Globo vai a Goiânia atrás de audiência

Folha de S. Paulo

Primeiros capítulos incluem cidades de Goiás, numa tentativa de melhorar o mau desempenho da emissora no Estado. Próxima novela das nove pode ser a última de Manoel Carlos; autor diz que vai passar a escrever minisséries

 

ISABELLE MOREIRA LIMA

Novela de Manoel Carlos é sinônimo de Leblon, bairro nobre da zona sul do Rio de Janeiro. Mas, desta vez, outro cenário deve abrir a nova trama das 21h da Globo: Goiás. A novela tem início na cidade fictícia de Esperança, onde Helena viverá sua infância. Foram feitas gravações em locações do município de Goiás e na capital, Goiânia.

Assim como a escalação das atrizes, a escolha das cidades é estratégica para a Globo, que enfrenta na capital goiana sua pior audiência.

“Temos o enorme desafio de fazer com que as pessoas assistam à TV aqui”, disse o diretor-geral Leonardo Nogueira antes de gravar cenas com Bruna Marquezine.

Já Manoel Carlos diz que a história começa fora do Rio porque precisava de um cenário “rico, mas que mantivesse os costumes regionais”. Na vida adulta, Helena sairá de lá e viverá no Leblon.

A Folha assistiu a gravações da novela na capital goiana. Na primeira, a vida real da cidade quase interferiu na “vida real” que a novela tentava reproduzir.

Gabriel Braga Nunes (Laerte) e Helena Ranaldi (Verônica) faziam sua primeira cena em um parque, onde adolescentes fantasiados de fantasmas e zumbis cobertos de sangue falso comemoravam o Dia das Bruxas.

Horas mais tarde, no centro, Helena (Bruna Marquezine) vivia seu romance juvenil na saída de um baile de formatura, ao lado do primo, vivido por Guilherme Leicam.

A cena, que se passa nos anos 1990, era composta por figurantes com longos vaporosos e penteados extravagantes, além de Opalas e Chevettes estacionados.

A novela será dividida em três fases que se passam nos anos 1980 e 1990 e em 2014. Além de Goiás e do Rio, Viena será cenário.

A cidade foi escolhida, diz o diretor Jayme Monjardim, “por ser musical”, uma vez que a novela conta com ao menos quatro músicos entre os personagens principais.

Mas Monjardim afirma que nenhum desses elementos deve ser a principal marca da obra: “Nada fala mais alto nas novelas do Maneco [Manoel Carlos] do que o próprio Maneco. O desafio é não atrapalhar o texto dele.”

O autor diz que essa será sua última novela. Esse anúncio já fora feito há dez anos, quando ele lançou “Mulheres Apaixonadas” (2003). “Cheguei aos 80 anos e prefiro parar enquanto me julgo ainda capaz de encarar essa empreitada”, afirma.

Ele diz, no entanto, que não está se aposentando: quer escrever minisséries e pode ainda experimentar o formato dos seriados.

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Jornalista preguiçoso?

Ola Antonio, bom dia! Como vai?
Eu preciso de um favorzão precioso seu. To com um pauta para fazer cobrindo uma maravilhosa palestra que a Malu Longo, repórter do O Popular deu ontem na faculdade. Ela falou que na questão para contratar novos profissionais de jornalismo aqui em Goiás não tá fácil. Disse que a coisa tá crítica. Tão chegando gente na redação preguiçosa e sem iniciativa, diz ela.

Resposta:

Penso que os alunos de jornalismo estão sempre muito preocupados com o mercado. As faculdades particulares, sobretudo, mas as públicas também procuram atender o seu cliente, como se estivesse cumprindo sua missão. Na verdade a questão é outra, como formar bem os estudantes de jornalismo. Não é uma tarefa fácil, pois há muitas mudanças no sistema de comunicação global, com transformações locais. O jornalista hoje precisa ter mais conhecimento que anteriormente, decadas passadas, em virtude de quantidade de informações que chegam e precisam ser filtradas rapidamente – isto inclui conhecimento de história, sociologia, antropologia, ética, etc. Não basta escrever razoavelmente bem, saber o que é um lide e conhecer diagramação; é necessário que se saiba refletir, tem olhar que vai além da superfície dos fatos. O mercado é muito ingrato, ao mesmo tempo que quer um aluno que chegue para a redação com capacidade para fazer cobertura, de maneira técnica, exige um profissional capaz de aprofundar nas abordagens dos fatos. Ora. Ouvi muitas vezes a fala de alguns alunos de que “precisam trabalhar, inclusive para pagar o salário do professor”, por isso, não tinham condições de leitura mais elaboradas. Um engano, o professor deve ter como objetivo a formação do aluno seguindo alguns parâmetros de exigência, sem a qual não se forma, mas apenas oferece diploma. Um jogo para se manter com bom relacionamento com coordenadores medíocres e diretores voltados para o negócio, aprovando integralmente uma turma, que segue com sala cheio nos semestres seguintes. Na verdade comete equívocos na formação, no produto que oferece, ou melhor, vende. Se um médico precisa ser responsável, pois, pode matar o paciente se não possue conhecimentos indispensáveis, por que não ocorre a mesma coisa com o jornalista, que trata com mentes e corações. Não se vive somente pelo corpo, mas o homem é aquilo que ele pensa, sobremaneira. Neste sentido, o jornalista que leva conhecimento para seus leitores tem ampla responsabilidade, que começa na sala de aula. Claro que devemos analisar o interesse dos veículos de comunicação, que se isentam de suas responsabilidades e esperam um profissional passivo, mas competente. Deveriam valorizar os jornalistas, uma forma de incentivar a profissão. Os jornais exageram na exigência profissional, tentando resolver a falta de competência administrativa, muitas vezes. Há aqui um problema social, afinal, um país não vive sem mídias.

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