A democracia das luzes

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nodebate – Algumas críticas às mídias se tornaram lugar comum, para dizer a verdade, usando desta estratégia, forma de defesa dos grupos empresariais, diante da repetição de que as empresas de comunicação se tornaram parte do jogo de poder, em sua defesa rotineira e incondicionalmente ao mercado e seu sistema de vida. Em contrapartida, com vedas nos olhos quando a questão é dialogar sobre os interesses coletivos, os dos próprios espectadores.

Concernente a isso, há pontos obscuros que valem a pena serem observados, os quais tornam-se mais importantes para um analista, o qual deseja ultrapassar o senso comum. Dois em especial, o uso da credibilidade do jornalista e os ataques à imagem de personalidades, nesta batalha pelo poder e verdade para a governabilidade da nação.

Seria, de fato, sem sucesso um veículo de comunicação dirigido inteiramente pelos donos da empresa. Imagine que todos os dias assistíssemos o jornal Nacional (Rede Globo), com apresentação e comentários de membros da família Marinho. O mesmo ocorre com o grupo Folha (Folha de S. Paulo), dirigido ideologicamente pelos Frias, com matérias assinadas por seus membros, de seu patriarcado. O mesmo ocorre com os Mesquitas (Jornal O Estado de S. Paulo) e Civita (Editora Abril, Revista Veja), nesta observação, apenas como exemplo.

A personificação aqui representaria uma visão de mundo conhecida, criticada conscientemente, porém estabelecida para ser aceita cotidianamente, e não seria sem razão a falta de popularidade que os empresários da comunicação merecem do público.

Neste sentido, ao invés da empresa e seus símbolos, ganha luz o jornalismo com suas assinaturas (nas matérias) amarradas com a coerência que se espera do profissional jornalista, que está mais próximo da realidade social. Alguém pode questionar a relação de poder entre a empresa e empregado, no entanto, não se pode ligá-los umbilicalmente, como se fosse uma mesma entidade. Se assim fosse não haveria o contrato entre o leitor e o produto, que se adquire pagando alguma mensalidade.

A fusão entre as prerrogativas empresariais, com suas ideologias, e a esperada liberdade e consciência do jornalista, contraditoriamente, põe a estrutura em pé, permitindo pensar no papel da comunicação e suas “diversas” ideologias, inclusive inserindo a visão de mundo do leitor.

O jornalista, portanto, efetiva-se na essência do jornalismo, sua relação com o cotidiano, do qual faz parte, lugar que está para pensar em posicionamentos sociais e democráticos, considerando diferentes pontos de vista sobre o mundo, especialmente da política.

Como estratégia, em contraposição, dos donos das empresas de comunicação, está a ordem da hierarquia, de modo que se definem pessoas com seus respectivos papeis, as quais o público vai desferir sua ojeriza, para tanto, existem muitas caras nas redes sociais. Figura implicadas como uma válvula de escape para defenestrar os fundamentais deste capitalismo da comunicação atrelado à nobre classe empresarial, da alta Society brasileira – com tentáculos lançados por grupos econômicos externos ao Brasil, na forma de uma casta global.

O jornalismo, portanto, está mais profundo, no subterrâneo de uma ideologia, no enfrentamento das multiplicidades de vozes de ideias, que sobram nas entrelinhas e no implícito dos jornalistas.

Obscurantismos

Num segundo ponto a destacar está a representação política, econômica e cultural brasileira, sobre a qual se revela estrategicamente as figuras que serão alvos de críticas permanentes, entre diferentes grupos que disputam o modelo social.

Portanto, quando se fala em política de concentração de renda e domínio econômico, logo vem à mente Michel Temer (governabilidade), Rodrigo Maia (Câmara Federal), Henrique Meirelles (economia) ou no caso de um governo que não deu certo para muitos, neste momento de decisão eleitoral e ideológica sistematizada está Dilma Rousseff (incompetência/social), Lula (populista/popular), etc.

