Fechar o cerco na rede

Folha/Ombudsman

SUZANA SINGER

 

Em nova medida para estimular assinaturas digitais, Folha proíbe copiar e colar textos, o que irrita leitores

 

A Folha está aumentando o cerco ao seu conteúdo na internet. A medida mais recente foi proibir a quem não é assinante o “copiar e colar”. Não dá mais para reproduzir um texto (ou trecho dele) para mandar a um amigo por e-mail, para compartilhar no Facebook ou para incluir em um trabalho de escola.

Quem tenta copiar e colar se depara com o seguinte aviso: “Textos, fotos, artes e vídeos da Folha estão protegidos pela legislação brasileira sobre direito autoral. Não reproduza o conteúdo do jornal em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização (…) As regras têm como objetivo proteger o investimento que a Folha faz na qualidade de seu jornalismo”.

Para compartilhar um texto, o internauta pode indicar o link -quem se interessar acessa o site do jornal, o que faz crescer a audiência.

A nova medida aumentou a irritação dos leitores on-line. “Não consegui espargir um belíssimo texto de Reinaldo Azevedo. Essa proibição prejudica a própria divulgação da Folha. Você seleciona um artigo, envia para vários amigos, que passam a outros usuários e assim por diante”, reclamou Camilo Viana, 83, administrador aposentado.

O empresário Adriano Claret, 37, queria mandar um trecho da coluna de Elio Gaspari para a sua mãe, mas foi bloqueado. “É tão bizarro quanto colocar ‘folhespiões’ em bares e, se alguém comentar uma notícia que viu no jornal, o ‘folhespião’ tapa a boca da pessoa e exige que ela clique no texto no celular em vez de contá-la”, argumenta.

O veto ao “copy paste” é só mais um na série de medidas que a Folha vem tomando para estimular os internautas a assinar o jornal.

Em 2012, foi instalado o “paywall”, sistema que permite uma breve navegação gratuita (20 textos por mês). Depois, no ano passado, houve a restrição nos comentários: só os assinantes podem opinar livremente sobre reportagens e colunas -os demais têm um limite.

Cobrar pelo noticiário on-line é uma das saídas encontradas pelos impressos para compensar perdas de circulação e de publicidade. O efeito colateral é não aproveitar bem a possibilidade que a internet dá de se espalhar o conteúdo e, consequentemente, a marca.

A aposta inicial foi que a grande audiência nos sites atrairia tanta publicidade que não seria necessário cobrar nada do leitor, como faz a TV aberta, mas não foi isso o que aconteceu. Boa parte da verba de propaganda desembocou no Google, no Facebook & cia. e a situação econômica dos jornais ficou difícil.

Agora, resta o papel antipático -e, para alguns, antidemocrático, porque diminui o alcance do debate- de colocar uma catraca no acesso aos textos on-line. À Redação cabe convencer, com um conteúdo realmente de qualidade, o internauta a passar pela roleta.

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Globo testa canal pago, com programação na rede

Folha de S. Paulo

KEILA JIMENEZ

Globo debate programação e testa canal pago na web

Fazer fóruns de debates sobre programação e colocar todo o conteúdo da emissora na internet, pouco tempo depois de ir ao ar na TV. Esses são alguns dos caminhos trilhados na Globo na gestão Carlos Henrique Schroder, diretor-geral da rede.

Schroder criou cinco pequenos fóruns de debate na emissora, grupos de profissionais que discutem os rumos e novas ideias em seriados, variedades, humor, novos formatos e novelas.

Compostos por oito integrantes, entre autores e diretores, os fóruns têm como objetivo a reflexão sobre o que está sendo produzido no canal e a busca pelo o que público gostaria de ver, passando pela experimentação.

“O grupo de novelas está sendo formado e vamos discutir o tamanho das obras, tamanho de elenco, tempo dos capítulos, o que pode ser mudado”, diz Schroder.

Outra aposta do diretor é o Globo TV Mais, sistema em teste em Minas Gerais, que disponibiliza toda a programação do canal na internet, cerca de três horas depois de ir ao ar na TV, por uma assinatura mensal de R$ 12,90.

