Chatôs do Brasil

nodebate – O filme “Chatô, O Rei do Brasil”, produzido pelo cineasta Guilherme Fontes, realmente é digno de elogio e respeito pela produção. O diretor conseguiu descrever uma personalidade enigmática, demonstrando as várias fases do maior empresário de comunicação do Brasil. Além do mais, traz para a película tiradas sobre a realidade política e cultural das mídias contemporâneas.

Necessário, no entanto, ressaltar o trabalho do jornalista Fernando Morais, que se esmerou em pesquisa que resultou na publicação do livro biográfico, o qual deu origem ao filme brasileiro.

Não há dúvida, parece dizer o diretor, que as críticas feitas a Chateaubriand podem ser direcionadas a outros donos dos meios de comunicação, sobretudo das mídias tradicionais brasileiras. O reconhecimento pela ousadia de produzir notícias, informações, mas que usa sem limites a manipulação para formação da opinião pública, sem ética, no sentido de organizar o poder em torno de interesses particulares.

Talvez seja mesmo mera semelhança sobre o caso impeachment, com grupos fortes de empresários da comunicação, reproduzindo, uma mesma linha de pensamento, em vários veículos, inclusive no interior do Brasil.

Efetivamente, não somente, pois nesta discussão está um modelo de Cultura midiática estabelecida para o Brasil, com uma dinâmica dos países “civilizados”, não os “primitivos contemporâneos” da América Latina. Por vezes pode ser um exagero, mas se tornou um estereótipo, que merece entendimento.

De fato, como fez questão de destacar, Guilherme Fontes, no seu filme, o estrangeirismo não ocorreu com Chateaubriand no comando de suas várias mídias. Isso em decorrência do seu nacionalismo e críticas aos Estados Unidos e afortunados antidemocráticos que atuam no Brasil.

Pela mídia entra e sai da história Getúlio Vargas; sai de cena Chateaubriand. Contudo, há os seus herdeiros no papel de algozes e vítimas, cuja dinâmica social se percebe na busca pelo poder, insistentemente.

Nova regra para banda larga avança nos EUA

Folha de S. Paulo

ISABEL FLECK DE NOVA YORK

Comissão aprova proposta que permite tratamento especial a empresa que pagar mais

A FCC (Comissão Federal de Comunicações) dos EUA aprovou o avanço da proposta que permite a provedores de banda larga fornecer tratamento especial a empresas que pagarem mais para que o seu conteúdo trafegue com velocidade ou qualidade superiores na web.

Aprovado por 3 votos a 2, o texto, contudo, proíbe que os servidores bloqueiem ou deixem sites de determinados conteúdos mais lentos.

A proposta será aberta a consulta pública pelos próximos quatro meses. As regras foram amplamente criticadas por empresas como Google, Facebook e Microsoft.

Jornalismo tradicional cede ao on-line

Folha de S. Paulo

‘Newsweek’ é vendida a editora digital

A revista semanal de informação “Newsweek”, uma das mais importantes dos EUA, foi comprada pela empresa digital de notícias International Business Times (IBT) Media, segundo a imprensa americana.

“Acreditamos na marca Newsweek’ e esperamos fortalecê-la, totalmente transformada na era digital”, disse Etienne Uzac, diretor-executivo da IBT Media. O preço da operação não foi revelado.

A “Newsweek”, propriedade desde 1961 da editora do jornal “The Washington Post”, tinha sido vendida em novembro de 2010 pelo número simbólico de US$ 1 e se fundiu então com a empresa de informação on-line “The Daily Beast”.

Em janeiro, a revista passou a ser publicada só na internet, após quase 80 anos de história impressa, desde seu lançamento, em fevereiro de 1933.

A revista digital agora é bancada por assinaturas e está disponível para leitores eletrônicos e tablets, e também na web.

A marca estava à venda desde maio deste ano.

Waack na blogosfera como informante dos EUA no Brasil

Jornal do Brasil

Wikileaks: William Waack, da Globo, é citado três vezes como informante dos EUA
Jorge Lourenço

O jornalista William Waack, da Rede Globo, se tornou um dos assuntos mais discutidos no Twitter nesta quinta-feira graças a supostos documentos da Wikileaks que o apontariam como informante do governo americano. Apesar de vagas e desencontradas, algumas informações são verdadeiras. O Informe JB  entrou em contato com a jornalista Natalia Viana, responsável pela Wikileaks no Brasil, que confirmou a história. Waack é citado não apenas uma, mas três vezes em reuniões com funcionários da Embaixada Americana. Dois dos documentos que o citam são considerados “confidenciais”.