No mundo político midiático as figuras desfilam em conveniência com este jogo de representação, ganhando status nas mídias como figuras heroicas ou emblemáticas – para manutenção no poder, ou seja, execração pública.

No fundo, os “homens” que ganham poder simbólico de representação, os quais são atacados, no final, conforme sua posição, escondem a verdadeira origem do poder e organização social.  Desta forma, os meios de comunicação lançam contra figuras expressivas da esquerda, de modo a desconstruir sua imagem popular, de modo a fazer implantar modelo que seja pertinente com sua classe, neste momento, o neoliberalismo – nesta linha vozes conservadores e intelectuais relacionados.

Enquanto isso, há um conjunto de “homens” e poderes estabelecidos na obscuridade, com mais competência e ação do que as expressivas figuras midiáticas, para o bem ou para o mal.

Por certo, a cada dia nos tornamos refém de figuras que detestamos, não por convicção, mas porque está na ordem do dia como antagonista de uma realidade que nos atinge. No entanto, defendemos o modelo do qual estas mesmas figuras fazem parte, paradoxalmente.

Seria mais ou menos assim, criticamos Michel Temer, mas quando se fala em política assistencialista somos contra, por entender que devemos defender a meritocracia, a qual também tem como defensor pessoas ligadas ao presidente da direita desenvolvimentista. Entendemos que o Jair Bolsonaro (PSL) seja um adequado presidente nestes tempos de violência urbana, mas tem-se a convicção de que os militares mataram pessoas inocentes em períodos da ditadura.

No final, está um jogo que se mostra confuso, mas que na realidade, trata-se apenas de mudança de foco, que faz parte das luzes midiáticas. O que parece importante observar com atenção é aquilo que não conseguimos enxergar por estes fachos das mediações, e por certo, decidem sobre democracia e justiça.

Por fim, as figuras detestáveis e amadas dependem das lideranças que as conduzem para as luzes. Nos tempos presentes do Brasil, o conservadorismo da tradicional pertencente à mídia tupiniquim esconde personalidades do poder e verdade propagados, nas sombras, e que se renovam na manutenção de marginalidade sociais e status quo. Na inocência ou dificuldade de observar convivemos diariamente, com fortes emoções, misérias, violência e marginalidades.

 

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Consenso midiático

Se as críticas sobre as mídias brasileiras são contundentes, devido ao excesso de partidarização de sua linha editorial, há ainda que se analisar a política elaborada pelas agências e mídias noticiosas internacionais.

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Como se poderá notar com um pouco de atenção, os jornais tradicionais e outras mídias conservadoras do Brasil reproduzem fielmente tais empresas, de modo que fica implícito sua participação neste consenso neoliberal.

A começar pela campanha no Brasil em favor da candidata à presidência dos EUA Hillary Clinton. Logo na sequência as matérias, sempre negativas, contra a política dos países latino-americanos que transitam fora do eixo EUA/Ásia/Europa.

Fato é que o consenso pode ser questionado, com consistência, no entanto, há uma hegemonia dos meios de comunicação noticiosos, com grande audiência e aceitação global que se mostram organizados sobremaneira em suas posições, de modo a estabelecer um discurso que se reproduz cotidianamente. Neste sentido, possível observar movimentos de mídias noticiosas, sobretudo on-line, na busca de disputar espaço na audiência nacionais e globais.

Contudo, os nossos jornais, em muitos momentos, apenas reverberam uma comunicação editorializada internacionalmente por jornais hegemônicos, que seguem uma linha de viés econômico, considerando ser o único caminho para se chegar ao desenvolvimento social, cultural e de esclarecimento de uma sociedade empobrecida.

Eis a globalização e a propaganda de convencimento para o novo modelo econômico mundial. Daí, pode se entender, a certeza de governos brasileiros em defender ideais que nem mesmo particularmente acreditam.

Resta saber como a população lida com esta exposição midiática, com filtro ou de maneira apenas passiva. Claro, ou faz disso instrumento, em conformidade com seu status quo, considerando os grupos sociais com sua capacidade de servir de modelo, nesta relação de convencimento, para toda uma sociedade.

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