“Estamos testando para estender para todo o país”, diz Schroder. “Se der certo, teremos de escolher entre esse modelo e o do Globo.com, que leva os programas à internet um dia após eles serem exibidos na TV.”

Confiança na mídia impressa

Carta Capital

Brasileiro com acesso à rede fica mais tempo na internet do que na TV

Folha de S. Paulo

O brasileiro tem pouco acesso à internet, mas quem o tem gasta mais tempo na rede do que aqueles que assistem TV. Apesar da baixa penetração, os jornais impressos são a fonte de informação mais confiável para a população

Os dados fazem parte de pesquisa realizada pelo Ibope a pedido da Secretaria de Comunicação da Presidência. O objetivo é ter uma melhor compreensão sobre os hábitos de uso de mídia pelos brasileiros e, assim, aumentar a visibilidade de ações e programas do governo federal.

Ao todo, 18.312 pessoas, foram entrevistadas em 848 municípios de todos os Estados e Distrito Federal. A pesquisa foi realizada entre os meses de outubro e novembro de 2013 e a margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos.

A intenção é avaliar os hábitos de consumo de mídia dos brasileiros a cada ano. O estudo é feito pelo Ibope, e, segundo a Secom, teve um custo de R$ 2,4 milhões. Pouco mais da metade dos brasileiros (53%) nunca acessa a internet, serviço que ainda é pouco difundido nos lares – 52% da população não têm internet em casa.

Entre os que acessam, o tempo médio de uso diário da rede durante a semana (segunda a sexta) é de 3h39min, dez minutos a mais do que o tempo gasto com televisão (3h29min) e mais expressivo que o dedicado ao rádio (3h07min).

A TV, entretanto, é uma unanimidade no território nacional: 97% dos brasileiros afirmam ver TV, 61% têm costume de ouvir rádio, 25% têm hábito de ler jornal impresso e 15% de ler revista impressa.

“Temos essa avaliação clara de que a internet é um espaço privilegiado onde a comunicação do governo tem que estar”, disse o ministro Thomas Traumann (Comunicação Social) nesta sexta-feira (7).

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Diante da tendência de crescimento da internet, o governo federal tem aumentado a participação da internet na distribuição de recursos de publicidade. Segundo o ministro, as despesas da Secom com publicidade na internet em 2011 representavam 8% do total.

Esse percentual subiu para 9,5% em 2012 e, 11,5% em 2013 e, neste ano, a previsão é de 15%. Traumann, no entanto, negou que haverá alterações na dinâmica de distribuição dessas verbas. Ao todo, a Secom gerencia quase R$ 2 bilhões anuais em verbas publicitárias do Executivo e estatais.

“A política de publicidade do governo já estava escrita e continua a mesma política que estava antes. Não tem nenhuma alteração em relação ao que o governo estava fazendo”, afirmou.

Uma das críticas do PT a sua antecessora, Helena Chagas, era de que ela defendia o predomínio de critérios técnicos de audiência para distribuir a verba federal – enquanto o partido pedia mais apoio à mídia regional e a sites alinhados ao Planalto.

“Os critérios [de distribuição de recursos] são os que já existem e que já estão sendo adotados pelo governo brasileiro desde 2008. São critérios técnicos, baseados em pesquisa de agências, de veiculação de rádio, de circulação, no caso de jornais e revistas. (…) Essa pesquisa vai basear estratégias para a atividade de comunicação para o futuro, ela não modifica o que estamos fazendo atualmente. Estamos falando de coisas diferentes”, afirmou Traumann.

CONFIABILIDADE

Embora não sejam os preferidos dos brasileiros, jornais impressos têm a maior confiabilidade quando se trata de material noticioso e publicidade. Notícias veiculadas por esses meios apresentam maior nível de confiança dos entrevistados (53% afirmam confiar sempre ou muitas vezes) em detrimento do rádio (50%), TV (49%) e sites (28%). Blogs (22%) apresentam o menor nível de confiança.

Os jornais também inspiram maior confiança quando se trata de veiculação de propagandas (47%). TV e rádio seguem empatadas logo depois (42%), seguidas por revistas impressas (36%) e blogs (19%).

