%), da Info Exame (-22,73%), da Nova Escola (-16,83%), da Exame (-16,1%) e da Superinteressante (-11,2%). Três importantes revistas femininas do grupo também perderam circulação: Claudia (-7,1%; trata-se de uma publicação que roda em torno de 400 mil exemplares), Nova (-9,1%; na faixa de 240 mil/218 mil) e AnaMaria (-9,5%, 229 mil/207 mil).

Editora Globo

Não é mais fácil a vida da Editora Globo. A Época caiu (sempre de 2010 a 2012, circulação média, segundo o IVC) de 408 mil para 389 mil (-4,5%), a Marie Claire, de 206,2 mil para 182,7 (-11,4%), e a Galileu, de 149 mil para 127 mil (-15%). Das demais revistas das Organizações Globo que tiram perto ou mais de 100 mil exemplares, Pequenas Empresas, Grandes Negócios está parada na faixa de 105 mil, Casa e Jardim aumentou de 120,2 mil para 124,4 (+ 3,5%) e AutoEsporte, de 103,9 mil para 109,7 mil (+ 5,6%). A revista Quem recuou de 110,3 mil para 83,2 mil (-24,5%).

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