Abertas as inscrições para o Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo

Revista Imprensa

Na semana de comemoração dos 23 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente, a VII edição do Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo reconhecerá trabalhos sobre proteção e promoção dos direitos de crianças e adolescentes em meio à Copa do Mundo de 2014.  As inscrições devem ser feitas até o dia 27 de outubro, no site do prêmio.

O Concurso Tim Lopes não premia, no entanto, reportagens já veiculadas. A intenção é selecionar as melhores propostas e oferecer apoio técnico e financeiro para a realização. Os interessados devem escolher entre cinco categorias: mídia impressa; rádio; televisão; mídia online e alternativa; e temática especial.

Em sua categoria especial, o concurso premia projetos com o tema “Violência sexual contra crianças e adolescentes no contexto da Copa do Mundo de 2014”, que inclui aspectos como exploração sexual no âmbito do turismo, a pornografia infanto-juvenil, o tráfico para fins de exploração sexual e a violência sexual contra meninos e meninas no ambiente esportivo.

De acordo com a organização do prêmio, o projeto deve incluir uma proposta de pauta de forma detalhada, apresentando justificativa, roteiro de produção da matéria ou série de reportagens, fontes de informação e previsão dos gastos.

Os jornalistas que tiverem seus projetos selecionados receberão uma bolsa entre R$ 11.550,00 e R$ 17.600,00, conforme o veículo no qual atuam. Ao final, os jornalistas vencedores também recebem um prêmio de R$ 3.300,00.

Neste ano, o evento é uma realização conjunta entre a ANDI – Comunicação e Direitos, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Childhood Brasil, e conta com apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e de IMPRENSA.

Jornalismo sem faro

Blog do Josias

Rua cheia faz do jornalismo profeta do ocorrido

 

A sorte da indústria da informação é que seus produtos ficam obsoletos em menos de 24 horas. Se tivesse que dar garantias do que vende, o jornalismo estaria em apuros. O despertar da geração coca-cola exilou os meios de comunicação das suas certezas. A rua de 2013 é o incômodo local desse exílio.

Nós, os mercadores da informação, devemos à clientela no mínimo uma boa explicação. Consumidores mais exigentes já devem estar perguntando para os seus botões: como dar crédito a produtores de notícias incapazes de farejar uma revolta com potencial para levar 1 milhão de cenhos crispados ao meio-fio?

A política não foi a única vítima da ira da gente moça. A embaraçosa verdade é que a situação do jornalismo é pior. O noticiário trata o novíssimo fenômeno como um tsunami que surgiu do nada em ritmo cinematográfico. Vamos e venhamos: pretendendo esclarecer, complica.

Voz de hoje, guarda das informações de ontem, e prenunciador dos acontecimentos de amanhã, o jornalismo deveria antecipar a História, não ser engolfada por ela. Não se pode nem dizer que não houvesse algo de malcheiroso na atmosfera. O que faltou foi disposição para farejar abaixo da superfície.

Cresceu muito na eleição municipal do ano passado o percentual de votos nulos e brancos. Avultou-se também a abstenção. Para ficar apenas no exemplo de São Paulo: o total de eleitores que não foi votar, anulou o voto ou apertou a tecla “em branco” na urna eletrônica foi de 2,49 milhões (31% do total).

Repetindo: 31% do eleitorado não encontrou um mísero candidato ou partido que considerasse digno de representá-lo. Era uma tribo maior do que a que votara no segundo colocado, o tucano José Serra (1,88 milhões de votos.). Quer dizer: o elefante passou sob a janela e o jornalismo não viu que ele estava de tromba virada.

Estuário natural da história em construção, os meios de comunicação reduziram sua capacidade de observação. Os fatos são acompanhados de forma burocrática e convencional. Movimentos decisivos só são captados pelo jornalismo contemporâneo em sua fase terminal.

Num cenário de interesses voláteis e difusos, o jornalismo já não consegue fixar âncoras de referência para leitores, telespectadores e internautas. Apinhada de estudantes que todos supunham alienados, a rua terminou de converteu o jornalismo em mero profeta do acontecido.

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