“Todo o histórico de credibilidade do meio impresso continua sendo um referencial para as pessoas. A internet é muito mais acessada, porém o grau de confiabilidade ainda é relativamente muito mais baixo”, disse.

VOZ DO BRASIL

A pesquisa questionou ainda o conhecimento dos entrevistados sobre veículos públicos estatais. Em geral, o conhecimento da população é baixo sobre sites, programas de TV e rádio do governo federal.

O programa de rádio “Voz do Brasil” registrou maior percentual de conhecimento (68%), mas entre esses, 66% afirmam que, apesar de conhecê-lo, não ouvem o programa. Segundo a pesquisa, 21% da população conhece o programa “Café com a Presidenta” e 15% a coluna semanal “Conversa com a presidenta”.

Na internet, Portal Brasil (24%), o site do Planalto (18%) e o blog do Planalto (12%) também apresentam baixos índices. De acordo com a pesquisa, os sites mais visitados pelos brasileiros são Ministério da Educação (12,6%), Receita Federal (12,3%) e Fome Zero (6,4%).

“Temos que ter a humildade de entender que se alguns dos nossos veículos não estão conseguindo atingir o público que precisam atingir, [eles] têm que fazer suas correções de uso”, afirmou Traumann.

Um novo Marco para a Internet

Gustavo Lima/ Câmara dos Deputados
Lobby bilionário das operadoras de telefonia e bancada do PMDB são os principais entraves para a aprovação do Marco Civil da Internet na Câmara dos deputados

Por Bruno Pavan

Tramitando desde 2009 na Câmara dos Deputados, a votação do projeto do Marco Civil da Internet foi adiada novamente na semana passada. Encarada como prioridade pelo governo federal, o projeto continuará trancando a pauta da Casa até depois do carnaval.

O Marco, uma espécie de “legislação da internet”, reúne pontos centrais como a garantia de liberdade de expressão, proteção de dados do usuário e a neutralidade da rede, e define algumas regras que terão que ser respeitadas por usuários e, principalmente, empresas de telefonia.

Muito elogiado por inúmeros especialistas nacionais e internacionais, o Marco é considerado um passo a frente que dará direitos aos mais de 100 milhões de usuários da rede mundial de computadores no Brasil.

“Ele garante que a internet siga livre e aberta para todos e impede que grandes corporações mudem o papel da internet no Brasil. Ele não é um projeto fechado, foi construído juntamente com setores da sociedade civil para que a web continue gerando novos conteúdos e se reinventando”, explicou o Conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) Sergio Amadeu.

O governo federal colocou urgência no projeto após as denúncias de Edward Snowden de que a Agência Americana de Segurança (NSA) espionava países pelo mundo. O problema foi levantado pela presidenta Dilma Rousseff na abertura de 68ª Conferência Mundial da ONU que defendeu o estabelecimento de um Marco multilateral para a governança e uso da internet entre os países.

Outros projetos de lei já buscavam colocar regras na internet. A “lei Carolina Dieckman” que transformou em crime a invasão de computadores e outros dispositivos eletrônicos é um dos mais famosos.

O mais antigo e polêmico é o projeto de lei nº 84 de 1999 do então senador Eduardo Azeredo (PSDB – MG). Ele obrigava os provedores a guardar dados de internautas e tornava crime o compartilhamento de arquivos pela internet. “O marco vai na contramão do que a Lei Azeredo pregava”, disse Amadeu.

A luta na Câmara

Há pelo menos 15 dias, a votação do projeto, que tranca a pauta da Câmara, está sendo adiada. Os maiores responsáveis pelo impasse são os parlamentares do PMDB, entre eles, o líder do partido na Casa, Eduardo Cunha (RN) e o lobby das empresas de telecomunicações.

“Essa indústria movimenta bilhões de reais e age diretamente no financiamento de várias campanhas. A Dilma pede urgência no pedido de votação, mas o principal articulador dela com o PMDB é o Eduardo Cunha, o maior crítico do projeto. Outro grande opositor é o próprio ministro Paulo Bernardo que recebeu prêmios das empresas como o maior ministro das Comunicações que o Brasil já teve”, analisou Amadeu.

