A civilização do espetáculo

O Popular

Selma Saddi

Na grande mídia nunca se viu falar tanto nas chamadas “celebridades”, que pouco ou quase nada têm de verdadeiramente notável. É o mundo do espetáculo, do jogo de cena, do esvaziamento intelectual. É a sopa geral da globalização

Gostei de dois livros do escritor peruano Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel em 2010. Mas há pouco me chegou às mãos um ensaio escrito por ele, no qual, com aguda lucidez, aborda o progressivo empobrecimento daquilo que se denomina cultura, sob o título A Civilização do Espetáculo. O frenético movimento das pessoas, sobretudo com as sofisticações tecnológicas, tem produzido substanciais modificações nos costumes. A transmissão de ideias ocorre de forma instantânea, por e-mail ou via redes sociais. O mundo se tornou mais integrado. As singularidades tendem a diminuir, cedendo lugar para a sopa geral da globalização.

Entendendo cultura como um conjunto de artes, saberes, celebrações, tradições, crenças, de um povo, penso que não há necessidade de hierarquizá-la. Uma manifestação cultural, no seu viés artístico, é tanto legítima num concerto da Filarmônica de Berlim quanto numa apresentação de maracatu, no interior pernambucano. Basta que seja autêntica, espontânea, honesta. Basta que venha a brotar a partir da força do indivíduo e de sua comunidade. A questão do refinamento, da técnica, da erudição, é outra variável, a ser considerada à parte.

Mas é facilmente perceptível que aos poucos o mero entretenimento toma espaço do que tradicionalmente se denomina cultura. Estamos atingindo um tempo em que a frivolidade, a banalidade são generalizadas. Em vez do indivíduo ser agente de cultura, se transmuta em consumidor, fulminado por um incessante bombardeio de linguagens diretas, estímulos visuais, que nada exigem dele, mero espectador.

O pensamento tem valor cada vez mais pueril na civilização do espetáculo. É o predomínio das imagens sobre as ideias, fazendo com que os meios audiovisuais (cinema, televisão, internet) deixem os livros para trás. O que interessa é a mera fantasia, com o mínimo de esforço intelectual, onde o indivíduo se comporta como objeto, entregando-se submisso à avalanche de emoções e sensações. Na civilização do espetáculo o que importa é a aparência, em detrimento do conteúdo. Os espectadores têm cada vez menos memória, pois são escravos das novidades, no afã de persegui-las como se suas vidas perdessem a razão na ausência delas. Vargas Llosa entende que a educação perde importância na transmissão de cultura à sociedade. O que se vê é uma espécie de “democratização” desse processo, sob o preço do empobrecimento cultural.

Significativo agente nesse fenômeno social é o incansável trabalho da publicidade, da propaganda, a serviço de uma indústria que põe como subalternos consumidores aqueles que poderiam ser sujeitos das próprias manifestações. Em vez da via “de dentro para fora”, vale o caminho inverso, ou seja, de “fora para dentro”, onde novos modismos são gerados e a massa acompanha em movimentos de manada.

Nada contra a inserção no mundo do consumo. Contudo, alguns chegam a cometer delitos para conseguir exibir os produtos da moda. Na grande mídia nunca se viu falar tanto nas chamadas “celebridades”, que pouco ou quase nada têm de verdadeiramente notável. É o mundo do espetáculo, do jogo de cena, do esvaziamento intelectual. É a sopa geral da globalização.

Salma Saddi é superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Goiás (Iphan Goiás)

Abril em dificuldades com produtos tradicionais negocia educação

Folha de S. Paulo

Grupo Abril estuda propostas por sua divisão de educação

Itaú BBA e BTG vão ajudar nas negociações; ações da companhia sobem 6,8% na Bolsa

Grupo_AbrilO Grupo Abril confirmou ontem que estuda propostas de investidores interessados pela sua divisão de educação e poderá repassar o controle do segmento.Segundo a empresa, os bancos Itaú BBA e BTG Pactual foram contratados para auxiliar nas negociações. O comunicado divulgado pela companhia ontem confirma informação do jornal “O Estado de S. Paulo”.

