Futuro do jornalismo impresso em questão

Folha de S. Paulo

Executivos de jornais debatem em evento em SP desafios do setor

Os executivos das principais Redações brasileiras, reunidos pela conferência da Associação Internacional de Mídia Jornalística (Inma, na sigla em inglês), detalharam nesta quarta (23) os desafios que vêm enfrentando e as respostas buscadas.

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Marta Gleich, diretora de Redação do “Zero Hora”, citou, como “principal movimento até agora” no jornal gaúcho, o lançamento da “superedição de fim de semana”, reunindo as edições de sábado e domingo, com ganhos nos custos de logística, por exemplo, sem perda de leitores.

Chico Amaral, editor-executivo de “O Globo”, detalhou as mudanças de operação e da própria cultura da Redação neste “momento de transição”.

João Caminoto, diretor de Jornalismo de “O Estado de S. Paulo”, afirmou que já é possível chegar a algumas “certezas” no debate sobre os desafios dos jornais, mas restam muitas “incertezas”.

Entre as certezas, “o bom jornalismo continuará sendo o alicerce” e “o ramo é permeado de dogmas que inibem inovações”. Entre as incertezas, citou o modelo de negócios para o setor, ainda em discussão no mundo, e “o futuro do impresso”.

Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha, concentrou os desafios em cinco principais. O primeiro é identificar o que é crise conjuntural, da economia, e o que é crise estrutural, do próprio setor, para responder com as ações mais adequadas.

Outro é quanto ao tamanho das Redações, que vêm diminuindo. Uma das respostas para a redução, diz ele, é a busca de parcerias de qualidade. O terceiro desafio é a relação com as redes sociais, que precisa ser “mais igual”, não pode se restringir à troca de conteúdo por audiência.

Sobre o papel do jornalismo profissional num ambiente digital em que “tudo tem a mesma estridência, tudo é manchete”, defendeu priorizar seleção e curadoria.

O quinto e último desafio é modelo de negócios. Dávila diz que trazer mais receitas não é função direta da Redação, mas defendeu “diversificar e ampliar fontes baseadas em conteúdo”.

“EL PAÍS”

O diretor-adjunto do “El País”, David Alandete, relatou em seguida a transição por que passa a Redação do jornal espanhol, cada vez menos voltado ao impresso, a ponto de questionar a manutenção das edições em dias de semana, e mais às diversas plataformas digitais.

Afirmou que foram rompidos os limites estritos entre editorias, para acompanhar o andamento das próprias notícias, e que os correspondentes especializados permanecem atuantes, mas em suas casas ou em cobertura.

Sobre os profissionais mantidos na Redação da publicação espanhola, afirmou Alendete, “queremos que eles sejam flexíveis”. Ele destacou que os responsáveis pela edição impressa foram isolados da Redação, há dois anos, num processo que enfrentou resistência.

Disse por fim que o objetivo é “fazer aquilo em que sempre fomos bons”, jornalismo com profundidade, “apenas adaptado aos novos hábitos do leitor” (Folha de S. Paulo).

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Adolescentes perdem interesse pelo Facebook, segundo novo estudo

Globovision

Los adolescentes pierden el interés por Facebook, según un nuevo estudio

Facebook está perdiendo terreno entre los adolescentes, según un reciente estudio en Estados Unidos. La red social cuenta con 3 millones menos de adolescentes que en 2011, lo que supone una caída del 25%.

Así lo ha revelado un estudio de iStrategyLabs, que también destaca que los usuarios de más de 55 años han aumentado en un 80,4 por ciento desde 2011 hasta 2013.

Las cifras se han tomado del servicio de publicidad de Facebook en el que la red social da datos para anunciantes. La información revela que el nivel de adopción entre usuarios estadounidenses de 13 a 24 años está bajando, en especial en el tramo de edad que va hasta los 17 años.

El director financiero de Facebook ya admitió en octubre que la página está viviendo un descenso del uso diario entre los más jóvenes. No obstante, Facebook sigue siendo una de las más populares entre los adolescentes.

Nova proposta de regras para internet agrada teles

Folha de S. Paulo

Texto permite que empresas continuem vendendo pacotes de acesso diferenciados

Uma nova proposta para o Marco Civil da Internet foi apresentada ontem no Congresso Nacional e, desta vez, conseguiu agradar as empresas de telefonia, que se opuseram a praticamente todas as versões anteriores.