Consulta sobre as eleições

Um dos arquivos é sobre a visita de um porta-aviões dos Estados Unidos em maio de 2008. Na ocasião, a Embaixada Americana classificou como positiva a repercussão na mídia do evento, citando William Waack diretamente por ter ajudado a mostrar o lado positivo das relações do Brasil com os Estados Unidos em reportagens para o jornal “O Globo”. Os outros dois documentos são sobre informações repassadas por Waack a representantes americanos sobre as eleições presidenciais do ano passado.

Documento relata reunião na qual Waack dá detalhes sobre os presidenciáveis em fevereiro
Documento relata reunião na qual Waack dá detalhes sobre os presidenciáveis em fevereiro

Dilma incoerente

Em um encontro informal, o jornalista da Rede Globo reportou aos americanos em fevereiro de 2010 que um fórum econômico em São Paulo deixou as seguintes impressões sobre os possíveis candidatos à presidência: Ciro Gomes era o mais preparado, Serra era “claramente competente” e Dilma era… incoerente.

William Waack errou previsão sobre união de Aécio Neves com José Serra
William Waack errou previsão sobre união de Aécio Neves com José Serra

Bola fora

Em agosto de 2009, novamente Waack manteve contatos com funcionários americanos, mas passou uma informação errada. Ele apontou que Serra e Aécio Neves já haviam selado a paz para uma candidatura a presidente e vice, respectivamente, no ano seguinte. A profecia, como todos sabem, não se confirmou. Aécio tentou encabeçar a candidatura tucana à presidência, mas acabou tentando o Senado por Minas Gerais.

Espionagem – presidentes das grandes redes de internet sumiram e CPI pode ser instalada

Telesíntese

Google e Microsoft não comparecem a audiência e deputados já falam em CPI

Deputados da Comissão de Defesa do Consumidor ficaram irritados, pois queriam ouvir os executivos sobre as denúncias de espionagem

Os deputados da Comissão de Defesa do Consumidor se irritaram com ausência de presidentes das empresas Google e Microsoft em audiência pública marcada para esta quarta-feira (17). Fábio Coelho, da Google, e Michel Levy, da Microsoft, foram convidados para esclarecer sobre problemas recentes ligados à política de privacidade das empresas, às ferramentas de busca e, sobretudo, às denúncias de espionagem de dados telefônicos e de e-mail de brasileiros feita pelos Estados Unidos.

O requerimento de audiência partiu do próprio presidente da comissão, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), e foi comunicado às duas empresas no dia 10. A secretaria da comissão, no entanto, foi informada de que a direção da Microsoft estaria passando por um momento de transição, enquanto que o presidente da Google teria entrado em férias. A audiência desta quarta foi cancelada, mas Araújo garantiu que a Câmara não vai desistir de apurar as denúncias.

“É muita coincidência essas férias do presidente da Google. A Google não respeita as instituições brasileiras e temos que tomar uma providência em relação a essa empresa, já que há denúncias de que eles estão espionando os dados do povo brasileiro”, afirmou. Ele defendeu que a versão da empresa deve ser ouvida e a situação requer uma decisão rápida. “Talvez vamos ter que transformar isso em uma CPI para apurar o caso, porque é uma coisa muito grave”, afirmou Araújo.

O Senado já aprovou uma CPI para investigar as recentes denúncias de espionagem norte-americana. Ainda assim, o deputado José Carlos Araújo defende que a Câmara faça o mesmo ou que busque uma investigação conjunta com os senadores, por meio de uma CPI mista.

EUA tiveram colaboração direta da Microsoft para espiar Hotmail, Outlook e Skype

Opera Mundi

Em réplica, empresa norte-americana insistiu que só revela dados de usuários “em resposta às demandas do governo”

A Microsoft permitiu à NSA (Agência de Segurança Nacional, na sigla em inglês) interceptar a comunicação de seus usuários e ajudou a organização a burlar a sua própria criptografia, segundo revelou nesta quinta-feira (11/07) o jornal The Guardian, com base em documentos secretos fornecidos pelo ex-consultor da CIA Edward Snowden.

Os documentos denunciam que a Microsoft ajudou a NSA a quebrar os códigos do novo portal Outlook, uma vez que a agência não estava conseguindo interceptar as conversas realizadas através dele. A NSA já tinha acesso à fase pré-criptografada dos e-mails tanto do Outlook quanto do Hotmail.