Com o anúncio, as ações do grupo subiram 6,8% na Bolsa de São Paulo. A Abril Educação tem origem nas editoras de livros e material didáticos Ática e Scipione, compradas pela companhia no fim dos anos 1990. O segmento se tornou independente em 2010, ano em que o grupo adquiriu o Anglo.

Além das editoras e da rede de ensino, a divisão conta hoje com as escolas de idioma Red Baloon e Wise-UP e cursos preparatórios. A empresa terminou o terceiro trimestre do ano passado com 570 mil alunos, receita líquida de R$ 178,4 milhões e um lucro de R$ 7,3 milhões.

Os negócios de educação passaram a ser uma fonte de receita complementar para o grupo em meio às dificuldades com os produtos tradicionais de mídia da companhia. Os negócios de mídia, distribuição e gráfica ficam concentrados na Abril S.A.

Futuro do Jornalismo na rede

O que se percebe ainda é a dificuldade de se chegar a um denominador comum quando o assunto é jornalismo e internet. Mas todos reconhecem que os desafios são muitos, sobretudo das escolas de jornalismo e profissionais atuantes

Por Antonio Silva

Foto CA de Jornalismo PUC/GO – da esquerda para a direita: Antonio Silva (mediador); debatedores Honório Jacometto, Pablo Kossa e Bruno Hermano.

Em debate na Pontifícia Universidade Católica de Goiás em Congresso promovido pelos estudantes do Centro Acadêmico de Jornalismo, na terça-feira (28) deu mostras dos difíceis caminhos dos profissionais de imprensa com a amplitude das redes sociais. Um dos desafios que tira a noite de sono não somente dos jornalistas que atuam nos meios de comunicação, como também os intelectuais que pensam os currículos dos cursos de comunicação no Brasil. Talvez seja mesmo um tempo de crises, que visa adequação ao ingresso da imaterialidade da internet nas narrativas dos fatos.

A quantidade de informação que a cada dia chega à casa das pessoas vinda pelo mundo torna o planeta apenas uma pequena ilha, na qual se pode conversar com facilidade independentemente do lugar onde se está. A comunicação se faz instantânea sem considerar, portanto, tempo e lugar. Todos falando com todos, potencialmente. Se antes existiam alguns jornais, TVs e rádios, gerando mensagens informativas, na atualidade a rede se encarrega das trocas de mensagens, em grande parte. Sendo que para muitas delas a mídia tradicional leva semanas para ter conhecimento dos fatos.

Apesar de tudo isso surge questões importantes, afinal, há profundidade nas informações no jornalismo que adere ao modelo instantâneo da rede on-line – e mais a internet é acessível a todos no Brasil? Para o jornalista Pablo Kossa, do Jornal Diário da Manhã e da Rádio Interativa, não exatamente. O que é pior os jovens aderem às novas tecnologias para uma sociedade que pode se tornar o conhecimento apenas superficial. Não se pensa, afirma ele, em ler massudos livros do pensador comunistas Karl Marx, mas observar os fatos sociais com mais profundidade. Talvez não seja o que se vê na rede social.

As fontes se mostraram uma questão importante para o jornalista da TV Anhanguera, Honório Jacometto. Afinal, como inseri-las nas matérias, considerando a quantidade de pessoas que falam nas redes sociais? Como dinamizar as vozes das pessoas nas notícias, quando se está em campo? Não há dúvida que o critério tempo continua sendo importante, avalia Jacometto, afinal ainda é indispensável ter convicção da autoridade da fonte e checar com rigor as informações que são passadas para o telespectador. Como sugere, mesmo com a rede social, o jornalismo precisa se manter sua preocupação com a credibilidade. Mesmo porque, partir da informação publicada, existem contestações do público permanentemente.