Após muita pressão e com a votação adiada para 2014, o relator do texto, Alessandro Molon (PT-RJ), incluiu uma cláusula que altera item sobre a neutralidade da rede.

Esse princípio define que o acesso para qualquer site deve ser feito com a mesma velocidade, sem que acordos comerciais possam beneficiar ou prejudicar a navegação em sites. Esse ponto também trata da venda de pacotes para o consumidor.

Pela nova redação está explicito que as teles poderão adotar o modelo de negócio que quiserem, desde que não descumpram outros pontos da lei. Isso significa que as empresas poderão continuar vendendo pacotes de acesso à internet que variam de preço conforme a velocidade e o volume de consumo.

Para as teles, a vantagem do texto é que ele abre espaço para a venda de pacotes personalizados. Assim, elas poderiam cobrar, por exemplo, preços diferentes para quem usa a internet apenas para ver emails ou somente para assistir vídeos online.

O novo texto muda também alguns pontos que afetam as gigantes da internet, como Google e Facebook.

A proposta diz que essas empresas terão de guardar por seis meses dados de acesso de usuários. Antes, essa obrigação se limitava a provedores de acesso.

O Facebook e a máquina de escrever

Folha de S. Paulo

Marcelo Tas

A mídia antiga foi empurrada para a revolução digital. É hora de nos desapegarmos de falsos dilemas e reinventarmos o jornalismo

Minha primeira vez na Redação da Folha coincidiu com a chegada dos computadores.

Até então, o ambiente era dominado pelas máquinas de escrever e pela fumaça dos cigarros.

Fui testemunha ocular da rejeição instantânea de alguns colegas à novidade tecnológica.

Uns profetizavam que a chegada das “máquinas silenciosas com monitores parecidos com os de TV” era um sinal do fim do jornalismo. Outros se agarravam nostálgicos às suas Olivettis como náufragos diante de uma boia no convés do Titanic.

Temo que o atual debate “jornalismo convencional x redes sociais”, da forma como tem sido conduzido nesta Folha, repete o falso dilema “computador x máquina de escrever”. A comparação entre ferramentas diferentes, somada à confusão entre ferramenta e usuário, conduz a conclusões distorcidas.

A mudança central que computadores trouxeram ao jornalismo foi conectar os profissionais na Redação e, depois, fora delas. As informações passaram a ser compartilhadas em tempo real, flexibilizando as decisões editoriais e os prazos de fechamento.

Era o início tímido da aceleração espantosa que experimentamos hoje na publicação das notícias na era das redes sociais.

Já as redes sociais não representam uma mudança de hardware, mas de software. Na história da comunicação, a transmissão da informação sempre foi unidirecional.

Na revolução digital, as redes sociais subverteram esse fluxo. Leitores não querem mais ser só leitores. Querem também publicar, criticar, influenciar. Substitua leitores por telespectadores, ouvintes, empresas, consumidores, alunos, professores, chefes, funcionários, pais, filhos, torcedores, clubes de futebol e sinta o tamanho da encrenca.

Depois das manifestações de junho, a Folha passou a ser enfática em criticar as redes sociais. Em um editorial, chegou a alertar: “É honesto reconhecer um aspecto corporativo nessas críticas”.

Não questiono a legitimidade das críticas, mesmo corporativas, e até concordo com algumas delas. O equívoco é como se fundamentam: na tentativa inglória de separação asséptica entre “jornalismo convencional” e redes sociais.

Sérgio Dávila, em “Cidadão Face”, coloca de um lado a “imprensa profissional” e do outro, a geração Movimento Passe Livre, que ele condena pelo uso do Facebook.

Na mesma coluna em que critica a Folha por “comer poeira” por não levar a sério denúncias surgidas na rede, a ombudsman pisa no mesmo tomate. Suzana Singer decreta que “no momento, blogs e redes sociais não têm capacidade para tomar o lugar da mídia convencional.”

Ora, blogs e redes sociais são apenas ferramentas, sem vida própria. Podem ser usadas bem ou mal, por profissionais ou amadores. Ao que me consta, esta Folha tem blogs e está nas redes sociais. Resta a pergunta: qual o significado, em 2013, da expressão “mídia convencional”?

Não é mera questão semântica. Quem pensa fazer parte da “mídia convencional” parece ainda acreditar na existência de um “leitor convencional”. Mesmo contra a vontade, a mídia antiga já foi empurrada para a revolução digital pelos seus próprios usuários. É hora de nos desapegarmos dos falsos dilemas e reinventarmos o jornalismo.