Com um faturamento total de R$ 26 bilhões em 2013, as operadoras de telefonia e internet também figuram entre as campeãs em reclamações no estado de São Paulo de acordo com o Procon. Elas são contra a artigo 9º do projeto que reza que as operadoras de serviço “têm o dever de tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados sem distinção por conteúdo, origem, destino, serviço terminal ou aplicativo.”

Pedro Ekman, coordenador do Intervozes, explica melhor o que muda no acesso do usuário com a aprovação do Marco Civil. “São as operadoras, que detêm os cabos de fibra ótica, que nos ligam à internet, e elas não vão poder manipular esse sinal. O acesso gratuito ao Facebook é um caso típico: eles entram num acordo financeiro para que ele não seja tarifado. Mas podem pedagiar o acesso ao Netfl ix ou ao WhattsApp, por exemplo. Com o Marco eles não vão poder administrar a velocidade de acordo com o serviço, vai ser tudo igual”, esclareceu.

A estratégia das operadoras, de acordo com Sergio Amadeu, é vender um discurso que aproxime seus interesses dos mais pobres, o que não é verdade.

“O que estão querendo passar para a opinião pública é que eles usam essa manipulação nas informações para dar desconto em serviços. Eles conseguem um acesso grátis aqui e acolá com algumas empresas e sites. O que eles querem mesmo é transformar a internet em uma espécie de TV à cabo”, explicou.

Leia texto na íntegra

Adolescentes perdem interesse pelo Facebook, segundo novo estudo

Globovision

Los adolescentes pierden el interés por Facebook, según un nuevo estudio

Facebook está perdiendo terreno entre los adolescentes, según un reciente estudio en Estados Unidos. La red social cuenta con 3 millones menos de adolescentes que en 2011, lo que supone una caída del 25%.

Así lo ha revelado un estudio de iStrategyLabs, que también destaca que los usuarios de más de 55 años han aumentado en un 80,4 por ciento desde 2011 hasta 2013.

Las cifras se han tomado del servicio de publicidad de Facebook en el que la red social da datos para anunciantes. La información revela que el nivel de adopción entre usuarios estadounidenses de 13 a 24 años está bajando, en especial en el tramo de edad que va hasta los 17 años.

El director financiero de Facebook ya admitió en octubre que la página está viviendo un descenso del uso diario entre los más jóvenes. No obstante, Facebook sigue siendo una de las más populares entre los adolescentes.

Nova proposta de regras para internet agrada teles

Folha de S. Paulo

Texto permite que empresas continuem vendendo pacotes de acesso diferenciados

Uma nova proposta para o Marco Civil da Internet foi apresentada ontem no Congresso Nacional e, desta vez, conseguiu agradar as empresas de telefonia, que se opuseram a praticamente todas as versões anteriores.

Após muita pressão e com a votação adiada para 2014, o relator do texto, Alessandro Molon (PT-RJ), incluiu uma cláusula que altera item sobre a neutralidade da rede.

Esse princípio define que o acesso para qualquer site deve ser feito com a mesma velocidade, sem que acordos comerciais possam beneficiar ou prejudicar a navegação em sites. Esse ponto também trata da venda de pacotes para o consumidor.

Pela nova redação está explicito que as teles poderão adotar o modelo de negócio que quiserem, desde que não descumpram outros pontos da lei. Isso significa que as empresas poderão continuar vendendo pacotes de acesso à internet que variam de preço conforme a velocidade e o volume de consumo.

Para as teles, a vantagem do texto é que ele abre espaço para a venda de pacotes personalizados. Assim, elas poderiam cobrar, por exemplo, preços diferentes para quem usa a internet apenas para ver emails ou somente para assistir vídeos online.

O novo texto muda também alguns pontos que afetam as gigantes da internet, como Google e Facebook.

A proposta diz que essas empresas terão de guardar por seis meses dados de acesso de usuários. Antes, essa obrigação se limitava a provedores de acesso.

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