Além disso, a empresa de Bill Gates trabalhou com o FBI no início do ano para facilitar o acesso da NSA ao SkyDrive, serviço de armazenamento que permite ao usuário hospedar qualquer tipo de arquivo e já conta com mais de 250 milhões de adeptos no mundo.

O Skype, comprado pela Microsoft em 2011, também cooperou com agências de inteligência no último ano para permitir que o programa de espionagem Prism coletasse vídeos e áudios de conversas.

Todo o material obtido a partir do Prism é concedido pela NSA tanto ao FBI quanto à CIA, sendo que um dos documentos da agência se refere ao programa como um “esporte de equipe”.

A Microsoft deu uma declaração dizendo: “Quando nós melhoramos ou atualizamos os produtos, não estamos imunes à necessidade de cumprir exigências legais do momento ou do futuro”. A empresa insistiu que só fornece dados de usuários “em resposta às demandas do governo” e que cumprem essas ordens apenas quando são relativas a “contas ou usuários específicos”.

 

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Denúncias de espionagem nos governos de FHC

Correio do Brasil/Carta Maior

FHC contratou empresa que participa de programa-espião dos EUA para mapear o Brasil

 

Maluf

FHC, que já fez aliança com o deputado Paulo Maluf (PP-SP), deu por encerrado assunto relativo à foto de Lula

No governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), a Booz-Allen, na qual trabalhava o espião Edward Snowden, foi responsável por consultorias estratégicas contratadas pela esfera federal. Incluem-se aí o “Brasil em Ação” (primeiro governo FHC) e o “Avança Brasil” (segundo governo FHC), entre outras, como as dos programas de privatização (saneamento foi uma delas) e a da reestruturação do sistema financeiro nacional.

A reação imediata do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) às denúncias de que os EUA mantiveram uma base de espionagem no país, durante o seu governo, suscitou interrogações e recomenda providências às autoridades do país. Dificilmente elas serão contempladas sem uma decisão soberana do Legislativo brasileiro, para instalação de uma CPI que vasculhe os porões de sigilo e dissimulação no qual o assunto pode morrer.

“Entre as inúmeras qualidades do ex-presidente, uma não é o amor à soberania nacional”, sublinha a matéria publicada, nesta quarta-feira, na agência brasileira de notícias Carta Maior.

“Avulta, assim, a marca defensiva da nota emitida por ele no Facebook, dia 8, horas depois de o jornal ‘O Globo‘ ter divulgado que, pelo menos até 2002, Brasília sediou uma das estações de espionagem nas quais funcionários da NSA e agentes da CIA trabalharam em conjunto.

‘Nunca soube de espionagem da CIA em meu governo, mesmo porque só poderia saber se ela fosse feita com o conhecimento do próprio governo, o que não foi o caso. De outro modo, se atividades deste tipo existiram, foram feitas, como em toda espionagem, à margem da lei. Cabe ao governo brasileiro, apurada a denúncia, protestar formalmente pela invasão de soberania e impedir que a violação de direitos ocorra…”, defendeu-se Fernando Henrique.

O jornal afirma ter tido acesso a documentos da NSA, vazados pelo ex-agente Edward Snowden, que trabalhou como especialista em informática para a CIA durante quatro anos, nos quais fica evidenciado que a capital federal integrava um pool formado por 16 bases da espionagem para coleta de dados de uma rede mundial. Outro conjunto de documentos, segundo o mesmo jornal, com data mais recente (setembro de 2010), traria indícios de que a embaixada brasileira em Washington e a missão do país junto às Nações Unidas, em Nova York, teriam sido grampeadas em algum momento.

Espionagem e grampos não constituíram propriamente um ponto fora da curva na gestão do ex-presidente. Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do BNDES, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity – que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende.

O próprio FHC foi gravado , autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. Em outro emaranhado de fios, em 1997, gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor da emenda da reeleição, que permitiria o segundo mandato a FHC. Então, como agora, o tucano assegurou que desconhecia totalmente o caso, que ficou conhecido como ‘a compra da reeleição’.

As sombras do passado e as do presente recomendam a instalação de uma CPI como a medida cautelar mais adequada para enfrentar o jogo pesado de interesses que tentará blindar o acesso do país ao que existe do lado de dentro da porta entreaberta pelo espião Snowden. O PT tem a obrigação de tomar a iniciativa de convoca-la.

 

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