MARCELO TAS, 53, é jornalista e apresentador de TV

Facebook censura Folha na rede social

Folha de S. Paulo

O Facebook apagou ontem uma publicação na página oficial da Folha na rede (facebook.com/folhadesp). A postagem se referia a uma manifestação do Bloco de Luta pelo Transporte Público, que pede o passe livre, na Câmara Municipal de Porto Alegre.

Os manifestantes, que ficaram acampados por oito dias e deixaram a Câmara na quinta, tiraram fotos nus no local.

Após a divulgação da reportagem no site da Folha, uma publicação com a foto dos manifestantes nus foi feita na página do jornal no Facebook às 15h40 de quinta. Ela foi apagada ontem, e o jornalista responsável teve sua conta na rede suspensa por 24 horas.

O mesmo conteúdo foi ao ar na página do jornal no Google+, rede social concorrente do Facebook, às 15h44 de ontem e não foi apagado.

Procurado, o Facebook disse que não comenta casos específicos e que a postagem permanecerá excluída.

Mídia tradicional e direta

No debate

Folha de S. Paulo/opinião

O recado das ru@s

Junia Nogueira de Sá

As manifestações dos últimos dias escancaram uma crise de representatividade e tocam no nervo exposto da mídia tradicional: seu papel (sem trocadilhos) no mundo invadido por redes sociais e blogs.

Emprestando o conceito de democracia direta, o que vemos é a ampliação –até limites ainda indefinidos– de um fenômeno que poderia se chamar mídia direta.

Num esforço de reportagem proporcional aos fatos, esta Folha (Jornal Folha de S. Paulo) tem mantido dezenas de jornalistas em campo. Já os “conectados” da mídia direta são milhares, estão em todos os cantos, têm acesso a tudo e se sentem não apenas na obrigação, mas no direito de serem atores e testemunhas da história –além de guardiões da verdade. Eis o problema.

Que o universo digital produza essa sensação libertadora é positivo. Que a tecnologia lhe permita multiplicar ao infinito opiniões, contribuições e denúncias é positivo. Que a mídia direta crie uma maneira colaborativa de a sociedade se informar é positivo. Mas a ideia de que é apenas na internet “off mídia” que os fatos são relatados sem manipulação e sem compromissos com aqueles que –para usar um bordão das ruas– “não me representam” é desastrosa.

Na crise de representatividade, tudo é posto em xeque. Como instituição, a mídia é questionada como os partidos, o governo, o pastor Feliciano, a Copa e por aí vai. Nas ruas ou no universo digital, não poucas vezes ela tem sido até hostilizada.

Ocorre que boa parte do combustível que incendiou os indignados surgiu exatamente da mídia e de sua vigilância sobre desmandos, desvios e desvãos transformada em reportagens e manchetes. Que, aliás, são frequentemente postadas, curtidas e compartilhadas nas redes sociais.

Um assombroso paradoxo: a mídia direta se nutre da mídia tradicional, aquela com mandato legítimo para apurar e editar, mas cospe no prato em que come.

Isso acontece porque o sujeito das ruas compara o poder da mídia –o tal quarto poder– com o seu e sai para a revanche quando edita a si mesmo na mídia direta.

O recado é claro: a vigilância da mídia é menos rigorosa do que ele quer. Os assuntos da sua vida não estão na pauta –que, de resto, estava desfocada. Basta dizer que, tanto quanto os palácios, os governantes e os marqueteiros, a mídia não foi capaz de pressentir aquilo que agora noticia.

Para o sujeito das ruas, essa mídia “não me representa”.

Para reverter esse cenário, a mídia tradicional precisa enfrentar seus temores diante do fenômeno da mídia direta –na qual o cidadão fala, grita, critica e elogia sem intermediários. Mais: precisa se alimentar dela.

Um bom exemplo: na mais tensa edição de sua história, na noite de 20 de junho, quando o país parecia pegar fogo, o “Jornal Nacional” foi ao ar não ao vivo, mas on-line, com um olho na câmera e outro nas redes sociais, monitorando o pulso do país por meio delas. Sintomaticamente, mudou o tom da cobertura.

É simples assim. O cidadão exige participar de todos os processos que afetam sua vida. E não precisa nem plebiscito para entender o que ele demanda: basta olhar uma “timeline”. Está tudo ali.

No país que não quer mais ser passado para trás, mas quer se passar a limpo, a mídia tem a chance de se aproximar do Brasil.