O jornalista, editor chefe do site A Redação Bruno Hermano finalmente afirma que a internet e a rede social faz parte da sociedade e não é possível deixá-la de lado. As informações ganham novas dimensões nas apurações no jornalismo. A cada minuto serão atualizadas conforme o desenrolar dos fatos, aproximando-se da informação mais apurada. Sobre as fontes, avalia que há mais pessoas falando nas matérias, diferentemente das mídias tradicionais que repetem no dia a dia os seus personagens. As pessoas estão cansadas das mesmas fontes e afirmações,  o jornalismo na rede permite esta dinamicidade, fazendo entender mais pontos de vista sobre o mesmo fato, analisa.

No final, o que se percebe ainda é a dificuldade de se chegar a um denominador comum quando o assunto é jornalismo e internet. Mas todos reconhecem que os desafios são muitos, sobretudo das escolas de jornalismo e profissionais atuantes. Como estão sendo formados os novos profissionais e como estão atuando os jornalistas na mídia, com o rigor que exige a profissão ou há uma superficialidade com aqueles que se aventuram aos tempos modernos? O fato é que este é um tempo sem volta e os caminhos precisam ser trilhados.

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Parabéns aos futuros jornalistas da PUC/GO pelo Congresso Informe-se. Como se vê os jovens estudantes da área estão preocupados com o jornalismo nos tempos modernos e contribuem para a busca de soluções para a qualidade da informação, que tem a ver com política, educação, economia, etc.

Jornalista preguiçoso?

Ola Antonio, bom dia! Como vai?
Eu preciso de um favorzão precioso seu. To com um pauta para fazer cobrindo uma maravilhosa palestra que a Malu Longo, repórter do O Popular deu ontem na faculdade. Ela falou que na questão para contratar novos profissionais de jornalismo aqui em Goiás não tá fácil. Disse que a coisa tá crítica. Tão chegando gente na redação preguiçosa e sem iniciativa, diz ela.

Resposta:

Penso que os alunos de jornalismo estão sempre muito preocupados com o mercado. As faculdades particulares, sobretudo, mas as públicas também procuram atender o seu cliente, como se estivesse cumprindo sua missão. Na verdade a questão é outra, como formar bem os estudantes de jornalismo. Não é uma tarefa fácil, pois há muitas mudanças no sistema de comunicação global, com transformações locais. O jornalista hoje precisa ter mais conhecimento que anteriormente, decadas passadas, em virtude de quantidade de informações que chegam e precisam ser filtradas rapidamente – isto inclui conhecimento de história, sociologia, antropologia, ética, etc. Não basta escrever razoavelmente bem, saber o que é um lide e conhecer diagramação; é necessário que se saiba refletir, tem olhar que vai além da superfície dos fatos. O mercado é muito ingrato, ao mesmo tempo que quer um aluno que chegue para a redação com capacidade para fazer cobertura, de maneira técnica, exige um profissional capaz de aprofundar nas abordagens dos fatos. Ora. Ouvi muitas vezes a fala de alguns alunos de que “precisam trabalhar, inclusive para pagar o salário do professor”, por isso, não tinham condições de leitura mais elaboradas. Um engano, o professor deve ter como objetivo a formação do aluno seguindo alguns parâmetros de exigência, sem a qual não se forma, mas apenas oferece diploma. Um jogo para se manter com bom relacionamento com coordenadores medíocres e diretores voltados para o negócio, aprovando integralmente uma turma, que segue com sala cheio nos semestres seguintes. Na verdade comete equívocos na formação, no produto que oferece, ou melhor, vende. Se um médico precisa ser responsável, pois, pode matar o paciente se não possue conhecimentos indispensáveis, por que não ocorre a mesma coisa com o jornalista, que trata com mentes e corações. Não se vive somente pelo corpo, mas o homem é aquilo que ele pensa, sobremaneira. Neste sentido, o jornalista que leva conhecimento para seus leitores tem ampla responsabilidade, que começa na sala de aula. Claro que devemos analisar o interesse dos veículos de comunicação, que se isentam de suas responsabilidades e esperam um profissional passivo, mas competente. Deveriam valorizar os jornalistas, uma forma de incentivar a profissão. Os jornais exageram na exigência profissional, tentando resolver a falta de competência administrativa, muitas vezes. Há aqui um problema social, afinal, um país não vive sem mídias.

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