A Globo de FHC

nodebate – Em praticamente em todos os veículos de comunicação e rede social, nos últimos dias, está a voz de Mírian Dutra, ex-namorada do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com quem diz ter um filho. Seu relato não pode ser separado de um momento político vivido pelo Brasil, no qual há diversos escândalos relacionado com o governo de Dilma Rousseff, com personalidades petistas presas. Na política há o tempo de se defender e jogar contra o adversário. Portanto, nas disputas há estratégias, bom que se diga em tempo.

Neste meio, no entanto, é preciso entender alguns pontos, que se mostram evidentes. As grandes redes de comunicação, como é o caso da Rede Globo de Televisão, uma das maiores do mundo no seu segmento, e a Revista Veja de maior audiência no Brasil, têm muito a explicar sobre o caso envolvendo FHC, contas no exterior, e defesa do ex-presidente, e quanto a um provável escândalo iminente, à época das eleições presidenciais, caso Dutra aparecesse no noticiário.

A pergunta que não se cala. Como as grandes redes de comunicação atuam no jornalismo, pautando acontecimentos diários importantes? Escolhendo temas sociais importantes, com reflexo na vida das pessoas ou literalmente decidindo o que se deve saber? Neste caso específico, claramente, a segunda opção, considerando os relatos de Mirian Dutra, FHC mereceu proteção para se tornar presidente da república e depois durante o seu governo. Certamente não foi a mesma acolhida para os adversários.

Neste sentido outra dúvida, será mesmo que estes grandes meios de comunicação agem sozinhos nesta empreitada de salvaguardar determinadas figuras políticas? Mais, o que estes atores políticos, como Fernando Henrique Cardoso – presidente por dois mandatos – oferecem em contrapartida para empreendimentos tão intrincados e arriscados para estes veículos, que minimamente tem um nome a zelar, com atenção ao contrato com sua audiência?

Para os meus amigos Jornalistas, uma questão, será mesmo que os editores de grandes jornais têm mesmo liberdade para decidir o que vai ao ar, como é o caso de Willian Bonner do Jornal Nacional e seus amigos de outros Jornais? Essa parece ser uma resposta simples. Um sonoro não. Contudo, talvez cabe mesmo mais atenção da opinião pública sobre o entendimento da atuação dos meios, de modo a pensar a informação e não simplesmente construção da realidade, como se idealiza longe do cotidiano.

Finalmente, ainda considerando os pontos questionados, não é possível afirmar que o problema está no Jornalismo, mas aqui o imbróglio jornalístico chega, de maneira muita definitiva, à empresa, com seus valores, interesses de mercado e por isso, político. Fundamentalmente, talvez nem seja mesmo uma questão simplesmente nacional ou brasileira. O jornalismo se forma em rede que não apresenta claramente suas fronteiras de relações e éticas. O mundo parece-nos apenas uma aldeia, ao que parece apenas para quem se comunica. Ponto.

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Link sobre o assunto:

Entre várias publicações, certamente a Revista brasilcom Z traz entrevista mais completa com Mírian Dutra.

 

Resposta do PT à Veja

Veja

Direito de resposta

VEJA veicula a resposta conferida à Dilma Rousseff, para o fim de serem reparadas as informações publicadas na edição nº 2397 – ano 47 – nº 44 – de 29 de outubro de 2014.

A democracia brasileira assiste, mais uma vez, a setores que, às vésperas da manifestação da vontade soberana das urnas, tentam influenciar o processo eleitoral por meio de denúncias vazias, que não encontram qualquer respaldo na realidade, em desfavor do PT e de sua candidata.

A Coligação “Com a Força do Povo” vem a público condenar essa atitude e reiterar que o texto repete o método adotado no primeiro turno, igualmente condenado pelos sete ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por terem sido apresentadas acusações sem provas.

A publicação faz referência a um suposto depoimento de Alberto Youssef, no âmbito de um processo de delação premiada ainda em negociação, para tentar implicar a Presidenta Dilma Rousseff e o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em ilicitudes. Ocorre que o próprio advogado do investigado, Antônio Figueiredo Basto, rechaça a veracidade desse relato, uma vez que todos os depoimentos prestados por Yousseff foram acompanhados por Basto e/ou por sua equipe, que jamais presenciaram conversas com esse teor.

Jornalismo – Monte Carlo no caminho de Veja

Caso Veja-Cachoeira testa fronteiras do jornalismo

Caso Veja-Cachoeira testa fronteiras do jornalismo Foto: Edição/247

“O Policarpo nunca vai ser nosso”, texto da atual edição de Veja, aumenta rol de dúvidas sobre interação entre publicação e contraventor; com senador Demóstenes como seu braço político, a revista seria sua mão editorial?; na Inglaterra, suspeitas de relações desvirtuadas com a polícia levaram o patrão Rupert Murdoch a se explicar no parlamento; aqui, pode acontecer o mesmo com Roberto Civita, dono da Abril, pelo longo flerte com o bicheiro?

Brasil 247 – Estão faltando peças no tabuleiro das relações entre a revista Veja, a de maior circulação do Brasil em papel, e a do contraventor preso pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. Precisamente, cerca de 200 peças, equivalentes ao número de ligações telefônicas grampeadas legalmente pela PF entre o editor-chefe e diretor da sucursal de Brasília da publicação, Policarpo Junior, e Carlinhos Cachoeira. Nelas se poderá verificar o verdadeiro padrão do relacionamento entre o jornalista e sua fonte. Haveria só perguntas e respostas entre eles ou algum jogo de ataques e defesas editoriais, aprimorado ao longo do tempo, no interesse comum de Veja e do contraventor? Ou, ainda, ora do interesse de Veja, ora do interesse do contraventor?

Interrogações deste mesmo tipo, mas sobre outros personagens, com outra nomenclatura, foram feitas na Inglaterra, no ano passado, durante os acontecimentos em torno do escândalo News Corp. O caso resultou no fechamento do centenário tablóide sensacionalista News of the World, cujos jornalistas atuavam em associação direta com a polícia investigativa do país – a Scotland Yard –, para a qual distribuíam dinheiro em troca de informações em primeira mão. O caso começou na redação, apanhou em cheio a editora executiva Rebekah Brooks, mas recaiu mesmo sobre o colo do patrão Rupert Murdoch. Ele se viu obrigado a ir ao parlamento do país pedir desculpas, tentar se explicar e, por fim, anunciar o sepultamento de sua publicação.

Aqui, no caso Veja-Cachoeira, a aliança da revista, por meio de seu editor-chefe, se deu, de maneira ainda obscura, com um contraventor preso sob acusação de liderar um pesado esquema de operação de jogos ilegais e infiltração em diferentes escalões do poder. Na Inglaterra, jornalistas e policiais. Aqui, com bandidos. Há fortes suspeitas de que Cachoeira, pelo método de gravações ilegais com interlocutores de seus próprios auxiliares, tenha até mesmo fabricado provas comprometedoras contra adversários. As ligações perigosas de Cachoeira com o líder da publicação em sua área mais estratégica, a sucursal de Brasília, e as dúvidas sobre uma longa aliança editorial entre eles já demandam, de per si, uma investigação independente. E esta terá, necessariamente, de incluir o dono da publicação, Roberto Civita, presidente do grupo Abril, e não apenas um ou alguns de seus funcionários. É o que lembra, em post deste sábado 31, o jornalista Luís Nassif, em Esqueçam Policarpo: o Chefe é Roberto Civita. “Policarpo realmente não era de Carlinhos Cachoeira. Ele respondia ao comando de Roberto Civita.

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