JUNIA NOGUEIRA DE SÁ é jornalista e consultora de comunicação. Foi ombudsman da Folha (1993-1994)

Futuro do Jornalismo na rede

O que se percebe ainda é a dificuldade de se chegar a um denominador comum quando o assunto é jornalismo e internet. Mas todos reconhecem que os desafios são muitos, sobretudo das escolas de jornalismo e profissionais atuantes

Por Antonio Silva

Foto CA de Jornalismo PUC/GO – da esquerda para a direita: Antonio Silva (mediador); debatedores Honório Jacometto, Pablo Kossa e Bruno Hermano.

Em debate na Pontifícia Universidade Católica de Goiás em Congresso promovido pelos estudantes do Centro Acadêmico de Jornalismo, na terça-feira (28) deu mostras dos difíceis caminhos dos profissionais de imprensa com a amplitude das redes sociais. Um dos desafios que tira a noite de sono não somente dos jornalistas que atuam nos meios de comunicação, como também os intelectuais que pensam os currículos dos cursos de comunicação no Brasil. Talvez seja mesmo um tempo de crises, que visa adequação ao ingresso da imaterialidade da internet nas narrativas dos fatos.

A quantidade de informação que a cada dia chega à casa das pessoas vinda pelo mundo torna o planeta apenas uma pequena ilha, na qual se pode conversar com facilidade independentemente do lugar onde se está. A comunicação se faz instantânea sem considerar, portanto, tempo e lugar. Todos falando com todos, potencialmente. Se antes existiam alguns jornais, TVs e rádios, gerando mensagens informativas, na atualidade a rede se encarrega das trocas de mensagens, em grande parte. Sendo que para muitas delas a mídia tradicional leva semanas para ter conhecimento dos fatos.

Apesar de tudo isso surge questões importantes, afinal, há profundidade nas informações no jornalismo que adere ao modelo instantâneo da rede on-line – e mais a internet é acessível a todos no Brasil? Para o jornalista Pablo Kossa, do Jornal Diário da Manhã e da Rádio Interativa, não exatamente. O que é pior os jovens aderem às novas tecnologias para uma sociedade que pode se tornar o conhecimento apenas superficial. Não se pensa, afirma ele, em ler massudos livros do pensador comunistas Karl Marx, mas observar os fatos sociais com mais profundidade. Talvez não seja o que se vê na rede social.

As fontes se mostraram uma questão importante para o jornalista da TV Anhanguera, Honório Jacometto. Afinal, como inseri-las nas matérias, considerando a quantidade de pessoas que falam nas redes sociais? Como dinamizar as vozes das pessoas nas notícias, quando se está em campo? Não há dúvida que o critério tempo continua sendo importante, avalia Jacometto, afinal ainda é indispensável ter convicção da autoridade da fonte e checar com rigor as informações que são passadas para o telespectador. Como sugere, mesmo com a rede social, o jornalismo precisa se manter sua preocupação com a credibilidade. Mesmo porque, partir da informação publicada, existem contestações do público permanentemente.

O jornalista, editor chefe do site A Redação Bruno Hermano finalmente afirma que a internet e a rede social faz parte da sociedade e não é possível deixá-la de lado. As informações ganham novas dimensões nas apurações no jornalismo. A cada minuto serão atualizadas conforme o desenrolar dos fatos, aproximando-se da informação mais apurada. Sobre as fontes, avalia que há mais pessoas falando nas matérias, diferentemente das mídias tradicionais que repetem no dia a dia os seus personagens. As pessoas estão cansadas das mesmas fontes e afirmações,  o jornalismo na rede permite esta dinamicidade, fazendo entender mais pontos de vista sobre o mesmo fato, analisa.

No final, o que se percebe ainda é a dificuldade de se chegar a um denominador comum quando o assunto é jornalismo e internet. Mas todos reconhecem que os desafios são muitos, sobretudo das escolas de jornalismo e profissionais atuantes. Como estão sendo formados os novos profissionais e como estão atuando os jornalistas na mídia, com o rigor que exige a profissão ou há uma superficialidade com aqueles que se aventuram aos tempos modernos? O fato é que este é um tempo sem volta e os caminhos precisam ser trilhados.

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Parabéns aos futuros jornalistas da PUC/GO pelo Congresso Informe-se. Como se vê os jovens estudantes da área estão preocupados com o jornalismo nos tempos modernos e contribuem para a busca de soluções para a qualidade da informação, que tem a ver com política, educação, economia, etc.

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